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Opinião

Do javali a inteligência suína - uma resenha para refletir (Parte II)

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Por Jandir Chiaparini - Licenciado em Ciências Agrárias e Bacharel em Direito
Foto Divulgação

Interessante característica também é a preferência por passar a noite em local aconchegante e que ofereça opções de fuga, isto é, buscam não o simples chão da floresta, sim arbustos ou debaixo de onde estejam abrigados do vento e da umidade. No inverno, o ideal é um cantinho aconchegante no meio de um arbusto. Algo que também vai surpreender a muitos é a adaptação dos javalis na Alemanha. Lá já foram mortos 650 mil javalis/ano em temporadas de caça, a maioria à luz do dia. O que fizeram vários animais?

Alteraram hábitos e se tornaram notívagos e mais alertas aos perigos. Em contrapartida, os seres humanos alteraram os horários de caça e até passaram a usar óculos de visão noturna (que depois foi proibido no país). Ademais, passaram a atrair os animais com milho.

Os javalis, após um tempo, mesmo diante do seu alimento preferido, aguentaram a fome e começaram a se alimentar só nas primeiras horas da manhã. Por quê? Nesse horário os caçadores voltaram às suas rotinas nas cidades. Ainda não satisfeitos, os humanos inventaram mais truques, porém os javalis seguiram surpreendendo-os e, como se quisessem compensar mortes, passaram a se reproduzir mais e tão rápido que, em certas regiões, não se consegue controlar a sua população. Talvez mais emocionante seja o estudo que revelou que uma porca doméstica que se tornou mãe de 160 filhotes os ensinava a fazer ninhos de palha e, quando da gravidez das filhas fêmeas, ajudava-as a se preparar para o parto.

Há, ainda, outras histórias interessantes no livro "A vida secreta dos animais", a ponto de o próprio Peter Wohlleben se perguntar: "Se a ciência tem tantas informações sobre a inteligência dos suínos, por que não são amplamente veiculadas? Presumo que seja por causa do consumo de carne de porco. Se as pessoas descobrissem que tipo de animal estão comendo, perderiam o apetite. É mais ou menos o que acontece com os primatas: quem seria capaz de comer carne de macaco?"

Deste ponto em diante, imagino estar o ser humano diante de uma encruzilhada: de um lado, as necessidades de controle populacional dos java-porcos que destroem plantações e impedem visita a certos parques do país. De outro, a necessidade de respeitar a existência singular dos mesmos. Espero que este livro ajude futuros biólogos, ambientalistas e políticos a contornarem a situação.

 

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