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ERS 126: “situação lamentável e descaso com o ser humano”

No próximo dia 26, às 14 horas, na Casa de Cultura em Maximiliano de Almeida haverá uma audiência para tratar da situação da ERS 126

Situação está insustentável
Conforme o Gringo, do jeito que está a estrada se prejudica muito o desenvolvimento econômico
Para Juliano Variani a situação da ERS 126 é caótica e está prejudicando o município e a região
“Essa estrada já é considerada um descaso com o município", diz Daniela
“Se não tiver um retorno do governo a gente vai fazer mobilização", afirma prefeita
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Avilson Lazzarin (Gringo)

Essa é a situação da rodovia ERS 126 que liga Marcelino Ramos e Maximiliano de Almeida, e o sentimento de quem precisa passar no local. A estrada está em péssimas condições, contribuindo para estagnação econômica das regiões norte e nordeste e colocando em risco diariamente a vida de muitas pessoas.

Sucessivos governos e legislaturas de deputados estaduais ignoram há anos essa realidade, principalmente, quando o assunto é a falta de acesso asfáltico. A ERS 126 é um exemplo. A estrada de pedra e barro liga Marcelino Ramos e Maximiliano de Almeida e muito mais: os municípios do Alto Uruguai e da região nordeste. A situação desse trecho é muito precária, um desrespeito e descaso com o ser humano.       

Chegou ao limite

Segundo o empresário Avilson Lazzarin, o "Gringo", que mora em Maximiliano de Almeida há 48 anos, "a situação da estrada é lamentável, chegou ao limite, é um descaso com o ser humano, e está assim há mais de 40 anos, sendo que a rodovia tem projeto ambiental aprovado há anos".  
Ele passa todo dia no local, já que mora no interior e trabalha na cidade. "Faço no mínimo 18 quilômetros por dia em cima dessa pedreira. Está terrível, sem nenhuma condição de transitar", diz. 
Conforme o Gringo, do jeito que está a estrada, é prejudicado o desenvolvimento econômico e enquanto não for feito o acesso asfáltico o município vai continuar cada vez menor.
Na avaliação dele, as condições da estrada geram perigo permanente aos motoristas e passageiros que passam diariamente no local. Ele cita o exemplo da sua filha que faz faculdade em Erechim e todas as noite precisa passar no local. Há trechos da estrada que só passa um carro e nos dias de chuva é muito perigoso. "Todo mundo que passa ali enfrenta riscos", diz.
Apesar da crise financeira do Estado, essa deveria ser uma das prioridades do governo estadual, porque essa situação já passou dos limites. "A juventude do município está saindo para trabalhar em outros locais, porque não tem geração de emprego. Só vai mudar quando tiver mais empresas, indústrias, mas para isso tem que ter o acesso asfáltico", observa. 
"Gringo" lembra que o seu pai esperou a efetivação dessa obra durante 30 anos. "Faleceu ano passado, morreu sonhando com o asfalto", diz. 

Situação caótica 

Para o empresário, Juliano Variani, proprietário de um mercado no município, a situação da ERS 126 é caótica e está prejudicando o município e a região. "A estrada está horrível", diz.
Ele lembra que sofreu muito quando estudava em Erechim. "Frequentei essa estrada em más condições durante seis anos de ônibus à noite, com riscos. Acho que vai ficar assim ainda por muito tempo", afirma.
Juliano ressalta que essa situação dificulta a vida da população de Maximiliano de Almeida, Machadinho, Paim Filho, São José do Ouro e vários outros municípios da região. 
No tempo que estudava havia mais estudantes indo estudar em Erechim. "Hoje tem um ônibus que vai de Maximiliano de Almeida a Sananduva, Lagoa Vermelha, Getúlio Vargas e Joaçaba. Pela lógica deveriam ir para Erechim, mas não é o que está acontecendo", afirma. 
A situação está tão complicada que ele já chegou a fazer o trecho entre Maximiliano de Almeida e Erechim em uma hora e quinze minutos, o que representa em torno de 62 quilômetros. Juliano afirma que hoje demora esse tempo só para percorrer cerca de 28 quilômetros, na estrada de chão, menos da metade do trajeto total. 

Efeitos em todo município  

"Essa estrada já é considerada um descaso com o município e afeta áreas como Educação, Comércio, Saúde, porque dependemos muito de Erechim. Então tudo fica prejudicado com certeza", afirma a empresária Daniela Menger.
Daniela comenta que há anos muitos fornecedores não comercializam seus produtos no município em função do acesso ser por estrada de chão e pedra. "Deixam de vender porque o acesso é difícil. "Isso acontece há muito tempo, por exemplo produtos de laticínios, que tem entrega semanal, com mais frequência", observa.
Ela mora em Maximiliano de Almeida a sua vida toda e a situação da estrada está assim há anos. "Como alguém vai vir instalar uma indústria com essas condições da estrada?", questiona. E, acrescenta que essa situação inviabiliza e prejudica qualquer investimento. A empresária ressalta que o sentimento é de indignação.

Comissão irá debater o assunto

A prefeita de Maximiliano de Almeida, Dirlei Bernardi dos Santos, afirma que no dia 26 desse mês, às 14h, na Casa de Cultura, haverá uma audiência com prefeitos da região, autoridades, empresários, comunidade e formar uma comissão de lideranças para tratar da situação da ERS 126.
O objetivo da comissão é ir a Porto Alegre para uma audiência com o governador ou representante do Estado e discutir tratativas de manutenção da estrada e asfaltamento. "Se não tiver um retorno do governo, faremos uma mobilização. Vamos ter um dia para começar, mas não vamos ter dia para terminar", diz a prefeita. 
Dirlei salienta que essa é uma demanda das regiões Norte e Nordeste e está mais do que na hora de se unir e ir a luta. "Não quero que os meus netos, bisnetos, estejam na mesma batalha que nós estamos, que os nossos pais, avós passaram", diz. A prefeita afirma que a estrada nunca esteve numa situação tão precária como está. "O meu sentimento é de indignação", diz.

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