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Opinião

Memórias de viagem

Viagem Transiberiana e Trem: Rússia – Sibéria – Mongólia – China- (28)

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Marlei Klein
Por Marlei Carmen Reginatto Klein – Membro da Academia Erechinense de Letras
Foto Marlei Carmen Reginatto Klein

A majestosa Cidade Proibida, em Pequim – China, permaneceu fechada aos cidadãos por 500 anos – lugar onde os mortais não ousavam entrar. Foi corte de 24 imperadores, do início da dinastia Ming, no século XIV, à queda da dinastia Qing, em 1911. É o maior, mais completo e mais bem preservado conjunto de edifícios antigos da China, representando a obra de milhares de trabalhadores.

Praça da Paz Celestial ou Praça Tian An Men: é uma das maiores do mundo, no centro de Pequim. “Tian An Men” significa Praça da Paz Celestial. O complexo da Cidade Proibida está ali localizado. Foi criada em 1949, com a demolição de edifícios ministeriais dos dois lados da via imperial. Foi ali que, em outubro de 1949, Mao Tsé-tung proclamou a fundação da República Popular da China. Mas, nessa praça, em junho de 1989, as forças do governo reprimiram, com violência, uma manifestação de estudantes. Estes desejavam uma China mais democrática e levantaram, na praça, uma “Deusa da Democracia”, inspirada na Estátua da Liberdade dos americanos. A resposta do governo foi enviar tanques ao local, que mataram mais de dois mil jovens, passando por cima deles. Tudo aconteceu diante das câmeras de TV. O mundo acompanhou horrorizado. Nela sempre aconteceram manifestações políticas chinesas. A Praça da Paz Celestial tem 440.000 metros quadrados e é o símbolo da Nova China.

Túmulo de Mao Tsé-tung: está localizado na Praça Celestial. Foram necessários 700.000 operários, trabalhando durante quase um ano, para construir o monumento. Multidões ainda prestam homenagem ao “Grande Timoneiro” diante do túmulo e do Monumento aos Heróis do Povo, que deram suas vidas pela revolução comunista. No local, sempre passam multidões. Também importante é o Túmulo dos Treze Imperadores, próximo da Praça Celestial, na Avenida das Almas. Todos esses imperadores pertenceram à Dinastia Ming (1368–1644). Foi o período de ouro na história da China. Mao Tsé-tung nasceu em dezembro de 1887 e faleceu em abril de 1976, por problemas cardíacos.

O partido que controla a China: teoricamente, o Partido Comunista Chinês não participa do governo. Na prática, porém, todo o poder concentra-se no partido, que também controla os vários aspectos da vida dos chineses. A bandeira da República Popular da China tem cinco estrelas douradas em um fundo vermelho – a maior estrela representa o Partido Comunista Chinês. As outras representam as quatro classes sociais da nação: camponeses, operários, colarinhos brancos e administradores. É um símbolo apropriado a um partido que chegou ao poder pelo caminho mais difícil. Empenhou-se muito em uma guerra civil contra o poder nacionalista, que governava a China de Chiang Kai-shek. Este nasceu em 1887 e faleceu em 1975. O Partido Comunista percebeu a força dos camponeses e prometeu a eles uma reforma agrária. Com isso, o poder nacionalista de Chiang Kai-shek foi deposto. Chiang e seus nacionalistas fugiram para o que hoje se chama Taiwan, que possui relativa independência. Ao proclamar o nascimento da República Popular, em 1º de outubro de 1949, Mao anunciou, na Praça Celestial: “O povo chinês se levantou”.

Imperadores Vermelhos: assim, Mao Tsé-tung iniciou uma nova era na longa história da China. Impôs a vontade do partido e revolucionou a sociedade chinesa com uma política de terror. Teoricamente, a China de Mao era uma sociedade sem classes. Entretanto, os membros do partido gozavam de privilégios especiais e nela havia vários escalões. O número de interessados em entrar para o partido aumentou rapidamente. Mao morreu em 1976, e o segundo Imperador Vermelho foi Deng Xiao-ping. Este proclamava que: “Enriquecer é glorioso!”, para convencer o povo a permanecer no partido. Mas, embora estivesse disposto a oferecer ao povo certo grau de liberdade econômica, o regime não abria mão do controle das ideias.

Governo De Mao Tsé-tung: ele tentou modernizar a China, mas cometeu muitos erros. O mais desastroso foi o “Grande Salto à Frente”. Foi um programa iniciado em 1958 que levou 30 milhões de pessoas a morrerem de fome. Os camponeses começaram a deixar o interior em busca de trabalho nas novas fábricas. Em 1980, quatro anos após a morte de Mao, um quarto da população vivia nas cidades. Nos anos seguintes, o êxodo rural tornou-se uma torrente. Para abrigar toda essa gente, começaram a construir diminutos apartamentos, estilo soviético: tristes, monótonos e desconfortáveis.

O triunfo de Mao: com o apoio dos camponeses, Mao tomou o governo e, em outubro de 1949, anunciou, em Pequim, o nascimento da República Popular da China. Então, dedicou-se a reformar o país. Deu terras a 300 milhões de camponeses pobres e mandou executar 2 milhões de camponeses ricos. Aqueles que criticavam o regime foram duramente punidos.

Conclusão: quarteirões inteiros de algumas cidades foram demolidos para dar lugar a edifícios modernos. A indústria passou a decidir onde ficariam as residências. Passamos por alguns bairros residenciais e vimos que aconteceram grandes melhorias com os prédios de moradia dos operários. Não são mais minúsculos e no formato estilo soviético. São mais modernos, com um pouco mais de espaço e estão em locais com praças, até ajardinadas. Chamou-nos a atenção que, nos bairros, há sempre uma área coberta onde os idosos se encontram para atividades de lazer e até de aprendizagem. Conhecemos um desses locais e vimos os “aposentados” jogando, principalmente, xadrez. Mulheres em artesanato e até brincadeiras com dança. Pareciam felizes. Há sempre uma grande preocupação do poder público com a saúde e o bem-estar dos idosos. Por isso e mais, é muito difícil sintetizar o impacto das impressões que uma visita à China causa em nós, ocidentais.

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