Por força de trabalho, nesta semana estou visitando uma filial da empresa no estado do Piauí, município de Floriano, que dista 250 km da capital Teresina.
Aqui está finalizando o período da seca prolongada de seis meses, durante o qual raramente cai uma gota de chuva. Entretanto, a partir de novembro, começam as chuvas quase que diárias ou semanais.
O que se vê é a vegetação típica do cerrado, árvores baixas e retorcidas, muitas palmeiras, arbustos e capins. O terreno é plano ou levemente ondulado, o solo é arenoso e, em determinadas regiões, areno-argiloso. A vegetação rasteira está totalmente seca (esturricada) e há queimadas por todos os lados. A temperatura chega a 40 ºC, com sensação térmica de 45 ºC ou até mais, e o sol queima a pele no intervalo do meio-dia, algo absurdo para quem vive no Sul e nunca havia estado neste estado.
A 100 km de distância, no sentido de Uruçuí, tudo muda por completo. A área é totalmente plana, a perder de vista; não há mais o cerrado, somente áreas de lavoura aguardando as chuvas para iniciar os plantios de soja, milho e algodão. O município está dentro da “nova fronteira agrícola do Brasil”, a grande região denominada MATOPIBA. Em Uruçuí, existe uma unidade da Bunge que esmaga soja e produz farelo e óleo bruto. Também está sendo construída uma nova indústria de etanol de milho, denominada BrasBio. O progresso é visível!
O MATOPIBA é uma região de expansão agrícola que abrange áreas dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. O nome é um acrônimo formado pelas iniciais desses quatro estados e foi criado para designar a principal fronteira agrícola brasileira do século XXI, situada predominantemente no bioma Cerrado. Reconhecida pela sua elevada produtividade e pela adoção de tecnologias agrícolas avançadas, a região destaca-se na produção de soja, milho, sorgo, algodão e outras commodities de exportação.
O MATOPIBA possui 73 milhões de hectares, distribuídos em 337 municípios e, é considerada uma região favorável para a produção agrícola em larga escala, caracterizada por vastas porções de terras planas, férteis, mecanizáveis, solos profundos e disponibilidade de água.
A repartição territorial aproximada do MATOPIBA entre os quatro estados é a seguinte:
a) 33% no Maranhão (15 microrregiões, 135 municípios, 23.982.346 ha);
b) 38% no Tocantins (8 microrregiões, 139 municípios e 27.772.052 ha);
c) 11% no Piauí (4 microrregiões, 13 municípios e 8.204.588 ha);
d) 18% na Bahia (4 microrregiões, 30 municípios e 13.214.499 ha).
O produto interno bruto (PIB) da região do MATOPIBA foi estimado, com base nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em R$ 53.406.473.507,00, o que define um PIB per capita de R$ 9.049,00.
A região começou a ser explorada para o agronegócio a partir da década de 1980 por agricultores da Região Sul, que foram atraídos pelas terras com valores muito acessíveis. Em geral, o agronegócio tem impulsionado o crescimento econômico da região, gerando empregos e atraindo investidores nacionais e estrangeiros que enxergam no MATOPIBA grandes oportunidades de negócio e retorno financeiro. A pecuária também tem contribuído para o desenvolvimento econômico e se destacado na produção de carne bovina e leite.
Hoje, 31, fomos visitar a Bunge, a BrasBio e a Fazenda Progresso, de propriedade do Sr. Cornélio Adriano Sanders. Ele nos confidenciou que é natural de Não-Me-Toque, está radicado no município há 25 anos e possui 90.000 hectares de áreas de lavoura. No início, disse ele, “comprava-se 1 hectare de terra pelo valor de uma latinha de cerveja”. Hoje, as áreas de cerrado são vendidas por R$ 3.000,00; as áreas já abertas, por R$ 5.000,00 a R$ 7.000,00/ha; e as áreas já agricultáveis, por R$ 30.000,00 a R$ 50.000,00/ha.
Ainda relatou que sua sede possui 45 hectares de área, com casas e apartamentos para funcionários e técnicos, apart-hotel, hotel para visitantes, refeitório, quiosques, áreas de lazer, dezenas de silos, galpões, oficinas, pavilhões, dezenas de tratores, máquinas, equipamentos e caminhões, além de 4 aviões agrícolas e 2 jatinhos. Toda a área é arborizada e ajardinada, contando com 12 funcionários apenas para cuidar do jardim. Ao todo, a sede tem 350 funcionários, e outros 350 estão espalhados nas demais fazendas e escritórios.
Nunca havia visto nada igual. E saber que ainda temos milhares de hectares para se tornarem agricultáveis e outros milhares para serem recuperados da degradação de seus solos. Este é o Brasil que dá certo, que produz e alimenta milhares de pessoas pelo mundo!