A região Alto Uruguai tem um trecho de quase 70 quilômetros da BR 153 (Transbrasiliana) sem pavimentação. Como o próprio nome diz, a rodovia corta o país de ponta a ponta, mas nesta fração de estrada é de chão batido, desde a sua construção, na década de 1960. Entra ano e sai ano, as pessoas envelhecem e morrem, e a realidade continua a mesma, muita pedra, poeira, barro nos dias de chuva, insegurança e prejuízos para quem precisa trafegar nesta rodovia, diariamente, que é fundamental para a logística do Estado do Rio Grande do Sul e do Brasil. E não é por falta de iniciativa que o asfalto não sai, porque há anos prefeituras, entidades, comissões municipais reivindicam a sua pavimentação, sem nenhum retorno efetivo.
Quatro Irmãos
O agricultor, Antônio Cezar Dalla Rosa, mora em Quatro Irmãos e circula, há muitos anos na Transbrasiliana. Ele lembra que a estrada começou a ser construída no ano de 1957, 1958, e, a partir dos anos de 1960, a família passou a transitar mais por aquela região.
Ele conta que durante muito tempo a Transbrasiliana não tinha cascalho, era somente de terra, o que dificultava a passagem no local. “Foi a partir dos anos de 1970 que começaram a cascalhar a estrada. Noutro momento, ela foi completamente abandonada, aí foi triste, era muito difícil andar por ali, tínhamos que dar a volta por Erebango ou Jacutinga”, conta ele.
Segundo Cezar, a manutenção sempre foi precária e num outro determinado período, quando a estrada virava numa buraqueira se enchia de pedra sem patrolar, o que complicava ainda mais a situação. “Teve um período que as prefeituras assumiram a manutenção da estrada, cada uma fazia o seu trecho e, aí, ela ficou boa. Agora, eles deram uma melhorada, mas sempre foi uma estrada com bastante trânsito e mal cuidada, sempre foi uma tristeza andar na Transbrasiliana”, ressalta o agricultor.
Polícia Rodoviária Federal
A Redação do Jornal Bom Dia perguntou para o chefe da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em Erechim, Regivaldo José Tonon, se o asfaltamento da Transbrasiliana seria importante. E ele afirma que todo o acesso que desafogue o fluxo de veículos ou que beneficie as comunidades é muito bem-vindo.
“O traçado da BR 153 entre Erechim e Passo Fundo, sem dúvida, é um avanço no progresso, desenvolvimento da região e mais uma opção de deslocamento para veículos de pequeno e grande porte no sentido região Metropolitana, Centro-Sul e Fronteira Oeste do RS, assim como, do RS para outros estados”, ressalta Tonon.
Regionalmente, o chefe da Polícia Rodoviária Federal acredita que vai ocorrer um divisor de águas, nas rodovias. “O transporte leve sentido Passo Fundo seria mais pela ERS 135, pois contamos com uma gama populacional que se reveza entre trabalho e estudo, no trecho Erechim versus Passo Fundo”, comenta.
E acrescenta Tonon, “no transporte pesado temos muitos caminhões que se destinam a fronteira Oeste, interior e região metropolitana do RS cujo trânsito pela BR 153 (Transbrasiliana) evitaria o corredor do perímetro urbano de Passo Fundo, além de que, tornaria o percurso mais curto em alguns quilômetros”.
Situação atual
Segundo o presidente da Famurs, Marcelo Arruda, a situação atual é que a rodovia Transbrasiliana já tem o projeto básico e aguarda aprovação da licença ambiental na Fepam. “A Fepam, no dia 24/02, aceitou tramitar como Licença Única e o DNIT tem que ajustar alguma documentação. Se imagina que isso ocorra num prazo de 60 dias, a liberação da licença”, explica Arruda.
Arruda ressalta que o entendimento da Fepam ajudou muito, porque, senão, levaria de um a dois anos para sair a licença, sendo uma modalidade muito mais burocrática.
Segundo ele, com a licença liberada, o DNIT teria condições de licitar a obra num regime diferenciado de contratação, em que a construtora vencedora executaria o projeto executivo e a obra.
“A obra está no PAC Projeto e estamos mobilizando as lideranças da Famurs, ACCIE, AMAU, AMPLA, Coredes, CODER, CDL, deputados, municípios de Erechim e Passo Fundo (cidades-polo), para fazer o movimento político e a obra passar para o PAC Obras, sendo assim, daria as condições de orçamento para o DNIT licitar este ano a obra”, observa Arruda.
“Eu tenho expectativa de termos a chance, este ano, pelo projeto estar apto tecnicamente. É claro que temos que aproveitar o apelo político do ano pré-eleitoral para dar o empurrão para obra já entrar no PAC Obras e licitá-la. Precisamos da união das entidades e das regiões”, disse Arruda.