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Opinião

Alemanha – Terra de Origens- o legado da etnia alemã para Erechim (Parte II)

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Marlei Klein
Por Marlei Klein
Foto Divulgação

Esses bravos imigrantes, que aqui chegaram, venceram todos os obstáculos e foram ao encontro dos seus sonhos desconhecendo perigos e assim, anonimamente, cultivaram a terra que encontraram. Começaram abrindo picadas e construíram saídas, caminhos que nos levaram ao que hoje somos.

Reminiscências

Não foram só os homens que conseguiram desbravar o desconhecido. As suas companheiras mulheres os acompanhavam e juntos conseguiam vencer os obstáculos tecendo com suas mãos, fé e coragem o progresso que hoje desfrutamos. Possuíam um projeto de vida e juntamente com a chegada dos trilhos, na nossa região, conseguiram iniciar a civilização. Encontraram na natureza meios de sobrevivência e, sem desanimar, começaram uma abertura para o futuro. O imigrante alemão, onde chegava, primeiramente, além da modesta moradia, construía uma pequena igreja onde   também servia como escola. Isto sempre pelo seu espírito agregador e de gostar de viver em comunidade.

Homenagem aos primeiros imigrantes alemães

Reconhecendo a importância dos mesmos, que tiveram nos aspectos econômicos e culturais, o Governo do Rio Grande do Sul sancionou o dia em que os primeiros imigrantes alemães, que aqui chegaram, dia 25 de Julho, em 1824, como feriado estadual. Hoje, esta data é só lembrada. Desde então, este dia é comemorado como o Dia do Agricultor e do Imigrante Alemão. Uma homenagem a eles que tanto contribuíram na formação sociocultural do povo gaúcho. Com isso, surgiu a ideia da fundação de Centros Culturais 25 de Julho em todo o Estado. O objetivo era o de divulgar e incentivar a arte, a cultura, a música, o teatro.

Alemães na comunidade

O nosso município já possuiu numerosa colônia alemã. Chegou a ser 25% da população. Mas, com os desmembramentos para novos municípios, ela se tornou menor. O Dia 25 de Julho era comemorado em diversas sociedades e comunidades. Como já foi mencionado em outros artigos, a Segunda Grande Guerra trouxe desagradáveis consequências à cultura alemã e terminou com as atividades dos centros culturais. Anos depois, com o fim da Guerra, as sociedades ressurgiram também na nossa comunidade. Estas sempre atuaram congregando e participando das festividades do Município.

Sociedades alemãs

Antigamente, no nosso município, existiram quatro sociedades de descendentes alemães. Mais tarde, fundiram-se numa só com sede onde hoje existe o Clube Caixeiral. Esta foi a origem do atual Centro Cultural 25 de Julho. Ela possuía bom número de associados, biblioteca, cancha de bolão, campo de futebol, realizava Kerbs, muitos sócios eram músicos e um excelente grupo de teatro.

Maestro Frederico Schubert

Nasceu em Viena-Áustria em 1901. Lá participou da Filarmônica de Viena. Aqui chegou após a Segunda Grande Guerra e, na Sociedade Alemã, ajudou a cultivar o gosto pela música erudita e elevar o nível cultural. Com ele nasceu a OCE- Orquestra de Concertos de Erechim- convidando um grupo de sócios, que eram músicos, a iniciar uma orquestra. Depois, foram convidados músicos de outras etnias. Naquela época, ele fez surgir a Banda de Música e uma Orquestra Infantil. Regeu a Orquestra de Concertos por 18 anos. Em junho de 2022 a OCE comemorou seus 72 anos.

Oswaldo Elemar Engel

Foi maestro e compositor. O saudoso pianista Oswaldinho participava da Orquestra de Concertos e criou o Jazz Típica Ideal com um Quinteto Lírico. Este mantinha apresentações semanais na antiga sede social do Ypiranga Futebol Clube. Seu nome ficou eternizado, pela arte e cultura, no nome da antiga Escola de Belas Artes criada na década de 1960. Hoje, denominada Centro de Belas Artes Oswaldo Engel, uma referência cultural para todo o Alto Uruguai.  Aqui, neste espaço, quero lembrar que fui uma das primeiras alunas a serem matriculadas no Curso de Piano, desta escola. Mais tarde, meus dois filhos também aprenderam a tocar piano tendo, sempre, excelentes professores e ótima aprendizagem.

Berta Kreische Engel

Esta senhora, mãe de Oswaldo Engel, é pertencente a uma das mais tradicionais famílias de músicos de Erechim. Foi pioneira no ensino particular de piano. Na sua residência, numa típica casa alemã de madeira, localizada onde hoje se encontra a Igreja Mórmon, próxima ao Banco do Brasil, ensinava crianças e jovens. Nessa época, filhas de famílias tradicionais, com bom poder aquisitivo, tinham em sua formação o estudo da música. O Maestro Schubert também foi professor de música. Pelas mãos deles surgiram muitos músicos profissionais. Foi uma época de grande valorização e conhecimento da música erudita.

Conclusão

A força alemã, sem dúvida, contribuiu fortemente para o desenvolvimento da nossa região. Criaram estabelecimentos na indústria e no comércio. Esta etnia, junto a muitos outros povos que aqui chegaram, deixou seu traço que ajuda a manter viva a sua presença. Aqui introduziram os típicos e alegres Kerbs, o gosto pela música, a participação em comunidade e o trabalho como caminho para o progresso. Os alemães são presença registrada na urbanização e na tradição locais. Ao chegar, se depararam com um modo de vida diferente ao que estavam acostumados.  Aos poucos, recriaram o seu modo de vida mesclando seus hábitos culturais. Na habitação, legaram as casas de madeira e muitas com lambrequins nas varandas. Hoje, temos ainda um pouco dessa arte como lembrança. Nos legaram a flor, a chaminé e o trabalho que são os fortes símbolos desta etnia.

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