Dezembro
Um mês de louvor, de confraternização. Um mês de encontros inesperados, do começo do verão e do fim do ano útil. O mês natalino, hoje, foi para longe do que foi outrora – o bucólico dezembro da minha infância. Apesar da correria, algumas lembranças desse tempo ainda resistem: encontros inesperados, o amigo-secreto, a decoração, a árvore de Natal e os apelos saudosos dos comerciais. Dezembro passa correndo, começa desde muito cedo, como se tivesse pressa, iniciando já no fim de outubro. O dezembro do gosto, do silêncio nas luzinhas coloridas, esse nasce dentro de nós. Mas o dezembro da lembrança, do abraço da meia-noite, do desejo de ser feliz e de ser lembrado, da prece ao Menino Jesus no presépio, esse nasce no seio da família, junto aos amigos, ele nasce da esperança.
Tradições de Ano Novo
Na Alemanha: a ceia de Ano Novo não é muito comemorada; a reunião da família fica para o grande almoço do dia primeiro. Mas uma velha tradição ainda é comemorada: em uma bacia cheia de água, são pingadas gotas da cera de uma vela acesa. Através das figuras e das letras formadas no contato com a água, procurava-se adivinhar o que iria ocorrer no próximo ano. Na verdade, cada um enxergava aquilo que queria realizar. O almoço de Ano Novo, muito festivo, requer as tradições da família. Não podem faltar o pernil de vitela ou de porco no molho escabeche, acompanhado de couve roxa, “nudelns” de requeijão e o pudim de canela com ameixas secas regadas ao vinho tinto.
Na Itália: a neve e as conversas ao pé da lareira ou do fogão a lenha são imagens que, para um italiano, são indissociáveis. O Natal e o Ano Novo europeus ganham muito em poesia e ternura em meio à imensa paisagem branca que recobre as ruas e os telhados das casas, no norte da Itália, principalmente. O clima de festividade vai até o dia 6 de janeiro, quando se comemora a Epifania, e é sobretudo nessa ocasião que se distribuem os presentes às crianças. Uma das tradições mais cultivadas é comer, na passagem do ano, um prato de lentilhas: é para ter sorte no ano que se inicia.
Na Suécia: relembrando alguns aspectos próprios de antigas famílias rurais, os suecos, além do arenque, um peixe muito comum apreciado pela culinária do país, procuram oferecer à mesa festiva presunto cozido ou assado, costeletas e pés de porco acompanhados por pão de gengibre. Salsichas e geleias também fazem parte da ceia e, em algumas casas, é observado o ritual do “lutfisk”, um tipo de bacalhau seco preparado com molho branco. Nas ceias de Natal e de Ano Novo, os convidados deixam presentes engraçados anonimamente, junto à árvore. Depois da refeição, são distribuídos aleatoriamente. Também o presente pode chegar durante o dia, quando o doador o atira e dá uma batida na porta.
Na Grécia: as festas de fim de ano duram duas semanas ininterruptas. São comemoradas em família, só que em grandes mesas, onde se assentam não apenas pais e filhos, mas também primos, sobrinhos, tios e avós. Há sempre muita gente. Na véspera de cada uma dessas datas, as crianças andam em grupos pelas ruas, munidas de pequenos tambores com os quais acompanham várias músicas tradicionais gregas. Em troca, os moradores os presenteiam com doces.
Na véspera de Ano Novo, um pão caseiro é preparado com ovos e, no meio, é colocada uma moeda. Antes da passagem do ano, a pessoa mais velha da casa ou o chefe da família vai cortando o pão em fatias. As três primeiras são dedicadas a Cristo, aos pobres e à família. As restantes são entregues a cada participante. Aquele que receber a moeda, segundo a crença, será o mais afortunado durante o ano. Se a moeda cair na parte destinada a Cristo, a família deve fazer uma doação à Igreja mais próxima. Se estiver na parte destinada aos pobres, deve-se ajudar alguma família necessitada ou uma instituição de caridade. Se estiver no pedaço destinado à família, é sinal de que ela terá um bom ano pela frente.
As famílias preparam com antecedência os doces que serão consumidos nas festividades. A especialidade é um doce feito de manteiga, nozes e mel, chamado “melomakárono”. Não esquecendo que os doces da Grécia são muito diferenciados e deliciosos – os figos cristalizados, como tive a oportunidade de experimentar, são a base principal.
Tempos de esperança
Transcrevo parte de um texto, de autor desconhecido, como conclusão: “Dos nossos atos produz-se a transformação do mundo. Já no tempo do Advento poderíamos reunir em pensamento e colocar no altar da palma da mão todos os familiares e amigos, próximos ou distantes, e, na grande liturgia da vida, celebrar o mistério do tempo, do passado, do presente e do futuro, o tempo do mistério daquilo que foi vivido. Lembrar que também somos seres frágeis, como a cana curvada pelo sopro do cansaço, como a areia transportada pelo vento do esquecimento, como o dia banhado pela chuva dos nossos desprazeres, como o crepúsculo matutino escurecido pelas nuvens das nossas decepções e fracassos. É possível um novo começo para uma humanidade nova, o paraíso não se perdeu totalmente no futuro. Se estás nas trevas, acende o teu farol: o Natal é luz; se estás na solidão, sai de ti mesmo: o Natal é encontro; se estás no desespero, reencanta-te novamente com a existência: o Natal é esperança. Na realidade, o teu tempo é sempre, não só agora em dezembro; é a tua vida a lembrar que ninguém está totalmente pronto! O Natal abre as cortinas para a aurora de um novo ano”.
Agora é um tempo de espera, de expectativa, de sonhos, de avaliar e tomar nas mãos a própria vida. Que o ano de 2026 seja repleto de dádivas e realizações!
Buone Feste!
Gutes Neues Jahr!
Feliz Ano Novo!