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Opinião

Em meio às diferenças, a parceria é a escolha mais sábia

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Marcelo V Chinazzo
Por Marcelo V. Chinazzo – Pai do Miguel e do Gael, jornalista e escritor
Foto Marcelo V. Chinazzo

As pessoas são diferentes umas das outras, umas mais, outras menos, mas ninguém é exatamente igual a ninguém, nem mesmo gêmeos idênticos. E, quando duas pessoas decidem caminhar pela vida afora de mãos dadas, é preciso ter ciência de que a verdadeira parceria não nasce da ausência de diferenças e, sim, da decisão de seguir juntos apesar delas. Aquele papo de “os opostos se atraem” não funciona tão bem, ao menos não de forma literal, no campo dos relacionamentos. Um casal pode e deve ser distinto nos ritmos, nos silêncios, nas urgências e até no jeito de enxergar o mundo. Veja bem, distinto, não oposto. Ter diferenças, mas estar alinhado em um mesmo propósito. E é justamente aí que mora o encanto, não naquele contraste exagerado, mas em uma soma cuidadosa.

Há quem acorde com a agenda do dia mentalmente organizada antes mesmo de o cheiro do café se espalhar pela casa, enquanto o outro ainda tenta entender o dia enquanto ele já acontece. Um acelera, o outro pisa no freio; um planeja, o outro observa. E isso não significa desencontro, significa ajustar os passos, resultando em um aprendizado diário.

Relacionamentos reais não são feitos de encaixes perfeitos, mas de mãos que se procuram e se estendem quando o passo falha. De alguém que puxa quando o outro hesita; de alguém que pede calma quando o mundo parece correr rápido demais e, dessa forma, as relações se solidificam. A verdadeira parceria atravessa o tempo, sobrevive às picuinhas, aos pormenores e às pequenas frustrações que insistem em aparecer no dia a dia. Ela entende que nem tudo será do jeito que imaginamos e que está tudo bem, pois sempre há outra forma, outro caminho e outra tentativa.

E, quando a paixão, aquela intensa, urgente e insana, diminui, o que fica é ainda mais bonito. Pois, independentemente das diferenças, permanecem o cuidado, o respeito e o afeto que moram nos detalhes. No “respira” dito com carinho; no “vai dar certo” sussurrado sem alarde; na mão estendida quando o caminho parece sumir diante dos pés; mas, principalmente, no silêncio de quem não precisa provar nada.

O amor maduro não vive aos gritos, é discreto e se sustenta na parceria de duas pessoas distintas, que sabem utilizar as operações matemáticas básicas no dia a dia: somando quando é preciso somar, diminuindo quando é preciso diminuir, multiplicando quando é necessário e dividindo sempre que preciso. E, curiosamente, é esse amor cotidiano, firme e atento, que mantém aquela velha paixão ali, resgatando cumplicidade, intimidade e parceria.

Seguir de mãos dadas com alguém não é ser igual, concordar sempre ou evitar discussões, é saber que ser diferente é fundamental, talvez a parte mais bonita. Seguir de mãos dadas com alguém é errar, acertar, ajustar o passo, discutir, respeitar o ritmo e os desejos, ensinar, aprender e, principalmente, acima de qualquer coisa, escolher ficar. Lá em casa, isso tem funcionado há mais de 7 anos e, não porque é fácil, mas porque faz sentido para nós dois. Porque mesmo diferentes, o caminho sempre vale mais a pena quando estamos juntos.

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