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Opinião

Do pinheiro brasileiro vem a pinha, da pinha vem o pinhão (24 de junho é o Dia Nacional Da Araucária)

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Por Roberto Ferron
Foto Sérgio Bavaresco

De fato, chegou o nosso inverno. E quando falamos do inverno, imediatamente nossa mente lembra dos tradicionais chimarrão e pinhão. Este é uma iguaria muito utilizada como alimento, pois o pinhão  (semente da araucária) é cosida  nas chapas dos fogões ou as panelas dos gaúchos, catarinenses e paranaenses.

É uma das espécies florestais nativas mais importantes do Sul do Brasil, que pertence a exuberante Floresta de Araucária, ecossistema único pertencente a Mata Atlântica.  O pinheiro brasileiro é um “dinossauro verde”, pois está na face da terra há mais de 260 milhões de anos. Sobreviveu a todas as catástrofes que abalaram nosso planeta, e diferentemente dos dinossauros, que sucumbiram, estão ainda conosco. Arvore fantástica e magnifica – verdadeiro cidadão vegetal, que nos dá abrigo (madeira para moradias), nos aquece e possibilita assar um churrasco (lenha dos galhos e cascas), fornece alimento (pinhão), remédio para os pulmões (da resina), artesanato (nós de pinho).

É a árvore-símbolo do Estado do Paraná (Brasil).

No Brasil, antes da colonização, as matas de araucária chegaram a estenderse por 185 mil quilômetros quadrados. Na Região Sul, um terço da superfície estava coberta por araucárias. Cerca de 100 milhões de araucárias nativas viraram toras nas serrarias do Sul e do Sudeste e, em 1963, a espécie representava 92% das exportações de madeira do país. A derrubada da araucária para uso da madeira atingiu seu auge na década de 1970 e a falta de plantios encerrou este importante ciclo econômico da região Sul do Brasil – o Ciclo da Madeira.

Da área original de floresta de araucária, que antes cobria as serras meridionais brasileiras, restaram apenas 2%, tornando-se o ecossistema mais devastado do país. Seu grande valor madeireiro a condenou à quase extinção no final do século 20 e, atualmente, a espécie se encontra incluída na lista oficial de espécies ameaçadas de extinção (BRASIL, 2008).

Vamos relembrar as suas propriedades medicinais, pois serve para tratar e curar muitos males “para tratar cobreiro, varizes, bronquite, sinusite, ...”

 

Composição química: partes usadas semente (pinhão é rico em reservas energéticas = 57% de amido sem glúten e aminoácidos), folha, casca, resina, possuem compostos fenólicos, como: catequina, epicatequina, quercetina, apigenina. Também, a resina destilada fornece alcatrão, óleos, terebentina, breu, vernizes, acetona, e ácido pirolenhoso para diversas aplicações industriais e outros produtos químicos.

Uso na medicina popular: diferentes partes são usadas na medicina popular brasileira, semente (pinhão), folha, casca, resina. As folhas cozidas ou em infusão são usadas para tratar escrofulose (tumores que se formam nos gânglios linfáticos, principalmente o pescoço), fadiga e anemia. A infusão da casca mergulhada em álcool é empregada para tratar cobreiro, reumatismo, varizes e distensões musculares. O xarope produzido a partir da resina é usado para o tratamento de infecções do trato respiratório. O extrato hidroetanólico de folhas do pinheiro brasileiro combatem herpes (herpes-zóster) ou cobreiro. O extrato alcoólico das brácteas (folhas modificadas vistosas e atrativas que possuem como função atrair polinizadores) possuem compostos antioxidantes naturais, que apresentam grande importância na inibição de mecanismos oxidativos associado a doenças degenerativas e câncer. O nó, a casca do caule e os brotos são usados pelos índios de varias etnias do Paraná e de Santa Catarina para tratar afecções do reumatismo, dores causadas por quedas, machucado nos olhos, cataratas, cortes, feridas, dor nos rins e doenças venéreas. (Marquesini, 1995). A resina possui ação antioxidante, devido a uma resina chamada de terebintina, que possui propriedades bactericidas cientificamente comprovadas. Dessa forma, o xarope extraido do nó de pinho é usado para tratar infecções do trato respiratório, como:  catarro, infecções respiratórias, como resfriados, bronquites, sinusites e faringites.

Os principais benefícios do consumo do pinhão para a saúde são:  o pinhão é tradicional na culinária do Sudeste e Sul do Brasil. Muitas receitas de creme, sopa, bolinho, croquete, ensopado, risoto, bom-bocado, pudim, torta, etc., incluem o pinhão como ingrediente. Eles são fontes importantes de proteína, no Brasil e na Argentina (Ragonese & Martinez Crovetto, 1947), sendo alimentos nutritivos e fortificantes, servindo para a alimentação humana, de animais domésticos e da fauna silvestre. Podem ser consumidos crus, cozidos em água ou leite ou assados. A amêndoa, seca ao calor e reduzida a pó, produz fécula branca e delicada, nutritiva e de fácil conservação. Por esses atributos, foi durante um longo período um importante alimento para alguns grupos indígenas e para os primeiros colonos (Hueck, 1972).

Da pinha vem o pinhão, do pinhão vem o pinheiro! Lembrando que este “dinossauro verde” necessita de muitos ‘Senhores Gralhas’ para perpetuar seus descendentes!

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