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Opinião

Granizo

teste
Natan Fantin
Por Natan Fantin - Professor do Ensino Básico e Escritor; E-mail para contato: natanfantin@gmail.com
Foto Natan Fantin

Depois das pedras,

falava-se apenas das perdas.

Telhados.
Paredes.
Móveis inchados de água.

Falava-se
do que a água levou,
do que o gelo quebrou,
do que ainda podia ser salvo.

Depois da chuva:
lágrimas,
mãos,
indignações,
doações.

Ruído suficiente
para cobrir o céu.

Homens nos telhados.
Marteladas desde cedo.
Passos

inseguros.
Quedas
evitadas por pouco.

Orçamentos repetidos
em refrão.

Falava-se do humano.
E o humano
falava alto.

Então — não no dia seguinte,
mas depois —

faltava.

Não algo quebrado.
Algo ausente.

O silêncio
não veio de imediato.

Apareceu

quando a reconstrução cessou
e a normalidade se impôs.

Permaneceu

como um céu
sem resposta.

Nas manhãs:
silêncio.

Mesa posta.
O café.

O dia começando sem som.

Disse-se pouco.
Quase nada. Como quem aponta
com o dedo.
Não como quem explica.

Os pássaros
tinham desaparecido.

A frase ecoou
entre telhados,
entre as contas a pagar.

Mas o céu
estava indiferente.

Sem resposta.

Grãos (?) de gelo.
Mas o que permaneceu
não foi o impacto.

Foi o intervalo.

Interlúdio
sem canto.

Antes —
porque agora
só se pode dizer antes —

havia pássaros.

E não se dava
atenção a eles.

Havia alacritas.
Não dita.
Ouvida.

O dia vinha pronto.
O céu respondia:

gorgeio,
chilreio,
redobre.

Agora,
que o telhado se recompõe,

o céu permanece
do canto

à espera.

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