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Opinião

Memórias de viagem

Europa Ocidental – Regiões Francesas – Île de France: Paris

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Marlei Klein
Por Marlei Carmen Reginatto Klein – Membro da Academia Erechinense de Letras
Foto Marlei Carmen Reginatto Klein

Toda a viagem à França inicia em Paris. País que encanta, enfeitiça e é cobiçada. Sua capital, Paris, é uma das cidades mais visitadas do mundo. Todos que fazem uma primeira viagem à Europa, logo buscam começar por ela. Paris é e sempre será o coração da França. Suas mansões, igrejas e praças públicas foram o cenário dos principais eventos históricos do país. A cidade nutre uma herança cultural e artística de excepcional riqueza. Embora muito antiga, caracteriza-se pela vitalidade de seus habitantes. Isto foi realmente apreciado na recente viagem do Papa Leão XIV. Em Paris, foi recebido e homenageado por milhares de pessoas, sendo a maioria de jovens. Os habitantes da capital são leais a seus bairros, que desenvolveram características distintas ao longo do tempo e que ajudam a dar à cidade um padrão humano e diversificado.

Paris, sempre Paris: o deslumbre da “Cidade Luz” como é chamada fica com a sua noite. As grandes avenidas e bulevares, as mansões e museus, as pontes sobre o Rio Sena, os prédios do governo e a mundialmente famosa Torre Eiffel estão todos iluminados por holofotes, à noite. Como o palco de um teatro, o centro de Paris foi construído para causar impacto visual. Grande parte disso foi obra do barão Georges Haussmann, que projetou a cidade, nos anos 1860 durante o governo de Napoleão III. Tal projeto, no entanto, só foi implementado nos anos 1880, após a Guerra Franco-Prussiana.

A cidade de Paris: a cidade cresceu e cresce para cima. A maioria dos parisienses vive em apartamentos de vários pavimentos acima do chão, mas localizados no centro da cidade. Isso os faz sair para as ruas, levando uma animação, juntamente com o grande número de turistas, para os cafés, os bares e as lojas, para o metrô, os teatros e cinemas. É assim que fazem vibrar as 24 do dia. Às 3 horas da manhã, o movimento continua nos restaurantes das áreas populares de alimentação, bebidas e lazer. O Metrô de Paris é um dos mais fáceis de usar se comparado às outras cidades europeias.

O Rio Sena: divide a Cidade de Paris. No coração da capital divide-se entre as ilhas de St. Louis e de La Cité. Paris foi fundada ali, como um povoado nas terras de uma tribo celta denominada Parisii. A Ilha de St. Louis é um pequeno e romântico local no meio do Rio Sena. Nele se encontram um grande número de construções erguidas entre os séculos XVI e XVIII. Desde o século XVII tem sido uma área somente residencial e reservada. No Sena acontecem os passeios de Bateau-Mouche. Estes estão para Paris assim como as gôndolas estão para Veneza. Uma oportunidade realmente turística é dar um passeio pelo Rio com um bateau-mouche. Permite apreciar a cidade de um ângulo diferente e bem interessante. Esses barcos, com tetos de vidro, singram as águas do Sena deslizando sob suas pontes e deixando ver um pouco da vida no cais, ao longo das margens direita e esquerda. Em alguns passeios acontece uma parada na Ilha de St. Louis para tomar um café ou um sorvete. O Sena, à noite, torna-se quase irreal. Nas suas margens a beleza dos seus museus e casarões seculares, profusamente iluminados, parecem flutuar na escuridão.

A Paris dos parisienses: mais distante do centro da cidade, Paris avança de maneira diferente – pelos bairros residenciais. Um dos principais é o Bairro Barbès, próximo do famoso Montmartre – o local dos artistas. Barbès é famoso por um seu armazém chamado Tati. Este atrai as populações imigrantes do bairro, bem como todos os compradores, que vão em busca de pechinchas. Apesar da grande demolição de antigos prédios desse bairro em troca de novas construções, ele ainda mantém um pouco da sua atmosfera tradicional. Exemplo disso, próximo a Montmartre, existe um antigo casarão que sempre é visualizado lembrando Paris: o Cabaret du Lapin Agile. Está no centro do bairro e de Paris ocupando a mesma rua de uma antiga vinha. Esta estende seus ramos pelas paredes da antiga casa e ainda produz frutos. Algo muito interessante e bem preservado. O local foi um ponto famoso de cantores e artistas desde 1860. 

O Quartier Latin: o Quartier Latin era conhecido como um centro de atividade intelectual radical, no século XII. Voltou a ter essa reputação nos anos 1950 e 1960. O nome do bairro provém do fato de o latim, uma língua erudita, ser falada nos recintos da universidade até os tempos napoleônicos. Nele se localizam editoras, livrarias, cinemas, cafés e restaurantes que convivem, atualmente, com butiques de moda e lojas extravagantes para turistas.

A Paris para os turistas: na pequena colina de Montmartre, abaixo das cúpulas da Basílica de Sacré-Coeur, o turismo é intenso como em nenhum outro lugar. O bairro foi o ponto central da Europa boêmia, nas décadas, próximo à virada do século XX. Ele atraiu pintores, poetas e escritores, entre os quais Baudelaire, Verlaine e Picasso. Para a satisfação dos parisienses, no entanto, Montmartre preserva segredos ainda não revelados aos turistas que por lá passam. São becos em que se alinham graciosas casas com janelas em madeira e jardins floridos. Algumas possuem até pequenas vinhas nos seus quintais.

Basílica do Sacré-Coeur: foi planejada pelos franceses como uma oferenda para tirar da sua memória a derrota na Guerra contra a Prússia – esta, depois, fazendo parte da Alemanha. A Basílica foi construída, entre 1876 a 1914, num rebuscado estilo. Vista de longe num branco ofuscante e com uma cúpula central de 83 metros. Sua aparência interior sugere um gigantesco doce onde se encontra um dos maiores mosaicos do mundo retratando Cristo com os braços abertos. Localizada no alto da colina de Montmartre, proporciona uma linda vista de Paris. O local é um dos mais altos da cidade. Uma grande escadaria leva à Basílica, mas, ao lado, existe uma escada rolante para facilitar a subida.

Conclusão: a viagem pelas Regiões Francesas iniciou em Paris. Foi uma excelente recordação daquilo que já conhecíamos. Paris, sempre Paris! Por mais vezes que se volte, o encanto permanece!

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