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Opinião

Memórias de viagem

Viagem Transiberiana de Trem: Rússia – Sibéria – Mongólia – China – (12)

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Marlei Carmen Reginatto Klein
Por Marlei Carmen Reginatto Klein
Foto Marlei Carmen Reginatto Klein

A Capital da Sibéria Novosibirsk está localizada no limite dos continentes da Europa e da Ásia. Fundada junto ao Rio Ob, em 1398. É uma das mais importantes cidades da Sibéria. Nela há muita lembrança do revolucionário e líder comunista Lênin. Durante o ano, a temperatura não passa dos 20 graus C e no inverno chega aos 50 negativos. A Capital é centro cultural, industrial, científico e do transporte ferroviário para o Turquestão, Cazaquistão e China. Considerada a Cidade Acadêmica dos cientistas soviéticos.

Krasnoyarsk

Continuando a viagem, o trem chegou a mais uma bela cidade da Sibéria. A ferroviária é um belo prédio com uma grande cúpula, por onde entra a luminosidade. Jardins, defronte, com um chafariz de interessante movimento de águas. Na época soviética, esta cidade estava fechada para o turismo. Hoje, recebe visitantes de todo o mundo. Krasnoyarsk está na rota da Transiberiana e às margens do magnífico Rio Yenisey, este, fazendo um percurso de 3 487 km. Nasce na Mongólia, corre pela Rússia e desemboca, ao norte, no Oceano Ártico. É o principal dos três maiores rios da Sibéria. Lembrando que “Yenesey” é o nome de um dos belos restaurantes do nosso trem.

Uma guia patriota

Para iniciar, a guia local, de Krasnoyarsk, que nos acompanhou durante a visita de dia todo, era uma comunista de verdade. Vestia uma camiseta vermelha, mas falava um bom português. Referiu-se muito mal da Alemanha e dos alemães, porque perdeu os pais durante a Segunda Guerra Mundial. Ela exaltava muito a Rússia e falava demais. Nós ouvíamos calados para evitar discussões. Ela atribuiu a falência do Regime Comunista à Guerra do Afeganistão. Lamentou a abertura política, acreditando que, com isso, as crianças não terão mais um líder para seguir como era o Lênin. Por esse motivo, os jovens perderam o patriotismo. Ela continuou nos impondo o Comunismo: em vez de heróis sendo cultuados, há bustos de criminosos considerados heróis. Disse que, nessa região, o povo detestou o Presidente Gorbachov, por ele ter tentado acabar com o vício da bebida, hábito comum entre os russos. A vodca existe desde há muito e não se pode acabar com a felicidade do povo. E ouvimos, ouvimos...

Uma bela cidade

A arquitetura local mescla a moderna com a tradicional. Ela surgiu a partir de um “forte cossaco”, fundado no século XVII. Desenvolveu-se com uma forte indústria e suas minas de ouro. A Segunda Grande Guerra foi de importância econômica para a região. Uma colina, no centro da cidade, é um belo local de observação e de história. Ao meio-dia estávamos no alto, pois é tradição, quando os sinos tocam disparam, todos os dias, um tiro de canhão em direção à cidade. Todos acertam os relógios pelo tiro de canhão. Um guarda fica aguardando o momento exato. Como estávamos próximos ao canhão, o barulho foi ensurdecedor. Em Krasnoyarsk os acontecimentos são marcados para antes ou depois do tiro de canhão. Na parte central da cidade, há um belo monumento que lembra os 20 milhões de mortos – povo e soldados – durante a Segunda Guerra. A sua data é de 9 de maio de 1945, final da Guerra contra o Fascismo.

Passeio de barco

Logo após o almoço, em Hotel central, fomos a um passeio de barco pelo belo Rio Yenesey. Um grupo folclórico animou a viagem. Vestiam belos trajes, principalmente as mulheres: vermelho com dourado e muitas rendas brancas. Na cabeça, belos adornos dourados. As mulheres usavam o “volosnik” é uma espécie de quepe forrado em seda e com bordados dourados. Quando ela é solteira, por baixo do quepe, aparece uma bela trança. Se ela for casada, a trança fica escondida. Quando entramos no barco, nos serviram o “Karavai” em sinal de Boas- Vindas – é um aperitivo comum na Rússia. São fatias de pepino passadas no sal e um pão tradicional, muito gostoso. Isto foi acompanhado de um bom vinho. A música de acordeão fez a turma dançar e rir muito. Foram momentos muito agradáveis. Inesquecíveis! Brasileiros e russos dançando juntos.

Voltando ao trem

Depois de um dia muito proveitoso em Krasnoyarsk, voltamos ao trem. Logo fomos para a Sala de Didática, onde recebemos instruções e conhecimentos para a parada do dia seguinte. O jantar foi servido no belo Restaurante dos Czares. A entrada, da refeição, foi de um cálice de vodca com caviar vermelho servido numa pequena panqueca. A alegria estava no ar e os brasileiros iniciaram com cantoria. Um grupo de suíços nos aplaudia. Eles gostaram muito de ver a animação espontânea do nosso grupo e nos ofereceram vinho. Então, tudo ficou mais divertido ainda. O relógio foi adiantado em mais uma hora para o dia seguinte.

No Piano Bar

A animação aumentou, principalmente, quando a pianista tocou “Aquarela do Brasil” o nosso Hino considerado pelos estrangeiros. Realmente, todos estavam muito animados, pois o dia fora muito proveitoso e interessante, quer pelo magnífico passeio pelo Rio Yenesey, como pela surpresa das colocações, em política, da Guia Comunista.

Conclusão

A arquitetura da cidade é uma junção do antigo com o moderno. Na Prospekt Mira, a avenida principal, os prédios são muito modernos: usam o crescendo, isto é: vários blocos ligados começando de poucos andares e vão subindo até chegar a mais de dez. Muitas torres de vidro e aço pertencentes, principalmente, à multinacionais: bancos e representações. Mas falam somente a língua russa e assim são também as placas. Muito difícil encontrar alguém que fale inglês.

Muito interessante, também, foi a visita à Casa-Museu do famoso pintor do realismo russo: Surikov Vasily. Uma bela e típica casa de arquitetura russa, em madeira, marrom com branco, do século XIX. Belas janelas encimadas por brancas esculturas. Além de pintor Vasily foi político: deputado. A casa está entre árvore e belas trepadeiras floridas envolviam as janelas. No interior, toda mobília era original e com belas decorações, inclusive o cortinado. Tudo fazia parecer que estivesse sendo habitada, muito cuidado em sua manutenção.

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