Entramos na época do pinhão, muito apreciado pelos habitantes do sul do Brasil. O qual é o fruto da espécie florestal denominada cientificamente como Araucaria angustifolia (Bert.) O. Ktze, também conhecida popularmente como araucária, pinheiro brasileiro ou pinheiro do Paraná. Etimologia: Araucaria, deriva de Arauco, região do Chile, donde procede a espécie tipo: angustifolia, do latim angustus, estreito, pontudo e folium, folha (Reitz & Klein, 1966). Foi e ainda é uma das espécies florestais nativas mais importantes do Sul do Brasil, que pertence a exuberante Floresta de Araucária, ecossistema único pertencente a Mata Atlântica.
Trata-se de uma arvore majestosa, magnifica, única no planeta terra, verdadeiro cidadão vegetal, que nos proporciona abrigo (madeira para moradias), nos aquece e possibilita assar um churrasco (lenha dos galhos e cascas), fornece alimento (pinhão), remédios, artesanato. É o nosso verdadeiro dinossauro verde, pois está na face da terra há 260 milhões de anos, antecessora aos dinossauros. Mas, que resistiu e sobreviveu a todas as catástrofes ambientais no planeta. É a árvore-símbolo do Estado do Paraná (Brasil).
Composição química
Partes usadas semente (pinhão é rico em reservas energéticas = 57% de amido sem glúten e aminoácidos), folha, casca, resina, possuem compostos fenólicos, como: catequina, epicatequina, quercetina, apigenina. Também, a resina destilada fornece alcatrão, óleos, terebentina, breu, vernizes, acetona, e ácido pirolenhoso para diversas aplicações industriais e outros produtos químicos.
Uso na medicina popular
Diferentes partes são usadas na medicina popular brasileira, semente (pinhão), folha, casca, resina. As folhas cozidas ou em infusão são usadas para tratar escrofulose (tumores que se formam nos gânglios linfáticos, principalmente o pescoço), fadiga e anemia. A infusão da casca mergulhada em álcool é empregada para tratar cobreiro, reumatismo, varizes e distensões musculares. O xarope produzido a partir da resina é usado para o tratamento de infecções do trato respiratório. O extrato hidroetanólico de folhas do pinheiro brasileiro combatem herpes (herpes-zóster) ou cobreiro. O extrato alcoólico das brácteas (folhas modificadas vistosas e atrativas que possuem como função atrair polinizadores) possuem compostos antioxidantes naturais, que apresentam grande importância na inibição de mecanismos oxidativos associado a doenças degenerativas e câncer. O nó, a casca do caule e os brotos são usados pelos índios de várias etnias do Paraná e de Santa Catarina para tratar afecções do reumatismo, dores causadas por quedas, machucado nos olhos, cataratas, cortes, feridas, dor nos rins e doenças venéreas. (Marquesini, 1995). A resina possui ação antioxidante, devido a uma resina chamada de terebintina, que possui propriedades bactericidas cientificamente comprovadas. Dessa forma, o xarope extraido do nó de pinho é usado para tratar infecções do trato respiratório, como: catarro, infecções respiratórias, como resfriados, bronquites, sinusites e faringites.
Os benefícios do consumo do pinhão para a saúde
O pinhão é tradicional na culinária do Sudeste e Sul do Brasil. Muitas receitas de creme, sopa, bolinho, croquete, ensopado, risoto, bom-bocado, pudim, torta, etc., incluem o pinhão como ingrediente. Eles são fontes importantes de proteína, no Brasil e na Argentina (Ragonese & Martinez Crovetto, 1947), sendo alimentos nutritivos e fortificantes, servindo para a alimentação humana, de animais domésticos e da fauna silvestre. Podem ser consumidos crus, cozidos em água ou leite ou assados. A amêndoa, seca ao calor e reduzida a pó, produz fécula branca e delicada, nutritiva e de fácil conservação. Por esses atributos, foi durante um longo período um importante alimento para alguns grupos indígenas e para os primeiros colonos (Hueck, 1972).
Da pinha vem o pinhão, do pinhão vem o pinheiro! O pinhão é o nosso tradicional alimento de inverno, seja assado na chapa dos fogões a lenha, ou nas panelas dos gaúchos, catarinenses e paranaenses.