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Opinião

Dá pra fazer

O ponto central, aqui, é que há muito conteúdo do plano disponível e pronto para ser aplicado, na prática, nas ruas de Erechim. Óbvio que requer investimentos. O Plano de Mobilidade propõe melhorias e apresenta propostas reais, técnicas, com gabaritos para orientar as ações concretas. Ele traz análises, medidas, parâmetros que já podem ir para as ruas.

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Ígor Dalla Rosa Müller
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Jornal Bom Dia

À medida que a cidade se desenvolve, amplia perímetro urbano, cria novos bairros, aumenta as distâncias e o deslocamento da população para chegar ao trabalho, comprar, se divertir, o olhar do poder público, para a infraestrutura urbana, precisa também ser revisto, porque a mobilidade urbana está diretamente ligada ao desenvolvimento socioeconômico e ao bem-estar da população. A cidade de Erechim vive, sem dúvida, um momento único com a geração de milhares de novos empregos, dois novos distritos industriais, muitos investimentos em serviços públicos nas áreas de educação, saúde e infraestrutura, meio ambiente, modernização da gestão pública, que transformam o ambiente, geram oportunidades e oferece qualidade de vida. Isso é inegável. E é preciso reconhecer o protagonismo do poder público, em simbiose com empresários e a população, que não se furta e vai à luta.

Neste sentido, Erechim contratou um serviço e já tem disponível o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável de Erechim, pela primeira vez, um estudo científico, com métricas quantitativas e qualitativas, realizadas por profissionais da área, mediante pesquisas de campo, audiências públicas, análises técnicas, observando questões legais, para tratar deste assunto que não pode mais ser adiado. É um projeto, arrojado, técnico, mas extremamente necessário para o próximo passo do desenvolvimento social, econômico e cultural do município. Por quê? Por que as pessoas passam a ter um peso igual ou maior na organização urbana da cidade, isso é fundamental para continuar elevando a qualidade de vida da população. Outro aspecto central é contemplar o patrimônio cultural, pelo menos o que sobrou dele. Assim como democratizar o espaço público. Essas são algumas questões há muitas outras significativas ao bem-estar dos munícipes.

E como bem disse o responsável pelo Plano o arquiteto, Vinícius Ribeiro, na entrega do documento, há mais de dois anos, quando se valoriza o espaço público para convivência se aumenta o senso de pertencimento e a relação com a cidade. O Plano tem como princípios descentralizar o trânsito, democratizar o espaço público, priorizar o pedestre, enfim, integrar mais as pessoas, ao espaço público, modais, e os elementos culturais, enfim, projeto que dá oportunidade para todos e equaliza estas relações, que é o que o município está precisando com urgência. O estudo está pronto, mas precisa ser colocado em prática.

Erechim já tem uma estrutura urbana que proporciona condições para se ter mais acessibilidade, incluir ciclovias e ciclofaixas, ampliar a segurança dos pedestres, possibilitar trânsito fluido, ter mais locais públicos de convivência e diversão, sem destruir o que já existe. O espaço urbano de Erechim foi projetado, pensado, e tem todas as condições de ser solução mais do que problema. Já é muito bom e pode melhorar. Erechim já nasceu, em grande parte, humanizada, contudo, é possível avançar ainda mais, sem perder a sua identidade, pelo contrário, valorizando o aspecto histórico, cultural e funcional do dia a dia.

Falar do espaço urbano é quase sempre uma questão polêmica, porque, geralmente, se reduz a conversa ao funcionamento do trânsito, mas o assunto é muito mais complexo que isso. A nossa existência está muito ligada a este ambiente, ao que ele pode restringir ou proporcionar de bem-estar. O espaço urbano é uma realidade complexa, intricada, emaranhada uma na outra, que afeta a todos. Ao sair à rua, tudo é trânsito, bom ou ruim, é mobilidade urbana. O trânsito é o ambiente, talvez, o mais imediato, no convívio social, em que as pessoas precisam compartilhar as regras para que ele funcione, enfim, para que dê tudo certo e se viva com um mínimo de bem-estar físico e mental.

O ponto central, aqui, é que há muito conteúdo do plano disponível e pronto para ser aplicado, na prática, nas ruas de Erechim. Óbvio que requer investimentos. O Plano de Mobilidade propõe melhorias e apresenta propostas reais, técnicas, com gabaritos para orientar as ações concretas. Ele traz análises, medidas, parâmetros que já podem ir para as ruas.

Não se executa, do dia para noite, um projeto destes, mas é preciso começar, dar o pontapé inicial. O terceiro mandato do prefeito Polis foi marcado por muitas entregas. Como será o quarto? Como o prefeito costumava dizer: dá pra fazer!

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