Romeiros da reconciliadora dos pecadores, N. Sra. da Salette, dos Estados do Sul do País participaram da 81ª Romaria Interestadual no Santuário de Marcelino Ramos, neste último domingo de setembro, dia nacional da Bíblia para a Igreja Católica no Brasil. A Romaria assinalava também os 170 anos das aparições de N. Sra. nas montanhas da Salette, na França, e os 100 anos da revista Salette, dos missionários saletinos no Brasil.
Em dia especialmente favorável, um pouco frio de manhã e de sol esplêndido, os fiéis foram convidados a contemplar e a transmitir a Misericórdia do Pai pelas lágrimas de Maria, na Romaria do Jubileu Extraordinário da Misericórdia que se estende até dia 20 de novembro próximo.
Desde cedo, houve missas diversas no interior do Santuário. Após a missa das 08h na igreja São João Batista, no centro da cidade, foi realizada a procissão até a esplanada do altar campal onde Dom José presidiu missa, concelebrada pelo secretário da coordenação provincial dos saletinos, representando o superior que se encontrava na Bahia, na ordenação presbiteral de um coirmão, pelo vigário geral da Diocese, Pe. Dirceu Balestrin, pelo superior dos missionários da Sagrada Família, Pe. Jandir Haas, de Passo Fundo e por outros três padres saletinos.
O Bispo de Erexim iniciou sua homilia lembrando que o atual Ano Santo da Misericórdia proclama a ternura, a compaixão e o perdão de Deus e convida a viver de forma nova. Disse ter a certeza de que todos os romeiros carregavam no coração o desejo de fortalecer a fé pela ternura da Mãe de Jesus, a Senhora da Salette, mas também as lágrimas que marcaram a vida dela na paixão e morte de seu Filho Jesus. Lágrimas dos fiéis pela perda de algum ente querido, por injustiças, pelo desemprego e outros motivos. Alertou que não se pode viver a beleza da vida longe do amor misericordioso do Pai celeste. Recomendou buscar a reconciliação com os outros e com Deus, assegurando que entre a miséria e a misericórdia, o que conta sempre é a misericórdia. Concluiu desejando “que Maria santíssima, Senhora da Salette, nos ajude sempre a confiarmos no amor e na misericórdia do Pai, mesmo quando as lágrimas do amor e da dor estiverem presentes em nossos olhos e no nosso coração”.
Antes da bênção final, Dom José, que vivia o sétimo dia do falecimento de sua mãe, abençoou os objetos de devoção dos fiéis e agradeceu aos missionários saletinos por sua presença e ação pastoral na Diocese de Erexim e pelo cultivo da devoção a Maria, a Senhora da Salette.
Às 12h, houve a missa da saúde com bênção e imposição das mãos aos fiéis. Na conclusão da Romaria, às 14h, no altar campal, houve terço meditado, bênção com o Santíssimo Sacramento e despedida dos romeiros.
Nas lágrimas de Maria, a misericórdia do Pai.
Saúdo o Revmo. Secretário Provincial, Pe. Pedro Pilonetto, o Revmo. Pe. Jandir Haas, Superior Provincial dos Missionários da Sagrada Família, o Revmo. Pe. Dirceu Balestrin, vigário geral da Diocese, e, através dele, saúdo todos os sacerdotes aqui presentes, os diáconos, os religiosos, as religiosas, os noviços, as autoridades civis, os queridos peregrinos e todos aqueles que nos acompanham através da Rádio Salette e outras, dentre estes, os encarcerados, os enfermos e aqueles que cuidam deles, nos hospitais e nas famílias.
Queridos irmãos e irmãs, estamos celebrando o Ano Santo do Jubileu Extraordinário da Misericórdia. É um tempo e uma oportunidade especial para a nossa vida espiritual, se tivermos a humildade de abrir a porta do nosso coração para acolhermos a misericórdia do Pai. Ela nos fala do amor, da compaixão, da ternura, do perdão que nos reconcilia conosco mesmos, com os irmãos e com Deus. Ela nos convida a vivermos de forma nova, marcada não pela dor do abandono e da solidão, a que o egoísmo e a autossuficiência podem nos levar, mas pelo amor misericordioso do Pai, que nos faz renascer para uma vida nova e gera a comunhão de amor com Deus e com os irmãos. Foi por ter amor, compaixão e misericórdia pela humanidade que Ele enviou seu Filho ao mundo, para resgatá-la das trevas da morte e iluminá-la com a luz da vida, Cristo Jesus.
