Festa de abertura da colheira da soja será marcada pela assinatura de documento que reivindica apoio político para viabilizar a obra de interesse macrorregional
A luta pela pavimentação da Transbrasiliana, a BR 153, rodovia que liga os municípios de Passo Fundo e Erechim, será pauta de um encontro de lideranças nesta sexta-feira (19), em Ipiranga do Sul. Prefeitos, vereadores, deputados, empresários e lideranças comunitárias das regiões do Alto Uruguai, Planalto Médio e Produção, decidiram discutir o assunto na abertura da Colheita da Soja. A reunião inicia às 9h. A iniciativa é dos coredes, Norte e Produção.
Proposta conjunta
De acordo com Paulo Sponchiado, presidente do Corede Norte, o encontro de Ipiranga do Sul visa incrementar o movimento que reivindica a pavimentação do trecho de aproximadamente 60 quilômetros entre Erechim e Passo Fundo, além da duplicação da BR-285, no trecho de Passo Fundo até Carazinho.
Em busca de apoio político
No encontro será formalizado um pedido oficial para agilizar o atendimento dessas duas obras macrorregionais do Norte do RS. Além da formalização da proposta por meio de um requerimento oficial, será elaborado um abaixo-assinado para coleta de assinaturas até a segunda quinzena de março. A ideia é reunir a bancada gaúcha e buscar o apoio político para que as demandas sejam incluídas no futuro orçamento do Ministério dos Transportes. "O movimento deve durar um mês, depois vamos fazer uma comitiva e pedir uma audiência com a bancada gaúcha, tanto no Senado Federal como na Câmara dos Deputados. Precisamos do apoio político para que esta demanda possa ser atendida no futuro", pontuou o também diretor da URI de Erechim.
Esgotamento da ERS 135
Paulo Sponchiado explica que o trecho do Alto Uruguai é o único BR 153 que não está asfaltado nos seus 4.300 quilômetros de extensão. Outro argumento para o pedido de asfalto é um estudo de viabilidade elaborado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), que apontou o esgotamento da ERS 135, única rodovia totalmente asfaltada entre a "Capital da Amizade" e a "capital do Planalto Médio". O documento descreve que a ERS 135 apresenta trânsito intenso e isso vai fazer com que ela chegue ao seu limite de capacidade nos próximos oito anos. A pesquisa de campo ainda aponta alternativas para o problema, e sugere que a Transbrasiliana ofereça infraestrutura adequada para suportar o futuro trânsito de veículos leves e pesados. "Por ser uma rodovia federal e por ela ser feita nas dimensões para ser pavimentada, a Transbrasiliana já tem toda a base para ser asfaltada e suportar trânsito mais intensos", defendeu Sponchiado
"O DNIT realizou estudos de duplicação da ERS 135, ocupação parcial das duas rodovias e pavimentação da BR-153. Das três alternativas a mais viável é a pavimentação da BR 153. Ela é uma rodovia muito importante para a nossa região em função de que vai diluir um pouco o fluxo de veículos para a região de Passo Fundo", destacou o dirigente.
Ampliação do movimento
De acordo com as lideranças do movimento as comunidades regionais têm se movimentado há muito tempo por esta pavimentação. Agora, os Coredes, Norte e Planalto acharam por bem fazer esta movimentação coletiva junto com a Universidade de Passo Fundo. O secretário do Corede Norde, Ademir Peretti, explica que o encontro de Ipiranga do Sul é estratégico, pois o município é cortado pela rodovia e nesta sexta-feira vai receber um grande número de visitantes para a festa que marca a abertura da colheita da soja 2016.
"A decisão sobre o futuro da Transbrasiliana não é técnica, passa a ser política e interessa a comunidade como um todo. Se estas comunidades necessitam que esta rodovia seja pavimentada, será necessário mobilizar as lideranças políticas para que a demanda chegue ao governo", sintetizou Peretti.
Sobre a Transbrasiliana
A Transbrasiliana BR 153 é uma das mais longas do país. Vai de Aceguá, no Sul do Estado, até o município de Marabá, no estado do Pará. É uma alternativa viária que faz a ligação norte-sul pelo centro do país. O asfaltamento do trecho do Alto Uruguai será útil até mesmo para os países do Mercosul.
Opinião dos usuários
Sem asfalto a Transbrasiliana é um caminho indesejável para quem depende dele para o trabalho ou reside em municípios como Erebango, Quatro Irmãos e Ipiranga do Sul e precisa se deslocar entre Passo Fundo e Erechim.
Ver o asfalto antes de morrer
É o caso do motorista Adelino Pilar, 65 anos. Ele diz que a estrada está intransitável. "É coisa de 50 anos atrás e até hoje não temos asfalto. Estamos sofrendo aí, do dia à noite, nessas pedras. Não tem pneu que aguenta. Tudo se torna caríssimo. Está difícil para trabalhar assim. São 45 anos de estrada, carregando grãos como soja, milho e trigo do Butiá Grande (Ipiranga do Sul) para Erechim e Passo Fundo". O motorista, natural de Quatro irmãos, espera ver a estrada que viu sendo construída aos 12 anos idade, asfaltada. "Espero que um dia esse asfalto seja feito. Que seja antes de eu morrer, mas acho difícil". Pilar é autônomo e conta que suas despesas são altas devido a estrada má conservada, pois o preço de um pneu é de R$ 2 mil. Relata ainda que além do desgaste no rodado enfrenta outros custos de manutenção que acabam implicando no lucro que teria no transporte de mercadorias.
Desafio diário
A técnica de enfermagem Fernanda Albuquerque, transita diariamente pela Transbrasiliana e enfrenta dificuldades como buracos e poeira. "Eu moro em uma comunidade próxima. Todos os dias faço cerca de 12 quilômetros para chegar até o trabalho. Eles tapam os buracos, mas logo os caminhões pesados passam e tudo acaba voltando ao que era antes. Mas não tem outro jeito, tem que enfrentar".
Estrada precária
"Isso aqui está péssimo. Não tem condições de andar. Estamos com 10, 12 caminhões puxando material da prefeitura para botar na estrada para o Rio Cravo", reclama o motorista Érico de Lima.
Promessas ao longo da vida
"É um problema muito sério. Passa muita produção aqui e é necessário o asfaltamento. Mas parece que os governantes não se importam com a situação. É péssimo para nós trabalharmos aqui. Passo todo dia transportando soja e milho para Erechim Erechim. A estrada é muito precária e acaba gastando pneu, mola. Estou com 70 anos e desde os 30 eu escuto promessas de asfalto por aqui", desabafa Edemar Giaretta, de 70 anos.
"Está péssimo, não tem mais jeito. Temos que pegar e moer as pedras. Dá vontade de parar e trazer uma pá e botar cascalho dentro dos buracos. Isso aqui é uma vergonha. E conheço há mais de 40 anos, mas tenho três anos de caminhão. Dá prejuízo. A suspensão não suporta tanto buraco", declara Alaerte Alves Portela, de 58 anos.
Estrada abandonada
"Toda a semana eu passo aqui. Faço entrega de produtos veterinários e a gente nota que é uma estrada que está um pouco abandonada, porque o que a gente ouve falar é que era para ser asfaltada, faz tempo. Quem transita aqui depende dela para o dia a dia, desde o transporte de carga leves até de produtos agrícolas. É importante que seja resolvido este problema. Que saia esse asfalto que as autoridades possam se sensibilizar e que façam este asfalto que é muito importante para a região, não só para Erechim, mas também para Quatro Irmãos e os demais municípios, diz o motorista Cesar Roberto Marchiori.