Após as matérias publicadas sobre os feriados de Natal, continuamos com o assunto viagens. Que o ano de 2026 seja leve e pleno de bons momentos, que também nos permitam sonhar.
Ulan Bator
Capital da Mongólia, que já foi considerada a maior nação do mundo ao dominar parte da Europa Oriental e da Ásia, com territórios conquistados no século XIII. O antigo império guerreiro, porém, não deixou muitos traços e domínios. Espremido entre a Rússia e a China, o país é hospitaleiro e não briga mais para ganhar espaço.
Os simpáticos mongóis
Uma moderna e simpática Mongólia abriu suas portas para um turismo intenso. Este é uma das principais fontes de renda. A capital, Ulan Bator, é uma das cidades mais frias do mundo. Realmente, nossa visita aconteceu no início do outono, e a temperatura máxima foi de dezoito graus. O melhor destino é o interior do país, em busca de acampamentos que apresentam aos turistas a vida nômade, hospedando-os em yurtas. Se viver sob o modo de vida mais tradicional, um mongol migrará, com seus rebanhos, três ou quatro vezes por ano em busca de pasto. Um pouco dessa aventura, ainda que em yurtas e acampamentos para turistas, é uma experiência muito marcante.
Em Ulan Bator
Fomos para o nosso hotel assim que saímos do trem, para deixar a nossa bagagem de mão. No Hotel Ramada Ulaanbaatar City Center, fomos recebidos por uma linda menina com roupas tradicionais, segurando uma bandeja coberta por uma toalha bordada. Ela oferecia os “boortsog” – pequenos biscoitos de manteiga, crocantes por fora e fofos por dentro. Também foi oferecido um diferente chá com leite, quentinho. O hotel está localizado em um complexo de shoppings, luxuoso, com academias, spa, restaurantes e centro de negócios. O nosso quarto estava no décimo quarto andar, muito espaçoso e confortável, com muita luminosidade entrando pelos seus janelões. A vista era linda para o Monte Bagdkhan e para a cidade. Foi o lugar do nosso almoço: a entrada foi um ensopado de carneiro à moda da Mongólia; a seguir, carne assada (de gado), acompanhada de uma delicada salada com mistura de sabores de frutas e legumes, estes em finas fatias e ao molho de pimenta doce. As sobremesas estavam em um aparador especial: várias tortas belamente decoradas e diferentes. Sempre presente, a coalhada. Era escolhida a torta — podia ser mais de um sabor — e era entregue uma porção com acompanhamento de uma espécie de mingau de iogurte. As sobremesas não são muito doces, como estamos acostumados.
Mosteiro Gandan
O mais importante mosteiro budista da capital e o segundo maior do país. Está localizado nas colinas próximas a Ulan Bator. Faz parte de um complexo budista com uma universidade. Nesta, a Escola de Medicina é muito atualizada e dispõe de equipamentos para pesquisa médica. A universidade é também um centro de formação e prática budista. O mosteiro surgiu em 1838 como um templo principal, onde menores edificações formam o conjunto. O templo principal é todo branco, com detalhes em madeira pintados de vermelho, encimado por três telhados côncavos em ponta, tradicionais nesse tipo de construção religiosa. Ele é o símbolo da independência para o povo. Dentro, no centro, está a estátua budista de “Yanraisig”, em ouro, destruída pelos comunistas em 1938 e depois reconstruída. O templo é circundado por belos jardins floridos. Ao lado do templo principal, encontra-se uma bela estátua dourada de “Yanraisig”, medindo 54 metros de altura e com muitos detalhes em ouro. Ela está sobre um pedestal junto a um monumento branco que lembra um grande sino emborcado. Para comparar e entender a altura da deusa de 54 metros: o Cristo Redentor, no Rio, tem 39 m de altura, e a Estátua da Liberdade, em Nova York, 46 metros. A concretização da obra foi realizada somente com doações da população budista, que representa 90% de todo o país.
Casamento em Gandan
No momento da nossa visita, estava sendo realizado um casamento no templo budista. As mulheres da família vestiam longos bem coloridos, parecendo quimonos chineses de seda tipo brocado. Os homens, com calças pretas e camisões brancos. Os noivos pareciam estar com trajes ocidentais: a noiva, de véu e grinalda, com farto vestido branco em renda; o noivo, com uma espécie de smoking preto, camisa branca e borboleta preta. Observando a fisionomia deles, pareciam ser todos iguais, com traços mongóis.
Desfile na National Academic Theatre Of Mongolia
À tardinha, depois da visita ao Mosteiro de Gandan, fomos à National Academic Theatre para assistir a um show folclórico e a um desfile de moda da Mongólia. O tema era “Noivos”. Aconteceu em uma bela sala da Academia. Iniciando, um trio musical, com instrumentos e trajes típicos, executava música nacional ao lado de um bongo. Um casal de jovens, com roupas e pinturas no corpo na cor lilás, executava acrobacias no intervalo das apresentações. O desfile mostrou lindíssimos trajes tradicionais em ricas sedas e brocados, tanto para os homens quanto para as mulheres. Muitos detalhes em ouro e bordados. Profusão de detalhes e movimentos nos tecidos. As mulheres eram belíssimas, pareciam ter o rosto de porcelana. Os homens usavam sapatos ocidentais, e as mulheres pareciam estar em um desfile em Paris, com belos sapatos de saltos bem altos e finos. Muitos modelos apresentados serviriam perfeitamente para serem usados em casamentos de luxo no Ocidente.
Conclusão
Foram apresentados mais de duas dezenas de trajes. Um luxuoso desfile da moda mongol. As manequins, muito esbeltas e elegantes, com a pele do rosto parecendo modelada. Por baixo das roupas, usavam curtas bermudas pretas de elastano. Seus sapatos eram de marcas ocidentais famosas. Os tecidos eram pesados: ricas sedas e adamascados, com bordados e detalhes em ouro realizados à mão. Usavam pequenos chapéus, tiaras com brilhantes e muitas fitas pendentes nos cabelos. Os vestidos tinham muito movimento e caudas. Nada parecia ser justo, sempre com uma amplidão moderada. Alguns poderiam ser usados em casamentos no Brasil. As roupas masculinas também eram muito luxuosas. Fazia parte uma espécie de capa com detalhes em ouro sobre o que seria um terno tradicional. No final do desfile, a apresentação da noiva em branco: vestido de brocado off-white com bordados em relevo, um pequeno chapéu branco e, sobre os ombros, pendiam longos brincos de cristal. Uma larga faixa em veludo vermelho marcava a cintura. É tradição toda noiva ter um detalhe vermelho no vestido, para trazer sorte e felicidade no casamento.