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Opinião

O legado da etnia alemã para Erechim (Parte III)

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Marlei Klein
Por Marlei Klein
Foto Divulgação

A imigração alemã marcou com seu dinamismo e cultura o desenvolvimento da nossa cidade e da nossa região. Sua história de trabalho e construção iniciou lá, no longínquo ano de 1824, quando chegou ao RS

Reminiscências

No Porto de Hamburgo- Alemanha-, um dos maiores portos da Europa, trens chegavam e despejavam centenas de pessoas, adultos e crianças. Vestiam roupas da época. Os homens de ternos e chapéus e as mulheres de vestidos longos. Elas usavam toucas ou chapéus, como era moda na época. Mas seus trajes eram pobres, muito pobres. Naquele porto entre caixas, malas e um vaivém frenético homens, mulheres e crianças, um tanto perdidos, tristes, choravam e duvidavam do que estava acontecendo. Nessa confusão toda estavam deixando sua terra natal, sua pátria, para aventuraram-se além mar. Estavam partindo para o Brasil, que não imaginavam como seria.

Relembrando a chegada

Viajaram muito tempo e no dia 25 de julho de 1824, 12 mil quilômetros distantes da Alemanha, chegaram ao lugar prometido: a Feitoria de Linho-Cânhamo, que depois viria a transformar-se na cidade de São Leopoldo. É fácil imaginar o que encontraram: um barracão que seria a moradia. Havia neblina e esta fez com que tudo parecesse mais estranho, mais triste e com ar de abandono. Olharam para tudo e choraram, mas não desanimaram e começaram a trabalhar. Logo surgiram novas fundações de colonos alemães espalhadas pelo Rio Grande e que também chegaram aqui, na nossa região.

Sociedades alemãs

Este povo possui um caráter muito associativo, gostam e até necessitam viver em grupo. E, em Erechim, criaram quatro sociedades, corais, grupos de dança e de teatro. Em 1952 começaram a pensar num Clube Social. As entidades fundiram-se e surgiu um Clube – o Sociedade Germânia- onde hoje se encontra o Clube Caixeiral. Mas muitos foram se tornando sócios.  Em 1954, pensaram num lugar só para descendentes de alemães. Por volta de 1955 foi tornada realidade a ideia. O Sr. Guilherme Bofinger seria o primeiro presidente.

Concretização da ideia

Trabalharam arduamente para conseguir comprar um terreno. A diretoria, com os sócios da época, angariou numerário por meio de festas campais, rifas, livro ouro e turnês teatrais. Depois de três anos, de muito trabalho, conseguiram comprar o terreno no valor de Cr$ 85 mil, onde hoje se encontra o Centro Cultural 25 de Julho. Também adquiriram um galpão de madeira de lei, de propriedade da firma A.J. Renner existente em Sarandi, lugarejo do município de Aratiba, por Cr$ 25 mil. Este foi desmontado e reconstruído no terreno adquirido. Seu estilo foi o das velhas residências dos imigrantes alemães. Durante a construção todos os sócios colaboraram. Um dos mesmos, Otto Niederberger, dormia na obra, em meio aos materiais, para ficar cuidando o local. Foram tempos de muita doação e amizade.

Centro Cultural 25 de Julho

Assim, concretizou-se a Casa Alemã. Depois de pronta a obra, precisavam quitar as contas que ficaram. Nessa época, receberam um aparelho cinematográfico da Embaixada Alemã e passavam filmes para juntar o dinheiro que faltava. Peças teatrais foram apresentadas e muitas reuniões dançantes foram feitas. Aos sábados e domingos, os sócios reuniam-se com suas famílias, era como um segundo lar. Havia aulas de língua alemã e de música. Uma excelente biblioteca, com muitos livros em língua alemã, emprestava os mesmos. A Orquestra de Concertos de Erechim iniciou nessa sociedade. Muitos sócios tocavam instrumentos musicais. Um pequeno grupo reuniu-se para tocar e assim surgiu a OCE.

A vida social

Na época, os bailes, kerbs e matinés dançantes eram os melhores da região. Toda a cidade participava. Havia a ala feminina que muito participava com o seu trabalho. Entre elas são lembradas Nilza Kreische e Hilda Hachmann. Quanta salsicha com chucrute, quanto “eisbein” e quanta cuca! Um preito de gratidão deve ser lembrado, por admiração, aos sócios da época e a seus descendentes. Eles ajudaram a firmar a cultura e o lazer na sociedade erechinense.

Novo rumo do centro cultural da época

Por volta de 1975, a sociedade perdeu a maioria dos seus velhos sócios lutadores e muitos jovens mudaram-se para outras cidades. Sua vida social concluía e chegou ao total abandono. Assim, o restante dos pioneiros se reuniram, em diretoria provisória, tendo por presidente o Sr. Frederico H. Goldschmidt. Após várias reuniões, foi resolvido em ata, de 15 de abril de 1978, que a Entidade Alemã seria doada à Prefeitura Municipal de Erechim.  Esta teria com o comprometimento de construir uma nova casa de cultura. A doação foi efetivada através da escritura de doação de número 14.555/107 registrada no antigo Cartório Mandelli, hoje Timm, em 12 de setembro de 1978. Chegava ao fim uma época e iniciava outra que marcou Erechim para sempre.

Conclusão

Doado o terreno, em 1978, foram tomadas as providências preliminares que culminaram com o lançamento da pedra fundamental do Centro Cultural 25 de Julho, em 3 de maio de 1981. A arquiteta da nova casa seria Rosely Hachmann e o engenheiro seria o Dr. Enio Cruz da Costa, diretor da escola de engenharia da UFRGS/Porto Alegre. O então Prefeito Municipal Eloi João Zanella já sabia da grandiosidade da obra. Surgia a melhor Casa de Espetáculos e o melhor Teatro do interior do Rio Grande do Sul.  

 

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