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Opinião

A floresta que virou sala de aula

30 anos de respeito, dedicação e amor às árvores e à natureza

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Roberto Ferron
Por Engº Florestal Roberto M. Ferron – Consultor Florestal/Ambiental
Foto Roberto M. Ferron

No dia 5 de outubro de 1992, diversas entidades da região do Alto Uruguai, capitaneadas pela COTREL – Setor Florestal, e com a parceria e apoio da Emater, AMAU, URI, Prefeitura de Barão de Cotegipe, Ervateira Barão, EMBRAPA FLORESTAS (Colombo-PR) e a Comunidade do Povoado Servia, município de Barão de Cotegipe, implantaram a 1ª Floresta Demonstrativa. E, no ano seguinte, também o 1º Arboreto do Alto Uruguai Gaúcho.

Neste dia 8 de outubro, quarta-feira passada, houve solenidade festiva e educativa para comemorar os 30 anos deste feito histórico, sob o comando da Direção do Colégio Agrícola de Erechim.

A floresta demonstrativa tinha como objetivo principal ser um local de experiências, observação e aprendizado aos proprietários rurais sobre como plantar árvores para produção de madeira com fins madeireiro, energético, moveleiro e para uso próprio, além de como manejar essa floresta para que se tornasse produtiva e economicamente rentável.

Já o arboreto era, e continua sendo, um museu de árvores vivas com o intuito de preservar as espécies florestais em extinção de nossa região, do Rio Grande do Sul e do Brasil. Mas também para plantar espécies conhecidas e valiosas de outros países, como o kiri da China, a teca da Índia e a sequoia dos EUA.

Sob o lema: “O gesto consciente da mão que planta garante a vida na Terra”, plantaram-se no dia 05 de outubro de 1992, 470 árvores em 7 blocos distintos (de 20 m x 20 m = 400 m²), com 67 mudas em cada bloco, das seguintes espécies: acácia-negra, acácia-mangium, pinus taeda, cinamomo-gigante argentino, eucalipto dunnii, eucalipto grandis e eucalipto camaldulensis.

O plantio foi realizado pelos alunos do ensino fundamental da Escola Estadual São José, seus pais e autoridades presentes. Um fato inédito ocorreu: o plantio das mudas se deu ao som da Banda Municipal de Erechim, que tinha como maestro o rotariano Elírio Toldo.

Neste plantio, foi instalada uma experiência para verificar o desenvolvimento das plantas, sendo que metade foi plantada com adubo e a outra metade, sem.

À medida que as árvores da floresta cresciam, a COTREL, com o apoio das entidades acima mencionadas, realizava os Dias de Florestas, nos quais os proprietários rurais de toda a região do Alto Uruguai vinham conhecê-las, observar o crescimento das diferentes espécies e aprender a desramar as plantas para evitar o nó na madeira.

Desramar significa retirar os galhos rente ao tronco, de 1/3 da copa viva, evitando a formação de nós, que depreciam o valor da madeira e lhe conferem maior valor agregado no momento da comercialização das toras. Além disso, fazia-se o controle de ervas daninhas e, principalmente, das formigas cortadeiras.

Na época, a COTREL, juntamente com a EMBRAPA FLORESTAS, importou uma serraria móvel para demonstrar como serrar madeira nas propriedades, agregando valor a essa madeira.

O plano era que as comunidades do interior criassem uma “associação florestal” para adquirir serrarias móveis, passando a prestar serviços de desdobro da madeira entre si e comercializando o material em pranchas para uma grande central ou empresa-mãe, situada no futuro Distrito Industrial Madeireiro do Alto Uruguai.

Essa empresa-mãe faria o desdobro da madeira em tábuas, ripas, pré-cortados para empresas satélites que produziriam caixas, paletes, móveis, chapas, casas pré-fabricadas, entre outros produtos.

Em 17 anos que o programa funcionou, reflorestaram-se 23.000 hectares de florestas chamadas sociais, totalizando 50.000.000 de mudas produzidas no viveiro da COTREL (considerado o 2º maior do estado e de tecnologia de ponta), em pequenas áreas de 1 a 10 hectares, aproveitando os 100.000 hectares de terras que estavam ociosas em 22.500 propriedades rurais da região.

Vale lembrar que a silvicultura virou uma alternativa de renda para os produtores. E, se hoje existe madeira e lenha de eucalipto e pinus na região do Alto Uruguai, foi graças a este programa.

São dezenas de serrarias funcionando nos 32 municípios da região da AMAU, além de lenheiros e transportadores que abastecem dezenas de empresas, como cooperativas, secadores de grãos, ervateiras, frigoríficos, olarias, esmagadoras de soja, fabricantes de biodiesel, entre outras.

Comemorar este feito, com a presença de centenas de alunos do Colégio Agrícola de Erechim, membros da comunidade do Povoado Servia e autoridades representativas das mais diversas instituições, foi algo extremamente gratificante.

Na oportunidade, o Rotary Club de Erechim, representando todas as entidades parceiras, agraciou a comunidade com o CERTIFICADO DE MÉRITO FLORESTAL Engº Jorge Silvano Silveira.

E, como foi dito, “a floresta virou uma sala de aula”. Parabéns a todos!

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