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Opinião

Centenário da Revolução de 1923

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Por Henrique Trizoto

 

A História do Rio Grande do Sul é marcada por conflitos armados pela hegemonia econômica, política e social. Em pouco menos de um século, temos quatro revoluções: a Farroupilha (1835-1845), a Federalista (1893-1895), a de 1923 e a de 1930. No ano de 2023, temos o centenário da Revolução de 1923.

Por isso, no dia 08 de agosto (terça-feira), das 09 às 17 horas ocorre a Jornada Acadêmica O centenário da Revolução de 1923 e o Combate de Erebango, que tem como público-alvo: membros das entidades organizadoras e parceiras, professores, acadêmicos, historiadores, operadores da área do turismo, e interessados na História do RS. O evento que ocorrerá no CTG Campo Grande de Erebango/RS e vai contar com Palestrantes como Dr. Miguel Frederico do Espírito Santo (IHGRS); Dra. Isabel Rosa Gritti UFFS); Neivo Angelo Fabris (IHGGV); Enori Chiaparini (professor e pesquisador) e mediadores: MS. Djiovan Vinícius Carvalho (IHPF) e este escriba que vos fala (representando o Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Illa Font).

Compreender as motivações da última revolução com a prática de degolas (pelo menos oficialmente), requer que voltemos para o ano de 1922 quando os ânimos se acirraram durante a eleição para presidente da província. De um lado, Chimangos (membros do Partido Republicano Riograndense – PRR – comandados por Borges de Medeiros) e de outro Maragatos (membros do Partido Federalista sob o comando de Assis Brasil) que distribuíam panfletos e boletins à população e faziam comícios nas cidades que eram servidas pela Viação Férrea. Esta região recebeu apenas panfletos.

As pesquisas realizadas próximas à eleição apontavam a vitória Partido Liberal com cerca de 70% dos votos.  Mas na abertura das urnas em Porto Alegre – 106.319 votos que reelegeram Borges de Medeiros e 32.217 votos para Assis Brasil. Este fora o estopim para que em 24 de janeiro de 1923 começassem as movimentações das tropas.

Neste período Paiol Grande já se encontrava com problemas administrativos, tanto que em 31 de janeiro o deputado Arthur Caetano da Silva um dos líderes do movimento revolucionário foi ao paço municipal e declarou depostas as autoridades da Intendência, nomeando Marcino Castilho como intendente, que governou a cidade por 23 horas até o chimango Firmino de Paula e seus 1000 homens chegarem.  No território de Paiol Grande, ocorreram três combates e ficou sob o controle dos revolucionários comandados pelo Gal. Felipe Portinho, logo após debandada dos servidores públicos para Passo Fundo por ordem do Governador.

As batalhas ocorreram em 24 de abril na Fazenda Quatro Irmãos (hoje território pertencente ao município de Erebango) onde os revolucionários foram derrotados pela Brigada do Norte comandada pelo Gal. Firmino de Paula. Em 23 de junho no Desvio Giareta as tropas revolucionárias de Portinho fizeram uma emboscada concentrando fogo contra os vagões dos borgistas além de implodir os trilhos do trem – este combate durou mais de dez horas e deixou muitos mortos e feridos de ambos os lados. E, no dia 13 de setembro também na fazenda Quatro Irmãos, onde o 1º Corpo da Brigada Militar do Norte (275 soldados) sob o comando do Tte. Cel. Victor Dumoncel foi atacado de surpresa por cerca de mil maragatos num combate de mais de dez horas. Para atender os feridos foi organizada a Cruz Vermelha e improvisado hospitais no Cine Avenida e na Comissão de Terras.

Com a assinatura do Tratado de Pedras Altas em 14 de dezembro de 1923 ambas as partes saíram beneficiadas. Com relação à Paiol Grande, a cidade sofreu com a acefalia administrativa do período, com o clima de medo instaurado, e com o ocaso educacional, o ano foi praticamente nulo em todos os aspectos socioeconômicos.

Referências

DUCATTI NETO, Antonio. O Grande Erechim e sua História. Porto Alegre: EST, 1981.

MENEGATTI, Altair; CARRARO, Geder. O Combate no Desvio Giareta. Erechim / RS: 2002.

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