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Opinião

Memórias de viagem

Europa Ocidental e Sul – Suíça - Lucerna

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Marlei Klein
Por Marlei Carmen Reginatto Klein – Membro da Academia Erechinense de Letras
Foto Marlei Carmen Reginatto Klein

Lucerna ou Luzern, em alemão: situada à beira do Lago dos Quatro Cantões ou do Lago Lucerna está cercada pelos Alpes. Entre lagos e montanhas é a cidade mais cênica da Suíça. Considerada como um dos lugares mais surpreendentes e charmosos do território suíço. Uma bela moldura montanhosa, muito lazer e atividades esportivas. De acesso fácil, a cidade fica a 45 minutos de Zurique. O Lago Lucerna é do tipo fiorde, isto é, com reentrâncias pelas terras. Tem 38 quilômetros de comprimento e chega a 214 metros de profundidade. Muitas vilas e cidades estão às suas margens, onde se chega de carro ou de barco.

Lucerna é a Suíça dentro da Suíça: não é uma cidade considerada grande, mas chega a receber quase dois milhões de turistas ao ano. Ocupa posição de destaque no país. Considerada o berço do maior herói suíço: Guilherme Tell. Sua arquitetura medieval, perfeitamente preservada, encontra-se aninhada entre montanhas cobertas de neve. Tem os impressionantes montes, com cerca de 3 mil metros, o Titlis e o Pilatus. Este ganhou o nome devido à lenda de que o corpo do governador romano Pôncio Pilatos estaria ali enterrado. Nas muralhas de Lucerna há nove torres, das quais a Torre do Tempo com um relógio de 1535. A peculiaridade é de que ele toca um minuto antes de todos os outros da cidade, para ser notado. Interessante, pois os relógios são impecavelmente precisos. A língua falada é o alemão, em Lucerna.

Altstadt - o Centro Histórico: é a região antiga da cidade, do século XIV. De encanto medieval, sem carros e ruelas de paralelepípedos. Muitas casas com fachadas pintadas dão a impressão ao local de ser um cartão-postal. Lucerna ocupa posição de destaque no país. Chega a receber mais de dois milhões de turistas ao ano. Muitos e belos prédios conservados em estilo enxaimel – madeira entre o concreto. Na Praça Kornmarkt, encontra-se o prédio de antiga Prefeitura, em pedra, que foi construída de 1602 a 1606. É um belo prédio no estilo renascentista italiano que, hoje, abriga uma famosa cervejaria com restaurante. Muitas lindas lojas estão no Centro Histórico e onde é possível ver os famosos relógios suíços Bucherer. Seus preços são altíssimos para a nossa moeda. Muitas fontes de pedra jorrando a água límpida dos montes. Não se pode deixar de entrar na bela Igreja Jesuíta de São Francisco. Muita madeira internamente com afrescos em ouro. O seu maravilhoso órgão de tubos encimado por pequenas torres douradas.

Kapellbrücke – a Ponte da Capela: ela cruza o Rio Reuss e é a mais antiga ponte coberta de madeira da Europa, do ano 1333. Sofreu alguns incêndios, mas sempre foi recuperada na sua originalidade. Ao atravessá-la, olhando a sua cobertura, vemos algumas madeiras encarvoadas pelos vestígios dos incêndios. São assim conservadas para a lembrança do que ocorreu. No princípio, ela servia como passagem dos habitantes. No século XVII, abriu para os visitantes. O local possui 147 pinturas ilustrativas, assinadas pelo artista Henry Wagmann, que contam lendas, combates e histórias sobre a cidade. As laterais externas, em madeira, estão repletas de floreiras e sempre com flores naturais muito coloridas. Uma represa, ao lado da ponte, controla o nível das águas para que ele não transborde. Ótima, engenharia preventiva!

O leão moribundo de Lucerna: está esculpido, próximo à ponte de madeira, diretamente em pedra natural e parece adormecido. Ele é uma homenagem aos soldados suíços mortos, em 1792, em Paris, na tentativa de salvar a Rainha Maria Antonieta da guilhotina, na revolta contra a monarquia.  O leão foi descrito como: “O mais triste e o mais vivo pedaço de pedra do mundo”.

Monte Titlis: para chegar ao seu topo, de mais de três mil metros de altura, é preciso embarcar no maior teleférico giratório do mundo, com instruções em seu interior, em diversas línguas, inclusive em português. Enquanto vai subindo, conduzido pelos cabos de aço, vai girando sempre, permitindo a visualização dos imponentes a brancos Alpes suíços.

A gastronomia de Lucerna: como prato nacional tem a salsicha branca com batata rösti: “bratwurst mit rösti”. Muito bom, calórico, e não muito caro. Serve perfeitamente para uma boa refeição. A salsicha branca vem com um molho dourado de cebolas. A batata vem com formato de pedaços ou picada com bacon e presunto. Outro prato bem conhecido é o picadinho de vitela com cogumelos. Para quem gosta, a vitela pode ser substituída por rins. Como nas nossas diárias estava incluso o café da manhã e a janta, pelo meio da tarde, fazíamos um lanche. Um ótimo lugar era a Confeitaria e Padaria Bacmann. Esta possui várias lojas pela cidade inclusive na bela Estação Ferroviária. Esta com sua inconfundível Torre do Relógio e um mega estacionamento de bicicletas. Na loja central da Bacmann, no Centro Histórico, há uma parede escorrendo chocolate e fontes do mesmo que pode ser servido quente.  O pedido tradicional para um bom lanche é o Ruchbrot – pão suíço recheado com presunto cru, tomates e queijos. Para acompanhar, um chocolate quente ou um “cafè crème”. Há sempre a recomendação de experimentar o famoso vinho da região do Valais.

Conclusão: Lucerna sempre foi parada predileta de imperadores, reis príncipes e artistas em viagens. Ela é uma das cidades históricas e belas da Suíça. Suas paisagens montanhosas, suas ruas estreitas no centro, seus prédios coloridos e charmosos fazem com que seja sempre lembrada, mesmo com o passar dos anos. Também é uma cidade onde o esqui é muito procurado para a prática. Nos arredores da cidade, aos pés dos montes, as encantadoras vilas de chalés de madeira, as pequenas fazendas suíças com seu gado de sinos ao pescoço, trilhas para caminhadas ou passeios de bicicleta. Esta, pode-se dizer, é o transporte nacional de jovens e também de adultos, inclusive, de adultos conduzindo seus netos para a escola e de terno e gravata.

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