O futuro da Cotrel será decidido em assembleia geral dos associados. As reuniões iniciam no dia 18 e serão realizadas nos 26 municípios onde a cooperativa mantém unidades de armazenamento de grãos, lojas agropecuárias e escritórios localizados nas regiões Nordeste e do Alto Uruguai. Conforme notícia publicada pelo Jornal Bom Dia na edição do último fim de semana, todas as unidades de Cooperativa Tritícola Erechim (Cotrel) serão locadas para a Cooperativa Agroindustrial Alfa (Cooperalfa), com sede em Chapecó.
As tratativas foram confirmadas com exclusividade pelo presidente da Cooperalfa, Romeo Bet, que não revelou as condições do contrato - ainda não assinado - e também não falou sobre valores envolvidos na negociação. A previsão é que o negócio se concretize na primeira quinzena do mês de outubro. A direção da Cotrel foi procurada novamente na tarde de ontem (5) e anunciou que só irá se manifestar sobre o assunto após concluir o calendário de assembleias. Fontes internas da cooperativa erechinense garantem que as negociações estão concluídas, mas ressaltam que o negócio só será efetivado com a aprovação dos cerca de dez mil associados.
Extraoficialmente o Jornal Bom Dia recebeu a informação que o contratado de locação entre a Cotrel e a Cooperalfa, será por um período superior a dez anos. A maior cooperativa de Santa Catarina, que já atua nos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul e prevê faturamento de R$ 2,6 bilhões em 2016, entra no mercado gaúcho para assumir todas as atividades da Cotrel na área de grãos. A Cooperalfa deverá gerenciar as unidades de armazenamento, comercialização de insumos e integrados de suínos, aves e leite.
Futuro da Cotrel
Fundada no ano de 1957 por um grupo de 59 associados, a Cotrel passou por um processo de reformulação no ano de 2005, quando foi descoberto um rombo milionário a partir de débitos fiscais e com fornecedores. Diversas ações na Justiça cobram valores que abalaram a confiança no mercado e tornaram insustentável a manutenção das atividades da cooperativa que neste ano deverá faturar aproximadamente R$ 300 milhões.
A direção atual, liderada pelo presidente Luiz Paraboni Filho, e o vice-presidente Nelson Girelli, anunciou - ainda em 2015- que no processo de recuperação dos últimos dez anos, a cooperativa conseguiu pagar a maior parte das dívidas com fornecedores, restando apenas os débitos fiscais, que motivaram o leilão das unidades frigoríficas com lance inicial de R$ 247 milhões. Sobre a futuro da Cotrel "a tendência é que cooperativa se transforme em um escritório de representação para administração de passivos", revelou uma fonte oficial.