21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Opinião

MAPITOBA – a nova fronteira agrícola do país

Cerrado virando lavouras

teste
Roberto Ferron
Por Engº Florestal Roberto M. Ferron – Consultor Florestal/Ambiental
Foto Roberto M. Ferron

Por força de trabalho, nesta semana estou visitando uma filial da empresa no estado do Piauí, município de Floriano, que dista 250 km da capital Teresina.

Aqui está finalizando o período da seca prolongada de seis meses, durante o qual raramente cai uma gota de chuva. Entretanto, a partir de novembro, começam as chuvas quase que diárias ou semanais.

O que se vê é a vegetação típica do cerrado, árvores baixas e retorcidas, muitas palmeiras, arbustos e capins. O terreno é plano ou levemente ondulado, o solo é arenoso e, em determinadas regiões, areno-argiloso. A vegetação rasteira está totalmente seca (esturricada) e há queimadas por todos os lados. A temperatura chega a 40 ºC, com sensação térmica de 45 ºC ou até mais, e o sol queima a pele no intervalo do meio-dia, algo absurdo para quem vive no Sul e nunca havia estado neste estado.

A 100 km de distância, no sentido de Uruçuí, tudo muda por completo. A área é totalmente plana, a perder de vista; não há mais o cerrado, somente áreas de lavoura aguardando as chuvas para iniciar os plantios de soja, milho e algodão. O município está dentro da “nova fronteira agrícola do Brasil”, a grande região denominada MATOPIBA. Em Uruçuí, existe uma unidade da Bunge que esmaga soja e produz farelo e óleo bruto. Também está sendo construída uma nova indústria de etanol de milho, denominada BrasBio. O progresso é visível!

O MATOPIBA é uma região de expansão agrícola que abrange áreas dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. O nome é um acrônimo formado pelas iniciais desses quatro estados e foi criado para designar a principal fronteira agrícola brasileira do século XXI, situada predominantemente no bioma Cerrado. Reconhecida pela sua elevada produtividade e pela adoção de tecnologias agrícolas avançadas, a região destaca-se na produção de soja, milho, sorgo, algodão e outras commodities de exportação.

O MATOPIBA possui 73 milhões de hectares, distribuídos em 337 municípios e, é considerada uma região favorável para a produção agrícola em larga escala, caracterizada por vastas porções de terras planas, férteis, mecanizáveis, solos profundos e disponibilidade de água.

A repartição territorial aproximada do MATOPIBA entre os quatro estados é a seguinte:

a) 33% no Maranhão (15 microrregiões, 135 municípios, 23.982.346 ha);

b) 38% no Tocantins (8 microrregiões, 139 municípios e 27.772.052 ha);

c) 11% no Piauí (4 microrregiões, 13 municípios e 8.204.588 ha);

d) 18% na Bahia (4 microrregiões, 30 municípios e 13.214.499 ha).

O produto interno bruto (PIB) da região do MATOPIBA foi estimado, com base nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em R$ 53.406.473.507,00, o que define um PIB per capita de R$ 9.049,00.

A região começou a ser explorada para o agronegócio a partir da década de 1980 por agricultores da Região Sul, que foram atraídos pelas terras com valores muito acessíveis. Em geral, o agronegócio tem impulsionado o crescimento econômico da região, gerando empregos e atraindo investidores nacionais e estrangeiros que enxergam no MATOPIBA grandes oportunidades de negócio e retorno financeiro. A pecuária também tem contribuído para o desenvolvimento econômico e se destacado na produção de carne bovina e leite.

Hoje, 31, fomos visitar a Bunge, a BrasBio e a Fazenda Progresso, de propriedade do Sr. Cornélio Adriano Sanders. Ele nos confidenciou que é natural de Não-Me-Toque, está radicado no município há 25 anos e possui 90.000 hectares de áreas de lavoura. No início, disse ele, “comprava-se 1 hectare de terra pelo valor de uma latinha de cerveja”. Hoje, as áreas de cerrado são vendidas por R$ 3.000,00; as áreas já abertas, por R$ 5.000,00 a R$ 7.000,00/ha; e as áreas já agricultáveis, por R$ 30.000,00 a R$ 50.000,00/ha.

Ainda relatou que sua sede possui 45 hectares de área, com casas e apartamentos para funcionários e técnicos, apart-hotel, hotel para visitantes, refeitório, quiosques, áreas de lazer, dezenas de silos, galpões, oficinas, pavilhões, dezenas de tratores, máquinas, equipamentos e caminhões, além de 4 aviões agrícolas e 2 jatinhos. Toda a área é arborizada e ajardinada, contando com 12 funcionários apenas para cuidar do jardim. Ao todo, a sede tem 350 funcionários, e outros 350 estão espalhados nas demais fazendas e escritórios.

Nunca havia visto nada igual. E saber que ainda temos milhares de hectares para se tornarem agricultáveis e outros milhares para serem recuperados da degradação de seus solos. Este é o Brasil que dá certo, que produz e alimenta milhares de pessoas pelo mundo!

;