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Opinião

A população brasileira não tem do que se envergonhar

Os estragos dos juros atingem todas as áreas na prática com menos saúde, educação precária, pouca segurança, infraestrutura caótica, alienação cultural, menos lazer, escassez de recursos na economia, menos negócios, redução de oportunidades e rendimento para famílias e empresas. Mais juros representa mais desemprego, enorme endividamento familiar e empresarial, aumento da pobreza e da concentração de renda, brutal desigualdade social, crescimento da violência, insegurança e mortes.

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Ígor Dalla Rosa Müller
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Jornal Bom Dia

O mecanismo social que mais prejudica a sociedade brasileira, sem paralelo com qualquer outro, são os juros. Não é nenhum benefício social, serviço público, obras, atendimento médico, nada que melhore o bem-estar do cidadão ou qualquer coisa que o valha. Nada disso. O maior problema do país são os juros, nada que a população usufrua, e, por isso, não tem do que se envergonhar.  

Os juros representam, há anos, o maior gasto do Brasil, nenhum é superior a ele, que consumiu 42,96% do orçamento federal de 2024, quase R$ 2 trilhões, de acordo com gráfico da ACD. Imagine estes valores sendo investidos no brasileiro, educação, ciência, tecnologia, agropecuária, em novos negócios, serviços públicos e investimentos Brasil afora. Não haveria limites para o crescimento econômico do Brasil.  

O verdadeiro problema das contas públicas é único, gigantesco, inigualável e causa o maior rombo, atraso e a decadência da economia do país e de todos brasileiros. Os juros inviabilizam qualquer perspectiva de futuro próspero, trabalho saudável e bem-estar.

Essa realidade, ainda escondida da população, só veio à tona graças ao trabalho da Auditoria Cidadã da Dívida (ACD) e a construção do gráfico do orçamento federal, que rompeu os primeiros grilhões, esmiuçando detalhadamente os percentuais e para onde vai o dinheiro dos impostos pagos pelos brasileiros. Esta “simples” representação gráfica é sem dúvida revolucionária em muitos sentidos, porque inverte toda lógica e significados introjetados na sociedade e coloca por terra tudo que se entendia como problema na economia do país há pelo menos 30 anos.

Quando a grande imprensa se apropriar destas informações, com toda sua expertise, acurácia e alcance, as mudanças serão inevitáveis. Se um dia a ficha cair e os congressistas entenderem a verdadeira natureza de suas funções este gráfico será leitura de cabeceira.

É preciso que empresários, trabalhadores, famílias, se apropriem deste conteúdo porque toda e qualquer disputa de forças e discussão ideológica passa a não fazer mais sentido, pois o maior entrave da economia e da vida de todos não vem do trabalho ou da falta dele, mas da burocracia irresponsável, desumana e covarde, porque vive de mentiras e da desinformação.     

Os estragos dos juros atingem todas as áreas na prática com menos saúde, educação precária, pouca segurança, infraestrutura caótica, alienação cultural, menos lazer, escassez de recursos na economia, menos negócios, redução de oportunidades e rendimento para famílias e empresas. Mais juros representa mais desemprego, enorme endividamento familiar e empresarial, aumento da pobreza e da concentração de renda, brutal desigualdade social, crescimento da violência, insegurança e mortes.

Os juros elevados condenam a população brasileira a uma vida de privações, desgraças, infortúnios e problemas que iniciam ao acordar para trabalhar, ao embarcar no ônibus, se mantém ao longo do dia, continua até a pessoa retornar para casa e vai noite adentro, com tudo que o cidadão deixou de fazer, viver ou consumir.

A população brasileira é colocada de fora de qualquer processo de aquisição e consumo, com os juros, nestes patamares. Isso é extremamente improdutivo, porque 63% do PIB do Brasil é formado por, justamente, o consumo das famílias segundo o IBGE (2023). O maior componente do PIB está sendo, há anos, fragilizado, diminuído, menosprezado, enfraquecido, economicamente, isso não faz nenhum sentido.   

Os juros inviabilizam o setor público e privado, reduzem a capacidade de investimentos, ano após ano, dos municípios, onde se encontram as necessidades da população. E também inibem inúmeros mercados, como o imobiliário, de veículos, vestuário, eletrodoméstico, enfim, restringe a indústria, serviços, produção de alimentos, porque falta dinheiro para ampliar o consumo. Todos perdem tudo isso é contrário aos próprios princípios do capitalismo que buscam mais lucro e acumular capital.

Paga-se um preço muito alto, há muitos prejuízos e privações, literalmente, os juros arruínam vidas, negócios e a geração de riquezas para trabalhadores e empresários. E por quê? Por nada, porque não há nenhuma contrapartida na realidade, só há aumento de impostos, cobranças, arrocho e burocracia que desestrutura e inviabiliza todo um país. O que mais precisa ser dito?

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