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Região

Pedal na estrada

Ciclista erechinense percorreu 725km em viagem pela região norte do Rio Grande do Sul

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Ciclista passou por 32 municípios da região, entre os dias 9 e 16 deste mês, somando 48h17min de ped
O cicloturismo também tem o propósito de fomentar o comércio local
Por Marina Oliveira com supervisão de Carlos Silveira
Foto Márcio Antônio Simon/ Arquivo pessoal

Quando o destino é a própria viagem, aproveitar as experiências que o caminho oferece pode ser o roteiro ideal para encontrar a si mesmo. Isso é o que relata o ciclista erechinense Márcio Antônio Simon, que pedalou 725km em viagem pela região norte do Estado, entre os dias 9 e 16 deste mês. Somando 48h17min de pedal, o ciclista passou por 32 municípios da região.

Esta é a terceira viagem de cicloturismo que Márcio realiza, modalidade que une ciclismo e turismo, também o trajeto mais longo percorrido pelo ciclista até então, que pela primeira vez viajou pedalando sozinho, ou melhor, com a fiel escudeira, a bicicleta.

Aqui a jornada é mais longa do que parece, pois começa antes mesmo da partida, ainda na avaliação das possibilidades de percurso, definição do trajeto, gestão financeira e de tempo, a fim de conciliar o lazer e as responsabilidades. Feito isso, é hora de organizar a bagagem.

 

Antes de cair na estrada

Márcio explica que, para viagens de bicicleta, o planejamento é fundamental. Segundo ele, geralmente, a organização exige certa antecedência e preparação, afinal, é necessário estar equipado e prevenido para os imprevistos que a estrada pode oferecer.

“Cerca de 3 meses antes da viagem, começo a focar na organização do material, reviso a bicicleta, escolho o que vou usar, como roupas e equipamentos, dependendo da estação, além das ferramentas necessárias. É preciso estar preparado para tudo, porque, por exemplo, se a bicicleta quebrar no meio de uma plantação de soja, em um lugar isolado, você precisa ter tudo à mão. E vale ressaltar que muitos desses locais não têm sinal de celular. Eu estava com dois celulares, cada um de uma operadora diferente, mas muitas vezes nem o GPS funcionava. Então, você pode imaginar onde eu estava”, conta.

 

Provar da hospitalidade

Além de incentivar o turismo e o ciclismo, que promovem a sustentabilidade e contribuem para a saúde física e mental, o cicloturismo tem o propósito de fomentar o comércio local, a partir do apoio a pequenos produtores e empreendedores da região.

“O foco dessa modalidade é ficar em lugares menores, mais simples, incentivar negócios locais, comprando nas pequenas lojas e hospedagens familiares. Então, na maioria das vezes, fiquei em pensões, hospedarias ou hostels, e a experiência foi fantástica”, destaca o ciclista.

Quando questionado a respeito da receptividade das comunidades por onde passou, Márcio descreve a acolhida de forma calorosa. "A recepção das pessoas nos municípios é incrível. Como pode ter tanta gente boa no mundo? Claro, existem pessoas ruins também, mas isso é uma minoria. A grande maioria é muito acolhedora. Muitas vezes, enquanto estava pedalando, no meio do nada, parava um carro ao meu lado, e as pessoas perguntavam se eu estava perdido, se precisava de ajuda, água ou qualquer outra coisa”.

 

E o mundo embaixo de você

Aqui, a prática ainda é uma novidade, mas tem potencial para se desenvolver e fortalecer o turismo. “Quando cheguei nesses lugares, as pessoas queriam saber de onde

eu vinha, como estava sendo a viagem, e ficaram curiosas, pois nunca tinham visto algo assim por ali. A nossa região é muito carente nessa parte do ciclismo”, avalia Márcio.

Neste ano, junto de um grupo de amigos, o ciclista fundou a Associação Cicloturística do Alto Uruguai (ACAU), que tem como objetivo incentivar e fomentar a prática, além de fiscalizar ações envolvendo o ciclismo na região. “É tão louco o fato de que a região tem tantos atrativos, potencial turístico, e pouco é aproveitado, sabe? A ACAU veio para mudar isso, é para isso que a gente vai trabalhar”, aponta.

 

Conhece-te a ti mesmo

“Foi maravilhoso, uma viagem para dentro de mim mesmo. Imagina, eu estava sozinho, muito do percurso, quase que 90%, é estrada de chão. Então eu passei fazenda, porteira, plantações de soja intermináveis, calor de 46° no meio da soja. Mas também passei mato, passei uma reserva indígena, rios, floresta de eucaliptos, passei por um assentamento do MST, enfim, é fantástico”, completa o ciclista.

Na chegada, Márcio foi recebido com uma surpresa da família e amigos, que o aguardavam após a longa viagem. A verdade é que, mesmo sem companhia durante o percurso, o ciclista não está sozinho.

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