Talvez a verdadeira representação do tempo, muito mais do que relógios tiquetaqueando sem parar, sejam aqueles que não resistiram à sua passagem, mas sim se tornaram cúmplices dela. Dona Letícia Madalena Zago Lucini, moradora de Severiano de Almeida que completou 100 anos na terça-feira, 24, é exemplo desse fenômeno, pois carrega uma história de vida de quem sabe apreciar o tempo.
Filha de Antônio e Metilde Zago, nascida em 24 de junho de 1925, na comunidade de Linha Antas, Letícia cresceu ao lado de quatro irmãos. Enfrentou a perda prematura do pai, aos oito anos, acontecimento que além de marcá-la profundamente, exigiu que assumisse o compromisso, como filha mais velha, de apoiar a mãe e cuidar dos irmãos, papel que exerceu com coragem e maturidade.
Ela permaneceu na comunidade até o casamento com Cerilo Lucini, em 7 de outubro de 1950, união que gerou oito filhos: Lúcia (em memória), Ligia, Ari, Darci, Luiz Carlos, Maximino, Cleci Terezinha e Nelcí Maria. Ao longo do tempo, a família cresceu, passando a ser composta por mais quatro noras, três genros, quinze netos e treze bisnetos.
Dona Letícia é conhecida por seu jeito acolhedor, por sua fé e pela importância que dá aos momentos simples da vida. Sempre valorizou o tempo com amigos e vizinhos, com um chimarrão compartilhado e boas conversas que preenchem os dias. Mas sua maior felicidade está em reunir a família. Aos domingos, já se tornou tradição, todos se encontram para o almoço.
E a celebração do centenário não poderia ser diferente: com emoção, gratidão e alegria, Dona Letícia comemorou a data, e acima de tudo a vida, ao lado da família e amigos, a quem dedicou tempo e amor, característica marcante de sua trajetória.
A data ficou marcada ainda por um encontro emocionante entre Letícia e as irmãs Alevinda Maria Vendruscolo, de 97 anos, Nair Gema Mattia, de 94, e a cunhada Olga Bisol Zago, de 93.
Na ocasião, dona Letícia também recebeu uma homenagem dos representantes de Severiano de Almeida, o prefeito, Jair Kammler, e o vice, Leonel Dario Lanius Junior.
O tempo, considerado intrigante por conta do caráter relativo que lhe é atribuído, ao olhar para a história de dona Letícia, revela ser mais simples do que parece. Se o segredo para a vitalidade é a fé, o chimarrão, as conversas ou o almoço aos domingos, não se sabe, mas encontrar alegria nos momentos compartilhados, sem a necessidade de controle sobre o tempo, pode ser o caminho para viver em cumplicidade com a vida.