O processo de emancipação política e administrativa foi positivo para os municípios, afirma o prefeito de Paulo BentoPedro Lorenzi. Mesmo considerando que 90% das receitas são repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) da União e do ICMS do Estado, o que é gerado no município, não chega a 10% do orçamento.
O prefeito explica que independentemente dessa situação, a emancipação aproximou os serviços públicos do munícipe, a prefeitura ficou mais próxima das pessoas podendo atender melhor a população. E as melhorias são enormes e evidentes nos municípios que se emanciparam, no desenvolvimento das comunidades locais, se comparado aos distritos que não realizaram o processo de emancipação. “Os municípios cresceram muito”, afirma.
Lorenzi comenta que os benefícios da emancipação são sentidos pela população nas mais diferentes áreas, como saúde, educação, obras e assistência social, praticamente nada fica de fora. “Os nossos municípios se desenvolveram, estão crescendo, e não tenho dúvida nenhuma que a emancipação foi altamente salutar para essas comunidades”, afirma.
Para o prefeito é preciso que seja feito urgentemente uma reforma tributária para dividir melhor a riqueza produzida no país. Lorenzi explica que de cada R$100, R$60 fica com o governo federal, R$25 vai para o Estado e somente R$15 nos municípios. “E, é justamente no município que tudo acontece”, diz.
O experiente político vai além e diz que se não tiver uma reforma tributária efetiva no país ele teme pelo futuro dos municípios. “E isso tem que ser para ontem. Os municípios precisam ser contemplados com mais recursos”, afirma.
O gestor traz mais dados para mostrar essa triste realidade, de cada R$ 100 do orçamento da prefeitura, a maioria dos municípios gasta R$ 50 com a folha de pagamento, R$25 são investidos na educação, R$ 15 na saúde, o Legislativo leva em torno de R$3 a R$6, o que resulta em R$ 94, R$ 95. E sentencia: “não existe mais capacidade de investimento nos municípios”.
Paulo Bento tem facilidade de atrair empreendimentos comerciais e industriais, afirma Lorenzi. Isso porque o município está próximo da cidade polo, que é Erechim, e por ter ligação asfáltica pela ERS 211. “Essa proximidade quase nos torna um bairro de Erechim. A nossa divisa está no Colégio Agrícola”, comenta.
Em função dessa proximidade a ERS 211 vai se transformar num corredor industrial. “São várias empresas se instalando e outras com ideia de se instalar. Não tenho dúvida que em cinco a dez anos teremos entre Erechim e Paulo Bento um corredor industrial”, observa.
Segundo Lorenzi, a alternativa para o pequeno município conseguir vencer as dificuldades e continuar se desenvolvendo é incentivando a indústria e o comércio. “A fronteira agrícola dos nossos municípios está praticamente explorada, não há mais como se expandir, a saída vai ser incentivar o setor secundário, que é a indústria, e o setor terciário, que é o comércio”, afirma.
E é justamente em função da logística que Paulo Bento está investindo muito na industrialização do município. “Como forma de alavancar renda, gerar emprego e fazer o município crescer e ter maior receita”, diz.