Quem circula pelo interior da região neste período, também pelos mercados e fruteiras, percebe que janeiro é tradicionalmente a época da colheita da uva, da vindima, e de práticas que mantêm viva a cultura trazida pelos imigrantes italianos. Muitos produtores preservam essa tradição em pequenas áreas de suas propriedades e, em meio a esse cenário, a Cooperativa Nossa Terra atua com a industrialização da fruta, especialmente para a produção de suco.
Em entrevista à TV Bom Dia, o presidente da Cooperativa Nossa Terra, Adelmir Gaiardo, e o secretário e coordenador técnico, Lucinei Calegaro, abordaram o contexto da safra 2026, considerada expressiva em volume, embora com variações na qualidade.
Durante a conversa, os representantes da cooperativa destacaram as estratégias adotadas para o recebimento, industrialização e comercialização da produção dos cooperados. De acordo com as informações apresentadas, a cooperativa atua em diferentes segmentos da produção agropecuária, como leite, carnes, grãos, maçã para suco e uva.
Com relação à uva, Adelmir Gaiardo destaca que esta é a maior safra da história da cooperativa, com mais de 80 famílias de produtores que passaram a integrar este ciclo. “A produção está sendo recebida conforme o compromisso assumido. Nossa unidade com maior destaque é da região de Alpestre, onde concentramos boa parte do recebimento. Esse trabalho é possível porque a cooperativa constrói acesso ao mercado. Quando há mercado, é possível garantir a compra do produto do agricultor, o que permite chegar com tranquilidade durante a safra”.
Devido à produtividade elevada, a comercialização e o valor sobre o produto podem gerar preocupação aos produtores. Nesse sentido, Lucinei Calegaro garante que, por meio da cooperativa, há capacidade de mercado. Afinal, a atuação da cooperativa envolve a produção local e industrialização em unidades parceiras, tanto na região, quanto em Alpestre e na Serra Gaúcha.
Os representantes explicaram que, em parte da safra, o grau Brix ficou abaixo do esperado devido às chuvas, mas apontaram melhora do indicador nas últimas semanas. De acordo com Calegaro, isso impacta diretamente o preço, especialmente para sucos e vinhos. O presidente lembra que, no caso das cooperativas, há maior segurança aos produtores, considerando que seguem a política de preços mínimos estabelecida pela Conab.
“Atualmente, os valores variam aproximadamente entre R$ 1,60 e R$ 2,48 por quilo, conforme o grau da uva. Além disso, a cooperativa oferece um valor adicional ao associado, acima da tabela oficial, como diferencial”, ressalta o secretário e coordenador técnico da Nossa Terra.
Os representantes detalharam também a logística de recebimento e processamento. A cooperativa não possui indústria própria, mas terceiriza a industrialização por meio de parcerias. Em cada região de atuação, há pontos de recebimento regularizados junto ao Ministério da Agricultura, onde a produção é centralizada, beneficiada e transformada em suco.
“Neste ano, a previsão é receber cerca de 3 milhões de quilos de uva, resultando em aproximadamente 2,2 milhões de litros de suco, beneficiando cerca de 120 famílias”, estima o presidente.
Cooperativismo e desenvolvimento regional
“Iniciamos 2026 com muita energia. A cooperativa completa 25 anos de história, de caminhada, de constituição da Nossa Terra e com um marco histórico, investimentos que somam cerca de R$ 24 milhões nos últimos três anos, em unidades no Rio Grande do Sul e no Paraná. Seguiremos investindo, diversificando atividades e ampliando mercados, sempre com foco em atender melhor os associados. O cenário é desafiador, mas a cooperação nos dá força para avançar”, completa Adelmir Gaiardo.
Encerrando o debate sobre o cooperativismo e o trabalho desenvolvido pela Cooperativa Nossa Terra na região, os representantes destacaram que o compromisso segue o mesmo: atender bem a todos.
“A Nossa Terra mantém as portas abertas para novos associados e para quem deseja conhecer nosso trabalho. Não há limite máximo de associados, estamos sempre dispostos a ser desafiados”, conclui Lucinei Calegaro.