Uma reunião pública realizada ontem (6) no auditório do prédio 8 da URI-câmpus Erechim, apresentou a situação dos afluentes que deságuam no Rio Uruguai e formam a bacia Hidrográfica dos Rios Apauê-Inhandava. O estudo foi elaborado a partir da análise dos rios na região composta por 52 municípios das regiões do Alto Uruguai, Nordeste, Noroeste, Planalto Médio e Campos de Cima da Serra. O levantamento realizado ao longo de dois anos revela um cenário positivo, apresentando apenas dois problemas: o mau uso do solo e a falta de saneamento básico. Estes dois fatores são os únicos que influenciam na contaminação nos rios da região e ameaçam a sustentabilidade dos recursos desta grande região.
De acordo com o presidente do Comitê Apuaê-Inhandava e professor da URI, Vanderlei Decian, o projeto deve expressar o que a comunidade deseja para o futuro das águas. A partir da apresentação deste diagnóstico da bacia a comunidade irá escolher o que ela deseja fazer com água dos nossos rios daqui para frente. Se quer usar esta água para beber, tomar banho, agricultura, pesca indústria, turismo, geração de energia, entre outras atividades", destaca o presidente do comitê. Decian, explica que o principal objetivo do encontro é apresentar à comunidade e entidades presentes o que foi encontrado referente à qualidade da água da região. "Além disso, queremos saber quais são as principais ameaças dos rios", comenta.
Muita água e pouca utilização
De acordo com o consultor técnico Rogério Dewes, contrato pela empresa responsável pelo diagnóstico, a apresentação foi baseada na fase inicial da pesquisa. "Nesta fase tivemos o trabalho focado na situação da região, em que verificamos e analisamos a quantidade e a qualidade da água. De antemão, descobrimos que existem alguns problemas em cidades específicas como Erechim, que sofre com a falta de água em verões muito prolongados e com quantidade de chuva baixa. Mas no geral podemos destacar que ainda existe muita água de boa qualidade disponível e que ela é pouco utilizada", destacou o consultor.
Segundo Dewes, apenas dois problemas foram encontrados em todas as cidades e precisam de mais atenção. "A questão da utilização do solo, ou seja, ainda se tem que ter o cuidado na área de lavouras que está aumentado em terrenos mais inclinados, provocando a erosão. Outro problema sério que temos é a questão do esgoto, ou seja, não existe tratamento nesta região e isso de certa forma contamina as águas,", explica.
Outro problema identificado foi a utilização de agrotóxicos, que provocam a contaminação em alguns leitos. "O plantio direto vem auxiliando na queda de fertilizantes, mas temos observado a utilização destes produtos. Por isso nosso foco é primeiro conter o processo de erosão e minimizar o uso destes produtos", finaliza.
Sobre o plano
O plano de bacia é um conjunto de ações e medidas que devem ser tomadas pelo poder público (governo do Estado e municípios), pela iniciativa privada e pela sociedade em geral. O objetivo é preservar a qualidade e a quantidade da água dos rios da região de forma a garantir o uso racional e o futuro da água como recursos hídrico, sem prejudicar o meio ambiente. Estas ações envolvem, entre outros, o controle da poluição, através do tratamento dos esgotos das cidades e do tratamento dos efluentes das indústrias; a recuperação e a preservação das matas existentes ao longo dos rios e nas áreas muito inclinadas; a utilização de técnicas de cultivo do solo que evitem a erosão e a contaminação por defensivos químicos e adubos; a coleta e a disposição adequada do lixo e, também, ações para conscientizar a todos os moradores da bacia sobre a importância da preservação da água, que é um recurso natural fundamental para a vida e para a economia.
Futuro das águas
Conforme o comitê responsável pela pesquisa, neste processo de escolha do uso da água, outras cidades também receberão reuniões no mês de outubro e novembro. "Teremos encontros em Vacaria, São José dos Ausentes, Barracão, Sananduva, Getúlio Vargas, para tratar deste tema também", destacou o presidente do comitê Vanderlei Decian.