A grande bola da vez se chama “terras raras”. Mas vamos entender o que são, para que servem e onde estão disponíveis.
O que são terras raras: tratam-se de um grupo de dezessete (17) elementos químicos encontrados na natureza, geralmente misturados a outros minérios e de difícil extração. Apesar do nome, não são necessariamente raros, mas são difíceis de isolar em alta pureza, o que torna o processo caro e complexo. Raramente são encontrados em grandes concentrações e estão misturados com outros minérios.
Esses dezessete elementos que compõem o grupo das terras raras são os seguintes:
1º) Lantânio (La) - Z=57; 2º) Cério (Ce) - Z=58; 3º) Praseodímio (Pr) - Z=59; 4º) Neodímio (Nd) - Z=60; 5º) Promécio (Pm) - Z=61; 6º) Samário (Sm) - Z=62; 7º) Európio (Eu) - Z=63; 8º) Gadolínio (Gd) - Z=64; 9º) Térbio (Tb) - Z=65; 10º) Disprósio (Dy) - Z=66; 11º) Hólmio (Ho) - Z=67; 12º) Érbio (Er) - Z=68; 13º) Túlio (Tm) - Z=69; 14º) Itérbio (Yb) - Z=70; 15º) Lutécio (Lu) - Z=71; 16º) Escândio (Sc) - Z=21; 17º) Ítrio (Y) - Z=39.
Para que servem: esses minérios são indispensáveis para a produção de turbinas eólicas, motores de carros elétricos, chips de computadores e celulares, equipamentos médicos de ponta, satélites, foguetes e mísseis, dispositivos eletrônicos de última geração e ímãs permanentes, entre outras aplicações.
Importância estratégica: as terras raras são consideradas estratégicas devido à sua aplicação em tecnologias essenciais para a transição energética e digital. Com a crescente demanda global, especialmente em setores como energia limpa e alta tecnologia, mais uma vez o Brasil tem uma oportunidade única de se posicionar como um fornecedor-chave.
Reservas no Brasil: somos o segundo (2º) maior detentor de terras raras do planeta, com cerca de 21 milhões de toneladas, ficando atrás somente da China. Nossas principais reservas estão localizadas nos estados de Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Rio Grande do Sul. Mesmo com essa vantagem geológica, o Brasil ainda está longe de explorar plenamente seu potencial. Boa parte das terras raras extraídas no país continua sendo exportada em estado bruto, sem processamento ou agregação de valor.
Brasil tem o subsolo, mas ainda não tem a indústria
Fernando Landgraf, professor da Escola Politécnica da USP, diz que “como em grande parte de nossos minérios, nos falta capacidade de industrialização. É isso que falta ao Brasil. Exportamos principalmente matéria-prima bruta. Sem tecnologia de refino instalada em escala industrial, o país perde valor ao longo da cadeia e se mantém como fornecedor periférico, mesmo diante da crescente demanda global. Isto é difícil de entender, porque o país não tem uma política clara e abrangente para industrializar seus bens e riquezas, em vez de ficar eternamente exportando matéria-prima”.
Em parte, podemos compreender “que há décadas se perpetuam no poder os vendilhões da pátria, que não pensam no país, mas em si”!
Despertar de outras nações: a China, que além de ter reservas, tomou uma decisão estratégica há décadas: dominar toda a cadeia produtiva das terras raras, desde o beneficiamento até o refino. Na corrida global por minérios, assim como a China, os EUA têm grande interesse em nossas reservas. Desde abril, o governo Trump vem reestruturando acordos comerciais estratégicos, como a parceria firmada com a Ucrânia para explorar terras raras em regiões afetadas pela guerra, e o recente acordo comercial com a China, que liberou temporariamente a exportação de minérios raros e ímãs permanentes. Segundo o Wall Street Journal, a liberação negociada com os chineses vale por apenas seis meses, o que reforça o movimento americano de diversificar fornecedores, com o Brasil no radar.
Eis mais um dilema brasileiro: vamos perder esta grande chance de evoluir?