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Opinião

Ponto cego

teste
Clovis Lumertz
Por Clóvis Lumertz – Empresário
Foto Clóvis Lumertz

Dirigir exige atenção constante.

Ainda assim, há aquele espaço traiçoeiro: o ponto cego, onde simplesmente não enxergamos, onde o campo de visão está fechado. Não importa o quão experiente seja o motorista: se confiar apenas no retrovisor, corre risco.

Na gestão empresarial, o EBITDA pode se transformar exatamente nisso.

Não por ser um indicador ruim. Pelo contrário. O EBITDA é útil, poderoso, amplamente utilizado.

O problema começa quando ele passa a ser “o” indicador e não “um dos” indicadores.

Assim como no trânsito, aquilo que você não vê continua existindo.

Empresas que operam “bem” sob a lente do EBITDA podem, silenciosamente, estar acumulando riscos relevantes:

– Crescimento sem geração de caixa.
– Estrutura de capital desequilibrada.
– Dependência excessiva de poucos clientes.
– Investimentos insuficientes (ou mal alocados).
– Cultura organizacional deteriorando.
– Qualidade de receita questionável. Rentabilidade comprometida.

Nada disso aparece, de forma clara, no EBITDA. E é aqui que mora o perigo.

O foco exclusivo no EBITDA cria uma sensação de controle. Um conforto enganoso. Um número limpo, objetivo, fácil de comparar. Mas gestão não é conforto, é consciência e campo de visão ampliado.

Empresas não quebram, em geral, por aquilo que está explícito nos relatórios ou no DRE analisado a cada reunião de Conselho, como quem apenas olha o passado refletido no espelho retrovisor. Elas quebram pelo que foi ignorado.

Pelo que estava no ponto cego.

Gestão madura exige visão periférica. Exige integração de indicadores: caixa, capital de giro, retorno sobre o capital investido, risco, governança, gente, estratégia. Exige perguntas incômodas.

Exige olhar para onde não é confortável olhar.

Talvez a pergunta mais importante não seja: “Como está o EBITDA?”

Mas sim: “O que o EBITDA não está me mostrando?”

No fim, não é o que você vê que te coloca em risco. É o que você deixou de ver.

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