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Opinião

O amor é tudo o que existe entre os opostos

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Marcelo V Chinazzo
Por Marcelo V. Chinazzo – Pai do Miguel e do Gael, jornalista e escritor
Foto Marcelo V. Chinazzo

O Dia dos Namorados foi ainda na sexta-feira, mas, como na última semana voltei a atenção da coluna para o Dia Nacional de Conscientização das Cardiopatias Congênitas, que, não coincidentemente, também é dia 12 de junho, confesso que não havia passado pela minha cabeça escrever sobre isso. Porém, a vida vai nos engolindo no dia a dia, e vamos deixando tudo para depois, até que surgem situações que nos lembram que só temos o agora. Então, porque deixar para depois?

Uns dias antes do dia 12, acabei revendo algumas fotos, mensagens e textos antigos e olha que não são poucos, acumulados ao longo desses mais de oito anos. Não era exatamente saudade, nem de quem éramos, tampouco de quem poderíamos ter sido, mas para revisitar os caminhos que nos trouxeram até aqui. Talvez um pouco de nostalgia, vai. Admito.

E então o óbvio, mas que, de tão óbvio, às vezes temos dificuldade de perceber, ficou escancarado. Nós dois mudamos e, não foi pouco e há uma beleza quase visceral nessa mudança.

Mudaram os rostos, os corpos, os cabelos, os planos e as rotinas. Mudaram os sonhos e as formas de sonhar. Mudaram também os medos e as certezas. A vida passou e continua passando por nós todos os dias, nos lembrando que pode ser frágil como um cristal, forte como uma rocha, leve como uma pluma e pesada como uma bigorna, mas que só cabe a nós decidirmos como leva-la.

Hoje, talvez, você tenha mais olheiras, menos tempo livre e mais preocupações do que aquela menina das primeiras fotos. E tudo isso também vale para mim. Carrego marcas que antes não existiam, mas quando olho para nós dois, enxergo o quanto nos transformamos.

Vejo a mulher que aprendeu a amar de formas que antes nem imaginava serem possíveis. Vejo um homem que precisou se despir dos seus maiores medos e reencontrou a fé em si mesmo.

Vejo a mãe que sonhou, que esperou, que acolheu, que enfrentou dores que não cabem em palavras, nem no peito, e que tampouco deveriam ser experimentadas por uma mãe ou por um pai. E que, mesmo assim, encontrou forças para seguir amando. Vejo alguém que segue me ensinando sobre coragem, mesmo sentindo medo.

Ao longo desses anos, construímos uma história que é só nossa. Uma história que não tem um começo, um meio e um fim. Ela recomeça a cada novo capítulo. Temos em nós um lugar seguro, um espaço onde eu posso admitir meus medos sem vergonha, onde você pode descansar suas angústias sem precisar escondê-las. Nesse mesmo lugar, não há concordância em todos os momentos, mas as conversas nos ajudam a entender onde ceder. Nem sempre acertamos, mas seguimos tentando e, talvez seja isso que mais admiro em nós.

Temos os nossos desencontros, nunca fomos perfeitos e nem temos a pretensão de ser. Há momentos em que a rotina fala mais alto, em que o cansaço ocupa espaços que antes eram preenchidos por longas conversas e olhares demorados. Há dias em que nos perdemos um pouco pelo caminho, mas mesmo nesses dias, percebo que seguimos cumprindo aquela velha promessa de segurar a mão um do outro. Porque você ainda é aquela pessoa que me impulsiona quando o medo me paralisa. E eu ainda quero ser aquele que te lembra de respirar quando você esquece de fazê-lo.

E assim seguimos, acertando o ritmo. Nem o seu, nem o meu, o nosso. Eu acredito que amar seja um pouco isso também, ajustar os passos em meio a essa loucura diária sem soltar as mãos, mas principalmente nos permitindo, nos respeitando, nos amando, nos cuidando e nos entendendo.

Eu ainda amo a mulher que conheci anos atrás, que permanece um pouco em cada novo pedaço seu. Mas amo ainda mais e, sem sombra de dúvidas, a mulher que você se tornou. Aquela que segue ao meu lado e que faz da nossa família o lugar mais bonito que conheço.

Teve um dia, lá atrás, quando ainda éramos só nós dois, em que você me perguntou se eu era feliz ao seu lado e eu respondi sem pensar. Hoje, a resposta continua a mesma. Sim. Porque felicidade, para mim, é olhar para tudo o que já passamos, tanto as conquistas quanto as perdas e ainda desejar caminhar exatamente ao seu lado. Porque amar e estar junto é muito mais do que os opostos que os padres mencionam nas cerimônias religiosas. É tudo o que existe entre eles.

Obrigado por tudo o que vivemos e por tudo o que ainda vamos viver. Que a gente nunca deixe de se reencontrar. Você é minha escolha diária, mesmo nos dias mais difíceis. Feliz todos os dias dos namorados à minha eterna namorada. Eu te amo!

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