Temos o controle de absolutamente tudo a respeito da nossa vida. Doce ilusão. Por algum tempo acreditamos nisso ou, queremos acreditar, não sei bem. Até que vamos acordando ou relaxando ou então, casamos e viramos pais e aquele controle que achávamos ter se perde em alguma parte do caminho.
Se, em algum momento, você já sentou no trono, que não seja a privada da sua casa, e se sentiu soberano da própria vida, acredito que tenha sido por pouco tempo, talvez um sonho e aí vem a realidade e te faz acordar.
No carro, por exemplo, se um dia você decide o destino e a música, certamente está sozinho dentro dele, porque, caso contrário, normalmente você é o último a opinar. Isso acontece com a temperatura do ar-condicionado também.
Falando em ar-condicionado, dentro de casa esse aparelhinho é capaz de causar guerras homéricas pela disputa de territórios, ainda mais quando se trata do território sagrado, o quarto do casal. Claro, porque um casal que se preze, um é friolento e outro é calorento. Se vocês se ajustam bem, ops… alguma coisa está errada aí.
Nesse mesmo espaço, outro controle pode ser motivo de bombas, tratados e, quem sabe, acordos, o da televisão. Se um gosta de suspense, o outro quer comédia, se um quer romance, o outro quer ficção científica. Isso quando não surge um terceiro pedindo para ver a Galinha Pintadinha. É, meus amigos, não é fácil.
Tem dias em que você acorda pensando em um prato diferente para o jantar em família, vai ao mercado, pega todos os ingredientes, chega em casa e o humor não permite que o plano vá em frente, ou algo dá errado, queima, salga demais ou, mesmo seguindo a receita à risca, nada sai como você imaginava. E aí vem aquela voz só para te lembrar que você não controla nada.
Quantas vezes acordamos querendo dormir mais um pouco? Até o despertador manda mais do que nós mesmos. Até a pessoa mais organizada do mundo, com tudo perfeitamente planejado na agenda, que respira a sensação de comando absoluto sobre o tempo, sofre seu revés e aquele imprevisto que surge, seja da forma que for, lembra que, na realidade, estamos negociando o poder, que nunca possuímos totalmente.
Nós, adultos principalmente, adoramos sentir que comandamos, estamos sempre nos apegando a qualquer detalhe para ter a sensação de “opa, aqui eu mando”, mas vem a vida e nos dá um xeque-mate. No fundo, cada tentativa de controle absoluto serve apenas para nos lembrar que esse controle é relativo e nunca está 100% em nossas mãos.
Aprender a lidar com a falta de controle é um exercício diário que exige muita paciência, ainda mais quando somos casados com uma capricorniana com a constelação, planetas, luas, enfim, tudo em Capricórnio, que acredita firmemente ter todo o controle do mundo e zero paciência. Então a gente finge que obedece, ela finge que manda, e o universo dá seus pulos. Ao menos, acabamos rindo disso juntos, o que é quase tão bom quanto ter (a sensação de) controle.