Há uma citação do filósofo Heráclito de Éfeso que costuma ser atribuída à mudança, transformação. “Ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou”. Nesse fluxo contínuo, encontrar alternativas de adaptação à impermanência pode ser uma saída para transformar as relações entre a sociedade e o meio ambiente.
Ciente do potencial dos rios, especialmente quando atrelado à preservação, o professor adjunto da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), João Paulo Peres Bezerra, apresentou recentemente uma nova proposta de percurso de remada no Rio Uruguai. A atividade está inserida em seu projeto de pesquisa de pós-doutorado em Geociências, pela Unesp/FCT, de Presidente Prudente (SP), que aborda a estrutura produtiva regional e as mudanças climáticas.
Segundo o pesquisador, esportes náuticos não motorizados, como remo, stand up paddle e canoagem, além do ecoturismo e dos esportes de aventura, representam alternativas de diversificação econômica para os municípios. Nesse sentido, a remada surge como forma de evidenciar o potencial turístico e ambiental da região.
O mesmo rio, diferentes perspectivas
No início deste ano, João Paulo, junto com o educador físico Alexandre Rossi, planejou e executou a 1ª Remada Entre Parques, partindo do Parque Natural Municipal Mata do Rio Uruguai Teixeira Soares, na RS 191 em Marcelino Ramos, com destino ao Parque Fritz Plaumann, em Concordia/SC, interligado ao Rio Uruguai
Já na última semana, Bezerra percorreu um novo trajeto que chamou de Remada entre Igrejas. A saída aconteceu da igrejinha da comunidade de Sarandi, em Aratiba, conhecida como “Igrejinha do Lago”, até às torres da igreja submersa de Itá, em Santa Catarina. O percurso tem cerca de 12km e pode ser ampliado até a Prainha de Itá, totalizando aproximadamente 15 a 16km.
De acordo com o professor, o tempo estimado para completar o trajeto varia de três a quatro horas, a depender da experiência dos participantes. Se pensado como uma atividade turística, o passeio pode ser planejado para ter uma duração maior, possibilitando maior integração com a paisagem e com o contexto cultural da região.
Além do remo, Bezerra destaca a possibilidade da prática de outras modalidades esportivas nesse trecho do rio, como caiaque, canoa havaiana, stand up paddle e natação em águas abertas. Para o pesquisador, o mais relevante é que a atividade está inserida em um contexto que une saúde, lazer, esporte, turismo e valorização ambiental.
“Eu acredito muito nisso, e a remada é uma forma de mostrar que é possível, tanto para a gestão pública, como secretarias de Turismo e de Meio-ambiente, quanto para a comunidade regional, o potencial que essa região tem especialmente voltado a questão dos esportes a remo”, destacou Bezerra.