Suíça: o turismo na Suíça é tranquilo e seguro. Ele é a quarta maior fonte de arrecadação de recursos. Fica apenas atrás das indústrias farmacêuticas, de produtos lácteos e de relógios. O país possui uma famosa política de neutralidade em relação a muitas coisas, assim como ocorreu nas duas grandes guerras do século XX, que provocaram tantos estragos na Europa. O povo suíço é quem decide — democracia 100% em todo o interesse da população. Os referendos são tradicionais e definem as políticas do país em qualquer direção. Os preços na Suíça são relativamente caros. Uma boa refeição sai por volta de 35 a 40 dólares, e um cafezinho tem valor de 3 a 4 dólares. Mas a sua moeda é o franco suíço, muito estável. Sua cotação é semelhante à do dólar. Embora o país pertença à comunidade europeia, não a trocou. Seu território é 70% ocupado por montanhas e lagos. A Suíça possui três diferentes culturas: a germânica, a francesa e a italiana, dependendo da localização das fronteiras.
Viajando para a Suíça: saindo de Como e de seu lago, rumamos para a Suíça. O destino era a cidade de Lugano. O nosso ônibus, com o pequeno grupo e a guia acompanhante, não levou muito tempo para chegar. A distância era curta, mas as paisagens foram um contínuo de belezas. Passamos por vales, rios, pequenas propriedades com vinhas e oliveiras, pomares de frutas — maçãs, laranjeiras, limoeiros — e hortas com vegetais cultivados em ordem nos canteiros. Nas vilas, o interessante foi notar que as casas não possuem números, mas pequenas placas com o nome da família. Também foi muito interessante ver, na beira das estradas, pequenas tendas sem atendente, com cestos de frutas e legumes. O preço estava anotado, e as pessoas interessadas deixavam o dinheiro numa caixa coletora ao lado. O mesmo acontece com as flores: as pessoas podem entrar nos jardins das fazendas, pegar as flores que acharem interessantes e pagar, deixando o dinheiro, obedecendo à tabela de preços, em caixa anexa. Não há intervenção humana. É a educação de um povo! Em geral, isso seria possível no nosso Brasil?
Chegando a Lugano: a cidade está situada no cantão de Ticino, junto à fronteira com a Itália. É a maior cidade da Suíça italiana e onde se fala, muito à vontade, o italiano, sua língua oficial. Ela possui um estilo quase mediterrâneo. Cidade suíça de grande beleza, ocupa lugar estratégico nas margens do Lago Lugano e aos pés das montanhas dos Alpes. Com a nossa guia acompanhante, fizemos uma breve visita panorâmica pela cidade. Passamos pelo Golfo de Lugano, onde se encontra o Monte San Salvatore. Uma parada para uma bela foto do nosso grupo. Em continuação, entramos na bela Chiesa Santa Maria degli Angioli — muito bonita, com arcadas e um gigantesco painel com pinturas de Jesus e Nossa Senhora sendo levada aos céus por miríades de anjos. No centro de Lugano, belos jardins gramados e com muitas flores, sempre circundados por pequenos ciprestes. Aproveitamos para, durante o passeio, conhecer uma “botega” — uma lancheria. Pedimos o “luganigheta”, uma salsicha de suíno com temperos, além do sal, e condimentos como noz-moscada, canela e cravo. É servida com pequenas porções de batata ao vapor. Além do café, podia ser vinho quente, espécie de quentão, muito gostoso. A seguir, subindo a Via Cattedrale, chegamos à Catedral Romana de San Lorenzo. De arquitetura da Idade Média, foi reconstruída no século XV. A fachada é em pedra branca e mármore de Carrara. Está junto a um mosteiro. A vista do seu alto é belíssima! Perfeita para visualizar a cidade entrecortada por lagos e morros, não longe dos Alpes suíços.
