21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Publicidade

Opinião

Memórias de viagem

Viagem Transiberiana de Trem: Rússia – Sibéria – Mongólia – China – (23)

teste
Marlei Klein
Por Marlei Carmen Reginatto Klein
Foto Marlei Carmen Reginatto Klein

Conhecendo a Mongólia, que já foi considerada a maior nação do mundo ao dominar parte da Europa e da Ásia, vamos ver que o antigo império guerreiro, porém, não deixou muitos traços de domínio. Hoje, está entre duas grandes nações: a Rússia e a China.

Em direção ao Parque Nacional de Terelj - saindo do trem e, de ônibus, fomos rumo ao Parque Nacional de Terelj. O dia estava nublado e chuviscava. Mas isso não interrompeu a visita. Foram 80 km desde Ulan Bator, a capital. Fomos conhecendo o interior do país, passando por estepes e por montanhas. Conhecemos a montanha em forma de tartaruga, muito semelhante ao animal. Chegamos a uma vila de “yurtas” – casas típicas dos mongóis – como barracas redondas feitas de couro e peles, que podem ser transportadas. Fomos recebidos por uma família que nos mostrou as atividades típicas do campo, que já foram anteriormente comentadas. Na vila, havia uma loja – a Art Shop. Muitos objetos interessantes para serem comprados como lembrança. Aceitavam o dólar e o euro. Foi possível conhecer a arte do povo mongol, que é diferente e muito bem apresentada. Chegamos a um descampado cercado de montanhas para o almoço. O belo restaurante era em forma de “yurta”, em madeira marrom e com aberturas em branco. Uma larga sacada o circundava e permitia uma bela contemplação da área e do horizonte.

Almoço nas estepes - a cozinha mongol possui muita herança chinesa. Durante toda a sua longa e turbulenta história, o povo mongol tem uma verdadeira paixão pela arte de cozinhar. Assim, foram servidos um ensopado de carneiro e assados defumados, servidos ao molho de soja, acompanhados de legumes em pequenas tiras e fatias finas: tudo calculado para se tornar atraente à vista e ao paladar. A água, o vinho e a cerveja faziam parte. A sobremesa foi um creme gelado de leite coberto por delicado molho de iogurte. Pequenas broas acompanharam o chá, no final. As sobremesas mongóis sempre têm por base o leite: começam, geralmente, com um chá com leite, coalhada caramelizada e doces de leite em pedaços, feitos de leite de ovelha. Os doces cremosos são sempre acompanhados por frutas silvestres: amoras variadas e morangos. Muitas vezes, eles são polvilhados com casca de limão ralada.

Tarde com diferentes tipos de torneio – como o tempo continuava encoberto e chuviscava um pouco, foram montadas barracas com cadeiras para os visitantes assistirem, defronte ao restaurante. Tudo iniciou com um “torneio de luta livre”. São lutas evocadas dos guerreiros do passado. Sempre, os esportes praticados lembram Gêngis Khan, que ensinou o seu povo a viver da espada e não do arado. Os mongóis foram pastores nômades. Uma cultura baseada na criação de cavalos e na luta em defesa de sua vida nas terras de áspera beleza, praticamente intocadas.

Corrida de cavalos e competição de arco e flecha – antes de cada prova, os competidores beijam uma cauda de cavalo que representa Gêngis Khan. A plateia entrou na torcida. Como ninguém conhecia a realidade dos diferentes torneios, torciam pelo mais bonito, pelo mais colorido, pelo mais imponente, pelo mais robusto. Foi muita gritaria e disputa entre os grupos, levando a torcida a risadas e muita descontração. As crianças, na Mongólia, já com seis anos de idade, começam a participar de corridas com cavalos. Em todo o seu modo de vida, os mongóis evocam sempre os antigos costumes. O passeio a cavalo proporciona momentos tranquilos nas planícies e leva a lugares que não exibem praticamente nenhum sinal de modernidade. Faz sentir, também, o espírito dessa nação independente, mas hospitaleira por tradição e autônoma desde 1920.

O papel do cavalo – O papel do cavalo na vida da Mongólia é pintado em muitas cores durante o Festival de Naadam, realizado durante todo o mês de julho. Não participamos porque não estávamos nessa época. Mas é muito lembrado pelos guias, porque é o ponto alto dos festivais no país. Pastores e pastoras de todas as idades e de toda a Mongólia – muitos montados a cavalo – vão à capital, Ulan Bator. O festival é composto por dois dias movimentados de atividades sociais e acirradas disputas em modalidades esportivas ancestrais. Engloba luta corporal, corrida de cavalos e arco e flecha. Tudo isso apreciamos, de modo sucinto, na tarde do Parque Terelj. Assim, tivemos uma ideia do que acontece no Festival de Naadam. Mas os eventos equestres são o destaque do festival. São realizados nas estepes da periferia da cidade. A participação envolve muitos cavalos, chegando ao tropel de 600 animais a galope pela pista de 16 quilômetros. Durante o evento, a celebração segue com comida típica, bebida e a hospitalidade mongol.

Conclusão – os países do leste da Ásia entraram no mundo moderno, mas são as grandes cidades que estabelecem o ritmo com que isso acontece. Ulan Bator apresenta um ritmo frenético de modernidade. A população irrequieta e altamente motivada se dedica ao sério trabalho de movimentar a economia. A Mongólia combina a vida nômade com o dinamismo de uma cidade moderna. O futuro é muito promissor para a capital. Sua modernização passa pelo grande número e pelas muitas marcas de automóveis em suas avenidas e ruas. Mas a natureza, às vezes, assusta quando demonstra seu poder nos ventos que fustigam as planícies do país, quando os tufões varrem as costas tropicais, provocam inundações e terremotos, e quando o rigoroso inverno chega a 55 graus negativos. Tudo isso faz parecer frágeis as obras do homem. Em outro aspecto, uma grande espiritualidade emana do povo mongol, que não entende a natureza como força negativa, mas como parte natural da vida e exalta a Terra como ser vivo. Sua doutrina atribui à vida humana um lugar na ordem natural. Poetas e pintores imortalizaram suas montanhas e a terra plana, vivida e curtida por gerações de camponeses.

Leia também

Publicidade

Blog dos Colunistas

;