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Opinião

Alemanha – Terra de Origens – Hunsrück – Terra Abençoada

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Marlei Klein
Por Marlei Klein
Foto Divulgação

Memórias de Viagem

HUNSRÜCK- Terra abençoada por ter sido a origens de grande parte dos imigrantes alemães que aqui aportaram. É sabido que a maioria desses imigrantes que colonizaram o RS é originária do HUNSRÜCK, localizada no centro-oeste da Alemanha, próximo de Luxemburgo e da França. De acordo com a opinião dos historiadores, o índice deve ser um pouco superior a 50%. Entretanto, as pessoas, de um modo geral, mesmo os descendentes de alemães, têm pouco conhecimento sobre aquela região.

Reminiscências

Os imigrantes alemães, na humildade de seu trabalho junto à terra e na prática do artesanato pioneiro, conseguiram marcar a sua passagem pela vida. Alcançaram aquele ideal. Seu feito é agora lembrado. E continuará assim por muitos séculos. É que todos eles, a par da luta que travaram em busca de um amanhã para si e para a família, desfrutaram do privilégio de escreverem uma página admirável na história do nosso Estado- o Rio Grande do Sul.

Onde está localizado o Hunsrück

Na Alemanha no Estado da Renânia Palatinado, entre os Rios Reno, Mosela e seus afluentes Ruwwer e Nahe. Faz fronteira com o Estado do Sarre. É constituído por uma planície elevada, que chega a atingir 800 metros. Sua área é de mais ou menos 100 km de comprimento por 35 km de largura. Hoje, não é muito grande a sua população. 

Hunsrück- Terra Abençoada

É uma região de belas paisagens, com castelos, fortalezas, tesouros de arte e cultura. Vinhedos subindo as encostas e muitas lendas cujas lembranças tecem uma atmosfera de romantismo e encantamento. Vários escritores a descrevem como “Um pedacinho de terra abençoada pela natureza”. Jakob Kneip, poeta, escreve: “Sejam exaltados os verões da minha infância, que me presentearam com o solo bendito da minha terra natal- as serranias, as densas florestas, as enseadas ocultas das campinas e as grutas nos rochedos. As águas refrescantes das montanhas, os ninhos e esconderijos de aves e outros animais”.

Como eram os hunsrükianos que aqui chegaram

Pessoas simples, modestas, com muito amor ao trabalho, alegria e religiosidade. Os descendentes dos que aqui chegaram souberam honrar este precioso legado dos seus antepassados.

O dialeto falado

Aqui, na nossa região e em outras do Rio Grande, predomina o do Hunsrück, algumas expressões derivam do francês. Isso por ter sido a região, numa época, pertencido à França.

Por esse motivo, ainda hoje, há afinidades entre esses descendentes com o povo daquela região alemã e pode haver uma perfeita comunicação. Há apenas alguns problemas pela incorporação de expressões portuguesas. Atualmente, há um intercâmbio permanente de descendentes com os originários daquela região.

O que a região do Hunsrück oferece ao visitante

Além da beleza de suas paisagens, há uma excelente oferta na estrutura gastronômica, hoteleira e da riqueza cultural. Para chegar, pode ser pela proximidade com a bela e progressista Frankfurt. A visita pode iniciar na cidade de Koklenz- que fica na confluência dos Rios Reno e Mosela- a esquina da Alemanha (Deutsches Eck). O mais interessante é fazer passeios de barco pelos rios. Durante o trajeto há paradas para degustação de vinho, gostosuras tradicionais e compras. Um dos passeios contempla a visita a Trier, a antiga cidade habitada e conquistada polos romanos. Sempre há muitas opções para conhecer essa bela região. É recomendada a visita na primavera ou no outono do hemisfério norte.  

Conclusão

Os imigrantes do Hunsrück eram pessoas pobres que vieram de uma terra abençoada, mas sem perspectivas de uma vida melhor. Vieram de um lugar de poucas propriedades e que pertenciam a poucos. A natureza não permitia muita expansão ao trabalho. Os vinhedos subindo as encostas geravam trabalho duro e sem condições de sustento para as famílias. Por isso, imigraram trazendo consigo muito pouco além da sua simplicidade, da dedicação ao trabalho e de uma grande confiança em sua sorte. Suportaram o clima diferente, venceram a mata virgem, as doenças e o isolamento. Com tenacidade, persistência e fé criaram uma vida nova, uma vida mais próspera e feliz. 

Agradecimentos

Agradeço ao ex-cônsul da Alemanha, HANS DIETRICH BERNHARD, que, quando da sua visita a Erechim, num Festival da Cuca Alemã, deixou-me rico material como cópias de registros e obras que se encontram no Consulado, em Porto Alegre. Foram materiais e livros de escritores descendentes dos imigrantes alemães. Material com o qual consegui elaborar todas as colunas sobre a ALEMANHA-TERRA DE ORIGENS DOS NOSSOS IMIGRANTES TEUTO-BRASILEIROS.

Lembro das palavras finais do Cônsul em seu discurso naquela ocasião: “Aqui chegando, encontrei uma quantidade pequena de descendentes do meu País. Mas os daqui são melhores que os de outros lugares, pois, embora em minoria, têm presença forte na comunidade erechinense e isto gerou um fato novo que guardarei como lembrança dessa inolvidável Festa da Etnia Alemã”.

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