As lindas Vilas de Lugano: há uma frase onde está escrito: “Lugano, La dolce vita à moda suíça!”. Lugano, situada no cantão de Ticino, mostra a beleza ligada às montanhas e aos lagos. Um dos grandes prazeres da cidade é caminhar ao longo das margens sombreadas dos lagos. Mas não caminhamos e sim, fizemos um cruzeiro pelo belíssimo Lago Lugano. Passamos por luxuosas vilas, sendo a Villa Favorita uma das mais atraentes. Cercada por ciprestes, ela é uma magnífica casa do século XVII, construída pelo príncipe Leopoldo da Prússia. Ela abriga parte da notável coleção Thyssen-Bornemisza, o restante encontra-se na Espanha. Num evento de grande repercussão, cerca de 800 obras de antigos mestres foram vendidas para o Palácio Villahermosa, em Madri, Espanha. A venda foi a pedido da esposa espanhola do falecido proprietário, o barão Hans Heinrich Thyssen-Bornemisza, um influente industrial suíço apaixonado por arte. O barão era filho do fundador dessa coleção, que inclui obras dos séculos XIX e XX de artistas europeus e americanos. Além dos quadros, também há bela mobília com peças dos séculos XVI e XVII. Enquanto, lentamente, fomos passando pelas margens do lago e visualizando as belezas da Villa Favorita: jardins que pareciam saídos de esculturas, com centenas de variedades de flores nativas e exóticas, árvores entremeadas com esculturas e alguns quiosques floridos. Tudo é um legado mantido pelos descendentes da família, que continuam a morar ali. Pela falta de tempo, não conseguimos visitar a mansão, mas a sua visualização foi muito importante para conhecer essa maravilha em Lugano. O passeio pelo lago foi até à tardinha.
Hotel Villa Príncipe Leopoldo: como o nosso grupo organizou a viagem, quisemos sentir um pouco da “dolce vita suíça”. O hotel escolhido foi a Villa Príncipe Leopoldo. Uma casa vermelho-ocre, construída em 1868 pela aristocrática família prussiana dos Von Hohenzollern, no estilo italiano, onde pernoitamos. Já foi uma propriedade privada. Talvez por isso ainda exista a ideia de imponência, tanto pela sua aparência externa quanto pelo seu interior. Sua localização é especial: no topo da Collina d’Oro. A maioria das suítes tem vistas espetaculares para o Lago Lugano, cercado de montanhas. Além disso, o hotel conta com uma das salas de jantar mais belas e aristocráticas da região. As suítes dispõem de sacadas floridas com balcões e são um lugar perfeito para um “happy hour”. Do hotel, em uma hora de caminhada, chega-se à pitoresca cidade de Gandria, também à beira do lago. Esta se esparrama pelas encostas arborizadas do Monte Brè. Nele há um teleférico que leva as pessoas a 900 metros acima, até o topo das montanhas. A paisagem, então, é vista do alto dos 1.700 metros.
Conclusão: a aristocracia está presente de diversas formas em Lugano. O lugar foi disputado por dinastias milanesas e pela nobreza. As belas mansões, sempre situadas à beira das águas, mostram uma cidade criada por ricas famílias. Estas ali se refugiavam para fugir da agitação dos grandes centros europeus. Lugano é tranquila e, ainda hoje, muitas de suas belas residências são habitadas por descendentes de nomes importantes da realeza europeia. Algumas delas são hotéis e “residences” mantidos por grupos que envolvem o turismo. As nobres famílias Riva e Von Berddingen, no século XVIII, construíram três palácios situados no centro da cidade. Estes locais costumam preservar a arquitetura e os móveis originais, fazendo a junção do clássico e do moderno. Além do mais, complementam a história local, como também a alma do que prevaleceu em Lugano. O europeu, pela sua educação, sempre preserva o antigo; não o despreza em favor do moderno. Ele se orgulha das raízes históricas que fundamentam seu complexo e fascinante continente. Finalizando: durante séculos, a sociedade europeia manteve uma segregação entre a arte das classes superiores, que a usavam para enfeitar suas casas da cultura das massas, que os amantes do bom gosto ignoravam ou desprezavam. Hoje, a arte se acha democratizada e a cultura popular valorizada.