Em meio a um cenário internacional explosivo, a chef de cozinha e tastemaker erechinense Alexandra Machado vive dias de tensão, mas também de surpreendente normalidade, em Dubai. Desde janeiro morando nos Emirados Árabes Unidos, ela acompanhou de perto os ataques com mísseis e drones atribuídos ao Irã contra cidades do país a partir de 28 de fevereiro.
A ofensiva
A ofensiva ocorre em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, após bombardeios realizados pelos Estados Unidos e por Israel em território iraniano, que culminaram com a morte do líder supremo, Aiatolá Ali Khamenei.
Realidade contrasta com as imagens que circulam pelo mundo
Mesmo diante desse cenário, Alexandra descreve uma realidade que contrasta com as imagens de guerra que costumam circular pelo mundo. “Todo mundo me pergunta se eu não estou com medo da situação atual em Dubai. Mas as pessoas estão seguindo com as suas vidas. Estão trabalhando, indo aos restaurantes. Impressionante a segurança que o país passa aos moradores e o quanto o povo tem 100% de confiança no governo”, relata.
O primeiro dia
No entanto, o primeiro impacto foi inevitável. “No primeiro dia foi assustador. Muitos mísseis e barulhos altos deles sendo destruídos. Alarme de madrugada no celular para sairmos correndo de onde estávamos, porque um míssil vinha em nossa direção na região que moramos. Foi assustador, mas a rapidez com que eles abatem é incrível”, descreve.
Sensação de controle das autoridades
A cena, digna de roteiro cinematográfico, teve sirenes na madrugada, correria e o som das interceptações no céu. Mas, segundo ela, a sensação de controle das autoridades foi determinante para conter o pânico coletivo.
Rotina segue inalterada
No dia seguinte, mesmo com ruídos de explosões ao longe, a rotina seguiu praticamente inalterada. Shoppings abertos, supermercados e entregas funcionando 24 horas. “As autoridades salientam que estão preparadas para atender a todos e que não precisávamos nos preocupar. Realmente, a confiança no governo é incrível”, afirma.
Dualidade interessante
O relato da erechinense expõe uma dualidade interessante: o medo real diante do som dos mísseis e, ao mesmo tempo, a percepção de eficiência do sistema de defesa e da estrutura estatal dos Emirados.
Como diferentes sociedades reagem a crise
Em tempos de instabilidade global, a experiência de Alexandra mostra como diferentes sociedades reagem à crise. Enquanto o noticiário internacional reforça a tensão geopolítica, no cotidiano de quem vive ali a vida continua.
Do interior do RS para um dos centros mais cosmopolitas do mundo, a chef erechinense experimenta, na prática, como é viver sob o risco iminente de conflito. E sua conclusão chama atenção. Mais do que o medo, o que prevalece é a confiança institucional. Num mundo cada vez mais instável, talvez esse seja um dos ativos mais valiosos de qualquer nação.