A política é problema e também solução. Hora ou outra, a cada 20, 30, 50 anos a população recebe o mínimo que lhe é de direito. Por exemplo, aprovação do projeto de lei que isenta o Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, atualizando a tabela defasada e congelada há muitos anos. E também transformar o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e o Plano Safra da Agricultura Familiar em políticas de Estado, deixando de ser regulamentados por decretos presidenciais. Sem dúvida, avanços para o desenvolvimento socioeconômico e, principalmente, o bem-estar da população.
A isenção do Imposto de Renda é um alívio para o bolso de milhões de trabalhadores que vão poder dispor destes valores que eles mesmos geraram. Detalhe, recursos que irão movimentar a economia, e, por sua vez, se transformar em impostos novamente para o governo, mas antes vão incorporar a renda de mães, pais, avós que vão utilizá-lo em benefício de suas famílias. Esse é o ponto. E por isso é preciso reduzir, cada vez mais, a regressividade tributária, os impostos sobre o consumo, para colocar mais dinheiro nas mãos dos brasileiros.
A comida não vem do mercado, o leite não vem da caixinha, a fruta não dá na gôndola, apesar da insistência de uns por aí. Esses alimentos essenciais, no dia a dia de qualquer brasileiro, rico ou pobre, vêm do trabalho árduo, faça chuva, frio ou sol, de produtores rurais, lá no campo, a céu aberto, e sujeito a todas as intempéries climáticas. Transformar em política de Estado o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e o Plano Safra da Agricultura Familiar significa garantir a continuidade da produção destes alimentos. E, principalmente, preservar o setor agropecuário dos rompantes, sandices, de decisões políticas alienadas e mal-intencionadas, que nada agregam para o país.
E, neste mesmo sentido, uma demanda histórica aguarda solução há pelo menos 50 anos, no Norte do Estado, na região Alto Uruguai, o asfaltamento de quase 70 quilômetros entre Erechim e Passo Fundo da BR 153 (Transbrasiliana). Nunca se esteve tão próximo de resolver este problema de infraestrutura regional, que liga dois grandes polos econômicos do estado, mas, antes, tem um detalhezinho: a vontade política.
É certo que o governo federal jogou a batata quente no colo dos gaúchos, mas não tem nenhum problema se os deputados federais do Rio Grande do Sul fizerem a coisa certa e votarem a favor desta obra. Não farão mais que a obrigação, no entanto, em se tratando de política não é assim que funciona, porque nada é de graça. Entretanto, é hora de lembrar do passado.
Como já escrevi noutra ocasião, primeiro ponto, o Alto Uruguai atende a qualquer critério razoável para receber estes investimentos, simplesmente assim, como parte de um todo que contribui para manter este país em pé, vivo e produtivo. Isso sem contar todos os bilhões de reais que já foram enviados pela região em impostos, ao longo de todos estes anos. Segundo argumento, há anos e anos milhares de votos saem desta região para eleger os representantes desta mesma Bancada Gaúcha. Sim, o que sempre foi um problema para esta região, agora, não o é, porque a região destinou milhares de votos para estes que aí estão para decidir o nosso futuro.
Não há nada para tergiversar ou dar evasivas, caríssimos representantes, a região sempre contribuiu, ao longo de décadas, com o insumo escasso que é o voto para chegar a Brasília. Agora, chegou a hora de dar o retorno que tanto a região precisa e aguarda há cinco décadas. É só a coisa certa a fazer. Nós não temos um representante em Brasília, temos vários. A Bancada Gaúcha bebe na fonte da região, nada mais justo retribuir nesta hora.
O Alto Uruguai foi deliberadamente ignorado pelo poder público estadual durante décadas, mesmo sendo produtivo e enviando riquezas para o Estado investir em outras regiões, enquanto a vida se esvaía nos municípios. Essa realidade mudou nos últimos anos, contudo, o Alto Uruguai continua sendo ignorado, preterido, pela União. Será que a Transbrasiliana vai ser o divisor de águas?
Esperar 50 anos por uma obra é demais, é um absurdo, irrazoável, acaba com a vida de qualquer ser humano que deixa de acreditar na realização da obra. Vive-se em estado de torpor, insensibilidade, com a sensação do tanto faz. Não deveria ser assim, mas é assim que é. Vai um último apelo à Bancada Gaúcha, faça o que é certo, só isso. Não é pedir demais.