Creio que todos vocês, queridos peregrinos, de perto ou de longe, vieram aqui participar desta romaria, trazendo no coração a esperança e o desejo de que a sua vida possa sair daqui fortificada na fé, pela ternura da mãe de Jesus, senhora da Salette, e acima de tudo pela misericórdia do Pai. Penso que muitos de vocês trouxeram no coração a esperança, mas também os sinais das lágrimas, das lágrimas que marcaram também a face e o coração de Maria, ao presenciar a crueldade a que era submetido o fruto do seu ventre, seu filho Jesus. Muitos de vocês também podem ter a vida marcada pelas lágrimas, não só daquelas que rolaram na face de cada um, de cada uma, provocadas pela dor da perda de um ente querido, mas também aquelas que rolaram no silêncio do seu coração, pela dor causada pelas injustiças sofridas, pela falta de trabalho, de compreensão, de amor, de perdão e de reconciliação, às vezes dentro da própria família.
São João, no seu Evangelho, nos recorda que no Calvário, “perto da cruz de Jesus, permaneciam de pé sua Mãe... e vendo Jesus a sua Mãe e perto dela, o discípulo que Ele amava, disse à Mãe: ‘Mulher, eis aí teu filho’ e ao discípulo: ‘eis aí tua mãe’" (Jo 19,25-27). Mesmo diante daquela cena cruel e desumana que afligia o coração de Maria, vendo seu filho agonizar na cruz, não faltou ternura de mãe, não faltou amor de filho, não faltou misericórdia para com os pecadores. Nas lágrimas e na dor de Maria, que via a vida do seu filho esvair-se na agonia, pregado na cruz, estava a manifestação do amor e da misericórdia do Pai pela humanidade e por cada um de nós.
Queridos irmãos e irmãs, não podemos desfrutar da beleza da vida longe do amor misericordioso do Pai. E, é na verdade que ele manifesta a sua misericórdia, a mesma verdade, a mesma força, suave mas real, escondida no perdão, na reconciliação oferecida em Cristo Jesus na cruz.
Buscando a reconciliação, a nossa vida pode mudar. Ela tem a força de tirar do nosso coração o pecado e as coisas velhas que nos afastaram do amor do Pai. Elas não terão mais o poder de impedir a nossa vida de florescer, de recomeçar, porque teremos tido a humildade de admitir a própria miséria, que nos conduziu ao pecado. Lembremos bem: entre miséria e misericórdia, aquilo que conta é a misericórdia, porque revela o amor e a compaixão de Deus por todos e cada um de nós.
Cientes de que Deus tem coração de pai, porque não nos julga pelos nossos erros e fragilidades, mas porque nos ama, nos conhece mais do que ninguém e quer o nosso bem. Mesmo quando, por escolhas pessoais, nos afastamos do caminho da vida, ele continua a cuidar da nossa vida e espera pela nossa conversão.
A aliança que Deus fez com Noé e sua família, após o dilúvio, é uma aliança pela vida. Nela está contida a aliança que Deus faz com cada pessoa, com cada família e deve estar escrita no coração de cada um de nós. Através dela, Deus leva a paz ao mundo desorientado e destruído pelo pecado que gera a corrupção e tira, muitas vezes, não só o pão da boca do pobre, mas também a sua dignidade de vida. Devemos ter confiança que, mesmo diante de tanta ganância de alguns, o mundo e a humanidade não serão esquecidos nem abandonados pelo amor e pela misericórdia de Deus.
Que Maria santíssima, senhora da Salette, nos ajude sempre a confiarmos no amor e na misericórdia do Pai, mesmo quando as lágrimas do amor e da dor estiverem presentes em nossos olhos e no nosso coração.