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Opinião

Questão climática requer mais investimentos

Qualquer ação efetiva climática requer muitos investimentos públicos e privados. E a iniciativa tem que ser do poder público, que precisa dar o exemplo e ser efetivo com políticas públicas que contemplem as mudanças necessárias no campo e na cidade.

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Ígor Dalla Rosa Müller
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Jornal Bom Dia

As mudanças climáticas são reais e deixam um rastro de destruição e prejuízos incalculáveis para população, há décadas. A chuva de granizo, no último domingo (23), foi mais um evento climático extremo que destruiu casas, carros, eletrodomésticos, colchão, roupas, afetando mais de 42 mil pessoas no município, praticamente, quase todas as famílias de Erechim, direta ou indiretamente, foram prejudicadas por este temporal. 

Informações da série histórica da Defesa Civil de Erechim, de 1991 até 2024, mostram os eventos climáticos, desastres naturais, no município, nos últimos 30 anos. O fenômeno mais recorrente é a estiagem, seca, com registros em oito ocasiões, neste período, em março de 1991, janeiro de 2002, junho de 2004, janeiro de 2005, março de 2009, fevereiro de 2012, maio de 2020 e novembro de 2022.

Erechim registrou, nestas três décadas, quatro vendavais e ciclones, em fevereiro de 2014, outubro de 2017, dezembro de 2023 e maio de 2024. Quatro chuvas intensas e volumosas uma em julho de 2014, outubro de 2023 e março e maio de 2024. Outras ocorrências como inundações houve um registro em 1992. Enxurradas em março de 2007. Alagamentos em janeiro de 2015. E chuva de granizo em agosto de 2018 e, acrescentando, novembro de 2025.

As mudanças climáticas já afetam sobremaneira a maneira como vivemos, do campo à cidade e estão relacionadas ao modo como vivemos. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), as mudanças climáticas envolvem alteração, a longo prazo, nos padrões de temperatura e clima. Essas mudanças podem ser naturais, por meio de variações no ciclo solar, ou por interferência humana. Desde 1800, a queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás tem sido o principal impulsionador das mudanças climáticas.

A ONU explica que as concentrações de gases de efeito estufa estão em seus níveis mais altos em 2 milhões de anos. O resultado disso é que a Terra está cerca de 1,1 °C mais quente, atualmente, do que no final do século 19. As Nações Unidas afirmam que a última década (2011-2020) foi a mais quente já registrada.

As mudanças climáticas envolvem aumento das temperaturas e uma série de efeitos em decorrência disso, porque o planeta Terra é um sistema todo interconectado. E por que não dizer um organismo vivo, com milhares de espécies e ecossistemas?

A ONU ressalta que as consequências decorrentes das mudanças climáticas incluem secas intensas, falta de água, incêndios severos, aumento do nível do mar, inundações, derretimento do gelo polar, tempestades catastróficas e declínio da biodiversidade. Todos fenômenos climáticos que já estão ocorrendo na nossa região, estado, país, e no restante do mundo.

Todos temos que ser protagonistas no cuidado com o meio ambiente, começando com a correta separação do lixo e outras ações simples do cotidiano como plantar árvores na área urbana, seguindo orientações da Secretaria do Meio Ambiente, ou na área rural.

É inquestionável que os grandes problemas ambientais e de infraestrutura passam por soluções que envolvam a iniciativa e ações do poder público. Como, por exemplo, saneamento básico, a implantação de um sistema de coleta e tratamento de esgoto.

Qualquer ação efetiva climática requer muitos investimentos públicos e privados. E a iniciativa tem que ser do poder público, que precisa dar o exemplo e ser efetivo com políticas públicas que contemplem as mudanças necessárias no campo e na cidade.

Em 2024, foram investidos 0,03039% do orçamento federal em Gestão Ambiental. Ou seja, uma ação nula. Política pública sem recursos é mera retórica. De outro lado, o país queimou 42,96% do orçamento em juros e amortizações da dívida pública, enquanto há tudo por fazer. Dinheiro tem é preciso mudar as prioridades.

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