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Opinião

Região norte do RS é a grande produtora de biodiesel do Brasil

Do grão aos biocombustíveis

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Roberto Ferron
Por Engº Florestal Roberto M. Ferron – Consultor Florestal/Ambiental
Foto Roberto M. Ferron

Nesta semana, o ex-ministro da Agricultura Francisco Turra, atual presidente do Conselho de Administração da APROBIO – Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil, em entrevista ao Jornal Estadão, questiona a demora no avanço da mistura do biodiesel ao diesel. Aponta que o Brasil importa 25% do diesel que consome, enquanto 100 municípios do RS enfrentam escassez de combustível no auge da safra. Turra reforça que a indústria já possui capacidade instalada para atender a 21,6% de mistura e que a matéria-prima está disponível. Ainda diz que o cronograma previsto pela Lei do Combustível do Futuro deveria estar sendo cumprido, e o atraso nos testes compromete a previsibilidade de que o setor precisa para seguir investindo.

Importante lembrar que a lei previa a passagem de 15% para 16% de biodiesel na mistura do diesel a partir de março de 2026. Entretanto, o governo nada sinalizou até o momento. E assim, continuamos a perder bilhões de reais importando diesel, com todo este aumento nos combustíveis em razão da guerra entre EUA, Israel e Irã.

Para aqueles que pensam que faltará alimento, como já ouvi em muitos comentários, os dados da produção agrícola mostram que processamos apenas 30% da soja produzida no Brasil e exportamos 70% da soja in natura. E, no RS, processamos apenas 40% e exportamos os restantes 60%.

Segundo dados da ANP – Agência Nacional do Petróleo, o Brasil possui 68 indústrias produtoras de biodiesel. E mais cinco (05) estão projetadas para construção.

Importante relatar que os biocombustíveis agregam 13% a mais de receitas à economia brasileira do que os combustíveis fósseis.

Vale frisar que o RS é líder nacional na transição energética com a produção de biodiesel. O Rio Grande do Sul tem dez (10) empresas produtoras de biodiesel e quatro (04) esmagadoras de soja, localizadas nos municípios de Passo Fundo, Erechim, Tapejara, Camargo, Muitos Capões, Cruz Alta, Ijuí, Veranópolis, Cachoeira do Sul, Canoas e Rio Grande.

O dado relevante é que o norte do RS se consolida como um grande polo industrial de biocombustíveis. Atualmente, destaca-se no uso da soja na produção de biodiesel e, futuramente, na produção de querosene verde.

Em breve, haverá 13 indústrias de biodiesel, correspondendo a 70% do parque fabril gaúcho.

Em Cruz Alta, nasce um projeto bilionário e histórico, fruto da união de três (03) cooperativas da região: a COTRIPAL, de Panambi; a COTRIJAL, de Não-Me-Toque; e a COTRISAL, de Sarandi, que construirão a primeira grande fábrica cooperativada de biodiesel do estado.

Ainda, com a futura indústria de biodiesel da VACCARO em Erechim, este será o único município contemplado com duas indústrias de biocombustíveis.

Em Passo Fundo, de forma inédita, a BE8 S.A. já produz biodiesel 100% puro, e a matéria-prima é a soja. Suas vantagens em relação ao combustível fóssil são: produto renovável, biodegradável, que reduz a emissão de gases de efeito estufa em 99,5% e demais partículas poluentes do ar.

Interessante saber que todas estas indústrias de biocombustíveis usam, como energia térmica para produção de vapor e para tocar seus processos industriais, caldeiras abastecidas com lenha ou cavaco advindo das florestas plantadas. Também podem utilizar outros resíduos orgânicos, como casca de arroz, palhada de culturas anuais e/ou pastagens, bagaço de cana, caroços de açaí, casca de coco, entre outros. É a agroenergia produzindo calor e energia limpa.

Portanto, não estamos tratando apenas de alimentos e energia. O agro está proporcionando soberania nacional, desenvolvimento regional, geração de renda, postos de trabalho e impostos.

O Brasil continuará crescendo economicamente enquanto descarboniza; temos terras agricultáveis, tecnologia e expertise para produzir alimentos e bioenergia.

Você percebeu que o norte do Rio Grande do Sul se transformou em um “cluster” de biocombustíveis, de energia limpa? Somos exemplo para o planeta de como a agricultura impacta o desenvolvimento regional, a economia circular, enfatizando a sustentabilidade do sistema. E tudo começou com um sonhador plantando grãos de soja lá na região das Missões do RS há mais de meio século.

No Brasil e no RS, a transição energética passa pelo agro, pelos produtores rurais e pelas lavouras.

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