O trabalho de cuidado no ambiente escolar integra a rotina de professoras, merendeiras, funcionárias da limpeza, equipe diretiva e demais profissionais. A convivência diária com crianças e adolescentes envolve escuta, observação de mudanças de comportamento, acolhimento emocional e transmissão de valores. Em homenagem ao Dia das Mães,
A permanência prolongada de estudantes nas unidades escolares faz com que professores e equipes de apoio acompanhem fases importantes do desenvolvimento infantil. Em muitos casos, profissionais identificam sinais de tristeza, alterações de humor, dificuldades de socialização e necessidades alimentares
No contexto do Dia das Mães, trabalhadoras da educação compartilham como parte dessas funções se aproxima de práticas associadas ao cuidado materno, ainda que exercidas em ambiente institucional e coletivo.
Alimentação e acolhimento no dia a dia
Há quase três anos atuando como merendeira, Nadia Segat descreve a relação construída diariamente com as crianças como semelhante à de uma família. “A gente trata eles como se fossem filhos nossos. Vive mais com eles aqui na escola do que com a família em casa”, afirma.
Segundo ela, o contato frequente permite perceber mudanças no comportamento dos alunos e identificar momentos em que precisam de atenção especial. “Quando vemos que eles não estão bem, perguntamos o que aconteceu, tentamos conversar. Às vezes eles vêm, contam os problemas e tentamos os incentivar”, relata.
Além do cuidado com a alimentação, Nadia destaca que a convivência também contribui para transmitir valores importantes. “Tratamos a todos iguais”, disse.
Lanche escolar como ponto de encontro
Também na cozinha, Clair de Lima passou da equipe de limpeza para a alimentação escolar em 2026 e conta que encontrou na nova função uma rotina de afeto. “A gente faz tudo com amor. Ver no rostinho deles a felicidade quando vêm pegar o lanche é a melhor parte”, comenta.
Clair ressalta que, para algumas crianças, a refeição servida na escola representa um momento importante do dia. “Tem muitos que saem cedo e, às vezes, não almoçam. Então, a hora do lanche é muito esperada”, explica Clair.
O vínculo construído ao longo da rotina também torna mais fácil perceber quando algo não vai bem e o sentimento envolvido no trabalho é semelhante ao materno. “É um amor muito grande, amor de mãe mesmo. Tenho dois filhos e o carinho que tenho por eles, tenho pelas crianças daqui também”, afirma.
Relação afeta aprendizagem
Na sala de aula, a professora Ediane Brum Presser avalia que esse acolhimento impacta diretamente no aprendizado. Segundo ela, professores e alunos constroem uma relação de troca diária, influenciada pelo estado emocional de ambos.
“Quando eu entro em sala de uma forma diferente, eles também me recebem de forma diferente. É uma conexão que a gente vai construindo para que o dia renda da melhor maneira possível”, explica.
Ediane destaca que o vínculo contribui para tornar a escola um ambiente mais leve e seguro. “Eu sou uma pessoa carinhosa. Às vezes precisa chegar perto, abraçar, passar a mão no cabelo. Esse cuidado aproxima e faz com que eles se sintam acolhidos”, conta.
Mãe de dois filhos, Ediane acredita que a formação dos alunos vai além dos conteúdos curriculares e inclui a construção de valores. “As crianças aprendem muito mais pelo que enxergam em nós do que pelo que a gente fala. Então, a forma como tratamos eles ensina respeito, empatia e responsabilidade”, avalia.
Formação para além do conteúdo
A professora Deise Czornabay, fala que o vínculo entre educadores e estudantes é essencial para o desenvolvimento integral. “Como eles passam a maior parte do tempo na escola, é necessário que tenham vínculo uns com os outros e conosco também”, afirma.
Ela relata que a experiência da maternidade influencia diretamente sua prática profissional. “Eu sempre digo que poderia ser mãe deles. A gente acaba se sentindo um pouquinho mãe de cada um, cobrando tarefas, incentivando e orientando”, comenta.
Para Deise, o ambiente escolar também prepara os alunos para a convivência em sociedade e para o futuro profissional. “Nós trabalhamos constantemente questões de respeito, comportamento e convivência. Isso reflete depois no mercado de trabalho e na vida em sociedade”, destaca.