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Opinião

Fronteiras Simbólicas e as (i)migrações no Alto Uruguai Gaúcho (I)

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Henrique Trizzotto
Por Henrique Trizzotto
Foto Arquivo pessoal

Nossas colunas debateram inúmeras temáticas ao longo de mais de 55 publicações. A questão dos fluxos (i)migratórios estiveram presentes em diversas ocasiões, mas em nenhuma delas como objeto central da pesquisa. Neste sentido, devido a atualidade da temática dos refugiados, principalmente com a invasão Russa na Ucrânia, vamos tecer análise dos fluxos (i)migratórios que ocorreram em dois tempos na região. A primeira, foi extensamente debatida em obras como “O Grande Erechim e sua História” de Antônio Ducatti Neto; “Serra do Erechim Tempos Heroicos” de Juarez Miguel Illa Font; “Histórico de Erechim” de Ernesto Cassol; “Subsídios para a História de Erechim” Oscar da Costa Karnal; “Álbum do Município de Erechim” de João Frainer, Retratos do passado, memórias do presente de Enori Chiaparini. E o segundo, que vem ocorrendo desde o limiar do século XXI.

Neste espaço, analisaremos o processo ocorrido principalmente nas primeiras décadas do século XX predominantemente composta por europeus e seus descendentes, e no próximo, analisaremos o fluxo ocorrido durante o século XXI que possui como atores principais haitianos, senegaleses e, em menor quantidades, cubanos, venezuelanos e nigerianos.

 Emília Viotti da Costa (2007, p. 172), aponta que, “a fim de regularizar a propriedade da terra de acordo com as novas necessidades econômicas e os novos conceitos de terra e de trabalho, diversas leis importantes foram decretadas em diferentes países durante o século XIX”. Ou seja, o primeiro fluxo (i)migratório é fruto das configurações econômicas e sociais em um Brasil que caminhava apenas para o fim do regime escravagista.

Na região do Alto Uruguai Gaúcho, se buscava “paralelamente aos objetivos de povoamento e de defesa do território, aparece a necessidade de adequar as províncias à reorganização geral da economia brasileira, que se conduzia pelas novas diretrizes do capitalismo internacional” (KLIEMAN, p.18). Se procurava portanto, por meio de uma “mão-de-obra livre nas áreas de produção para exportação e um mercado interno consumidor, além de povoar estrategicamente as regiões periféricas do território, com o intuito de diminuir a posse desordenada e aumentar a produtividade do solo” (KLIEMAN, p.118).

Neste contexto, Carlos Torres Gonçalves Diretor de Terras e Colonização vislumbrava criar “três núcleos que concentravam a administração das terras públicas, os quais ficaram assim estabelecidos: o primeiro abrangia as terras do Município de Erechim, seguindo na direção norte até a divisa com Santa Catarina” (BERNARDES, 1997. p. 77). Isso acarretou em “um verdadeiro êxodo das colônias velhas já muito subdivididas. Eram principalmente descendentes de italianos e alemães que procuravam as novas terras. E do estrangeiro eram principalmente os poloneses e russos que estavam chegando” (DUCATTI NETO, 1981, p. 78).

O mesmo autor, aponta que a política logrou êxito conforme o Relatório da Comissão de Terras e Colonização de junho de 1913 cujos mostram que na Colônia Erechim, “o número de habitantes da colônia era de 18.000 pessoas, das quais 10.000 eram de imigrantes provenientes diretamente do estrangeiro, enquanto que os 8.000 restantes compunham-se de ̳brasileiros” (DUCATTI NETO, 1981, p. 78).

A construção da sociedade local perpassou diretamente por estes fluxos aliados principalmente a construção do ramal ferroviário. Ao longo de quase um século, temos a consolidação desta narrativa. A contribuição destes grupos sociais é inegável e seus reflexos são ainda vistos: o sentimento de pertencimento que perpassa a comunidade local, grupos étnicos que preservam a cultura dos imigrantes, ritos religiosos, cardápios tradicionais, músicas e dialetos / língua estão inseridas no cotidiano da cidade.   

Referências

BERNARDES, Nilo. Bases geográficas do povoamento do Estado do Rio Grande do Sul. Ijuí: Editora da UNIJUÍ, 1997.

COSTA, Emília Viottida. Da monarquia à república: momentos decisivos. São Paulo: Unesp, 2007.

DUCATTI NETO, A. 1981. O Grande Erechim e sua história. Porto Alegre, Grafosul,

KLIEMANN, Luiza H. S. RS Terra e Poder História da questão agrária. Porto Alegre. Ed. Mercado Aberto. 1986. Estudos Ibero-Americanos, v. 12, n. 2, p. 116-118, 1986.

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