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“É preciso fazer mais com menos”

Essa é a afirmação da prefeita de Maximiliano de Almeida, Dirlei Bernardi dos Santos, que fala das dificuldades e a importância de se aprimorar a administração pública para obter bons resultadosA

Um dos grandes investimentos que está em andamento no município é a PCH Forquilha IV, uma obra de ma
Município está fazendo investimentos em saúde, moradia, mas a falta de uma ligação asfáltica com Alt
A usina vai ter capacidade para gerar 13MW de energia
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Ígor Dalla Rosa Müller

A cada ano que passa é mais difícil administrar os municípios brasileiros. O desafio é muito grande aos gestores públicos que enfrentam uma sobrecarga de responsabilidades e, por outro lado, não têm uma efetiva contrapartida financeira do Estado e da União. Tem que fazer muito, com poucos recursos, esse é o pedido repetido e insistente da prefeita de Maximiliano de Almeida, Dirlei Bernardi dos Santos, aos seus secretários e ao funcionalismo público. Nessa entrevista, a gestora do município de quase cinco mil habitantes fala sobre investimentos, dificuldades e a importância de se aprimorar a administração pública para obter bons resultados.      

“Prezo muito pelo dinheiro público, que é do povo. Acompanho a gestão e a parte política. Procuro sempre estar a par de tudo. Todo início de mês os secretários se reúnem e sempre digo que precisamos fazer mais com menos. É necessário fazer gestão e oferecer um trabalho de qualidade a população; nunca gastando mais do que se arrecada, mas também não podemos deixar nossa população desassistida”, afirma. Saúde, moradia e infraestrutura são prioridades no município.  

Investimentos

Conforme Dirlei, um dos grandes investimentos que está em andamento no município é a PCH Forquilha IV, uma obra de mais de R$74 milhões realizado pela Creral e empresários de diferentes setores, que se juntaram e financiaram o empreendimento.  

A usina vai ter capacidade para gerar 13MW de energia, terá um reservatório de água de aproximadamente 30 hectares, barramento com oito metros de altura e 280 metros de extensão. Durante a capacidade de geração vai verter em torno de 70 mil litros de água por segundo.

“A obra está gerando empregos no município. Muitas pessoas vieram de fora e se instalaram aqui. As casas que tinham para alugar já estão todas alugadas. Só veio a agregar e fazer crescer o município. Além disso, vai ter o retorno de ICMS e vamos explorar o turismo nessa área, já que a usina em si é um local de visitação turística”, comenta.

Conforme Dirlei, a previsão é que em 2020 a usina entre em operação, as obras iniciaram na metade do ano passado. “Está indo muito rápido. A ideia deles é chegar a 150 trabalhadores. Hoje tem 92 pessoas atuando na obra”, afirma.

Saúde

A saúde está num momento bom, diz a prefeita. “Pela primeira vez na história do município temos três médicos na Unidade Básica de Saúde (UBS) atendendo 40 horas semanais. Além disso, um ginecologista e um pediatra uma vez por semana”, afirma. E, acrescenta, “as pessoas não precisam vir tão cedo como era antes, porque temos fichas suficientes para atender toda a comunidade”.

Outro exemplo, é a recente chegada de uma ambulância nova que será transformada em Semi-UTI, um investimento de R$34mil. “Temos também dois dentistas que atendem 40 horas semanais, e vamos contratar mais um médico fisioterapeuta”, observa.

Gestão

Os resultados estão aparecendo porque foram definidas prioridades na sua gestão, afirma Dirlei. O primeiro passo é prezar muito pela saúde e ir atrás de emendas parlamentares para custeio. “Consegui R$200mil.  Oferecemos um valor razoavelmente bom, R$15mil por mês para atender 40 horas, e mesmo assim, entramos em contato com o hospital para o profissional que viesse fizesse 15 dias de plantão, porque senão ele não vem só por esse valor,”, observa.

A demanda em saúde é muito grande em Maximiliano de Almeida. “Eu via os pacientes cinco horas da manhã na Unidade Básica de Saúde para conseguir fichas, isso não é normal e não está certo”, afirma.  

Mesmo com dificuldade o município vai continuar investindo mais recursos nessa área. Outro problema enfrentado são os atrasos do estado nos repasses para o setor da saúde. O município tem R$160 mil para receber referente as verbas do ano passado, e isso reflete diretamente no atendimento ao cidadão.

“Não tem nenhum prefeito que aguente essa situação. Esse é um valor significativo para um município em que a arrecadação é pouca, em torno de R$17 milhões por ano”, observa.

Ela destaca que mesmo sabendo que o município vai enfrentar dificuldades irá atender da melhor forma possível a população. “Por isso, a importância de irmos a Brasília e conseguirmos emendas de custeio, porque com elas se compra medicamentos e paga profissionais na área da saúde. Estamos oferecendo uma saúde de qualidade e fechamos as contas”, ressalta.

Infraestrutura

Até a metade do ano deve ser inaugurado o conjunto habitacional que está sendo construído no município. O projeto está em fase de conclusão e serão entregues 50 casas novas.

Com relação ao trecho entre Maximiliano de Almeida a Pinhal, com 29 quilômetros sem asfalto, a prefeita não vê com bons olhos essa situação, se houvesse a rodovia asfaltada teria um enorme impacto no município e na região. “Desde o tempo do meu avô se está reivindicando esse asfalto, tenho medo que os meus netos ainda vão estar batendo na mesma tecla”, afirma.

Dirlei comenta que nesse ano já ligou para o Daer e o órgão disse que irá fazer melhorias no local. “Estamos pedindo pelo menos a manutenção da estrada. Se não conseguir isso vamos ter que tomar algumas medidas, ir para a estrada e trancá-la”, salienta. Segundo ela, a ideia é junto com outros prefeitos da região ir até o governo do estado fazer uma audiência para tentar resolver essa situação.

Conforme a prefeita, o município já fez todas as tentativas e buscou todos os caminhos certos, inclusive fez um ofício para ficar responsável pela manutenção do trecho de Maximiliano da Almeida até a ponte do Rio Ligeiro e não foi autorizado. “Pedimos o direito para fazer a manutenção e eles me disseram que não poderiam autorizar”, salienta.

A estratégia é continuar reivindicando a manutenção da estrada, porque segundo ela, a “situação hoje é de calamidade pública”. Todos os dias passam no local estudantes que vão para a URI e pessoas que precisam de atendimento médico em Erechim. “Não temos outra opção, a não ser por ali”, conclui.

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