Natural de Aratiba, Maria Nilse Pavan chegou a Erechim para cursar o Magistério. Formou-se em História pela UPF, fez pós-graduação em Informática na Educação e ingressou no magistério estadual. O estágio em Estação durou dois anos, antes de ser chamada para a Escola Estadual Haidée Tedesco Reali, onde, a convite da diretora Sivonei Bordignon, assumiu a vice-direção.
Trabalhou na escola por 18 anos, sendo 16 deles como vice-diretora. Em parceria com Sivonei, implantou a matrícula por disciplina e, juntas, realizaram visitas a diversas coordenadorias do estado para divulgar a proposta. Também ajudou a transformar o colégio com a implantação do Ensino Médio e Técnico em parceria com o Senai, a construção do ginásio e de espaços para cursos, além da criação da banda e do coral. “Nada disso teria acontecido sem o apoio do Clube de Mães, do Círculo de Pais e Mestres, dos professores e da comunidade”, recorda.
A convite do professor Guilherme Barp, então coordenador da CRE, assumiu a área de Recursos Humanos da Coordenadoria Regional de Educação. Atuou na organização de concursos, previsão de pessoal e parcerias com prefeituras e a URI. Mais tarde, o professor Valério Schillo a convidou para fazer parte do Instituto Anglicano Barão do Rio Branco, onde coordenou o Ensino Médio e acompanhou projetos em Tapejara e Bagé.
Nesse período, esteve à frente dos vestibulares da Faculdade Anglicana de Erechim (FAE), coordenou o PEIES de Santa Maria realizado na cidade, organizou concursos de poemas com professores de Literatura — que resultaram na publicação de quatro livros — e coordenou a 2ª ExpoNorte, em parceria com a Prefeitura de Paulo Bento, na gestão de Pedro Lorenzi. Junto da professora Cleonice Badalotti Dufloth, elaborou ainda o projeto Faculdade da Experiência, apresentado na Assembleia Legislativa a convite do Instituto AME, de Porto Alegre.
“Após me afastar do Barão, recebi o convite do prefeito Paulo Polis para atuar na Direção de Recursos Humanos, onde permaneci por seis anos. Foi uma experiência que me permitiu conhecer outra dimensão do município, envolvendo o funcionamento das secretarias, das escolas municipais e de toda a estrutura administrativa”, conta Maria Nilse.
Para ela, essa passagem consolidou a visão de que a gestão educacional se constrói a partir de múltiplas experiências. “Ao longo da trajetória, tive passagem por diferentes áreas: escola estadual, coordenadoria de educação, escola particular e município. Hoje mantenho contato com profissionais, professores, alunos e pais em todos esses segmentos, vínculos que contribuíram de forma significativa para minha vida profissional e pessoal”, acrescenta.
Para Maria Nilse, a gestão sempre foi o elo entre escola e comunidade. “Visitar famílias, ouvir os pais, acompanhar alunos em vestibulares, criar espaços de diálogo: tudo isso era parte da gestão. A escola só cresce quando caminha junto com a comunidade”, afirma.
Hoje, ao refletir sobre a educação, observa um cenário diferente: professores desmotivados, famílias mais distantes e escolas fragilizadas pela falta de prioridade nas políticas públicas. “Retomar esse caminho exige o esforço de todos: família, escola, comunidade e política”, ressalta.
Com a experiência de quem passou por diferentes áreas da educação, deixa uma mensagem clara: sem gestão comprometida e investimento coletivo, a escola perde sua força transformadora.