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Opinião

Ansiedade: quando o alerta se transforma em sofrimento

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Lisandra Garcia
Por Lisandra Garcia - Psicóloga – CRP 07/22583 - Perita judicial - Assistente Técnica Judicial - Especialista em Neuropsicologia e Geriatria - Atua em clínica e instituições de saúde em Erechim/RS e região
Foto Lisandra Garcia

A ansiedade é uma emoção humana universal, que faz parte do nosso repertório adaptativo. Em níveis adequados, ela nos ajuda a nos preparar para desafios, aumenta a atenção e a concentração, funcionando como um sinal de alerta. Entretanto, quando intensa, frequente e persistente, pode deixar de ser protetora e se transformar em um fator de sofrimento e prejuízo na vida cotidiana.

Ansiedade normal x Transtornos de Ansiedade

A Psicologia diferencia a ansiedade funcional — aquela que mobiliza o indivíduo a se preparar para situações importantes — dos transtornos de ansiedade, caracterizados por medo excessivo, preocupações constantes e sintomas físicos que comprometem o bem-estar. Estudos indicam que os transtornos de ansiedade estão entre os quadros mais prevalentes de saúde mental no mundo, afetando milhões de pessoas.

Sinais e sintomas

Os sintomas podem se manifestar de diferentes formas:

- Físicos: taquicardia, sudorese, tremores, falta de ar;

- Cognitivos: pensamentos acelerados, antecipação negativa, dificuldade de concentração;

- Comportamentais: esquiva de situações sociais, medo de enfrentar desafios, irritabilidade.

Reconhecer esses sinais é fundamental para diferenciar a ansiedade esperada em situações pontuais de um quadro que requer atenção clínica.

A sociedade e a ansiedade contemporânea

O contexto atual — marcado por excesso de informações, exigências de desempenho, conectividade constante e instabilidade social — contribui para o aumento dos níveis de ansiedade. A pressão por resultados imediatos e a comparação social, potencializada pelas redes digitais, intensificam a sensação de inadequação e esgotamento emocional.

Estratégias de enfrentamento

O tratamento da ansiedade envolve múltiplas abordagens. A psicoterapia é uma das principais ferramentas, possibilitando ao paciente compreender seus padrões de pensamento e comportamento e desenvolver recursos de enfrentamento. Além disso, práticas como respiração diafragmática, relaxamento muscular progressivo, mindfulness e atividade física regular demonstram eficácia no manejo da ansiedade. Em alguns casos, pode ser necessário o uso de medicação, sempre sob orientação médica.

Considerações finais

É importante ressaltar que sentir ansiedade não significa, necessariamente, estar doente. Trata-se de uma emoção inerente à condição humana. Contudo, quando ela ultrapassa os limites do tolerável, buscar ajuda é um passo fundamental para a preservação da saúde mental e da qualidade de vida.

Mais do que um sintoma a ser combatido, a ansiedade deve ser compreendida como um sinal do corpo e da mente, que merece atenção, cuidado e acolhimento.

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