Vocês são muito novinhos, mas eu e minha turma dos 50 e muitos vivemos experiências difíceis até de contar. Uma delas era digna de ficção científica raiz: a famosa linha cruzada. Deixa eu explicar.
Você pegava o telefone fixo (uma espécie de cágado de plástico em cima da mesa, com um disco que a gente girava com o dedo, isso mesmo, pra discar o número), ou então usava o orelhão (um totem da Idade da Pedra, instalado em cada esquina, onde a gente enfiava umas fichas tipo fliperama pra pagar a ligação. Troço bruto, meu chapa!)
E aí vinha a surpresa: você ligava pra sua tia Dulce e...
— Alô? Quem tá falando?
— Olha, se ela foi com ele, eu não tenho culpa!
— Ô, cala a boca, que eu tô tentando falar com a lavanderia!Era o caos. Tinha vezes em que duas, até três conversas se atravessavam.
Cada um achando que estava falando com quem queria, mas ninguém se entendia.
E o que a gente fazia? Mandava desligar, gritava "sai da linha" e tentava de novo.
Era assim. Vida real. Pré-Wi-Fi. Pré-zap. Pós-paciência.
Agora veja só: não é exatamente isso o que acontece em muitas empresas por aí?
Todo mundo falando, cada um numa direção, gente dando palpite sem saber o que está acontecendo e ninguém alinhado com a visão da empresa, com os objetivos, com as metas.
É como se tivesse uma linha cruzada: um falando do preço, outro falando de propósito, outro querendo fazer promoção de Dia das Mães em agosto.
Sem clareza, sem direção. Só ruído.
E aí, meu amigo, não tem ficha de orelhão que resolva.
Então, da próxima vez que a equipe estiver perdida, sem saber se vai pra lá, pra cá ou pra canto nenhum, lembra da linha cruzada e pergunta:
— Alguém aí sabe qual é o número que estamos discando?
Porque, se nem isso está claro, está todo mundo conversando com a pessoa errada.