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Opinião

A importância de compreender os processos formativos da Colônia Erechim

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Henrique Trizoto
Por Henrique Trizoto
Foto Divulgação

No último sábado (18/06) tive a oportunidade e a honra de ministrar uma palestra sobre a História de Erechim para as candidatas a Rainha da Frinape e as princesas étnicas da edição de 2022. Na ocasião optei por uma abordagem centrada na análise dos processos históricos que levaram a cidade ao patamar atual. A primeira incursão afim de explicar a metodologia que seria adotada durante a atividade foi usar uma expressão que considero clichê: “na história não anoitecemos medievais e acordamos modernos”.

Dito isto, passei a abordar os processos históricos que foram desencadeados a partir da política de Colonização proposta por Borges de Medeiros (25 de janeiro de 1898 a25 de janeiro de 1908) e executada, no caso da Colônia Erechim, no Governo de Carlos Barbosa (25 de janeiro de 1908 a 25 de janeiro de 1913) por meio de fotografias que retratam o desenvolvimento da Região. O centro da proposta, era compreender, “a memória e sua dimensão política, o patrimônio, estão no centro da crescente instauração de formas públicas de dizer o passado, numa relação com o tempo pela qual somos modelados e nos permitimos existir. É no centro desse “regime memorial- patrimonial” que assistimos, e por vezes somos convidados a participar, a multiplicação de lugares e espaços para a memória, os diferentes processos de reivindicação memorial, as inúmeras presenças da memória no espaço público e as mais diversas formas que assume o patrimônio ou “os patrimônios” inseridos nas mais diversas lógicas e interações sociais”.

Ao mesmo tempo trazer o protagonismo de espaços como o Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Illa Font, cujo acervo foi amplamente debatido em colunas anteriores, para compreender de que forma a estrutura da cidade foi moldada pelos grupos (i)migrantes que povoaram oficialmente a cidade. De maneira que se pode romper alguns paradigmas e compreender como outros se formaram e se mantém na história centenária da cidade.

Analisar os ciclos econômicos por exemplo, nos permitem traçar o perfil dos (i)migrantes, das políticas governamentais, e porque o Governo do Estado dispendeu tantos recursos financeiros e humanos para que a Colônia saísse do papel e lograsse êxito. Retomo as palavras de Pellanda (1925) que retrata-a como o “O principal núcleo colonial da região serrana é incontestavelmente este, criado em 6 de Outubro de 1908, pelo Estado, e instalado em 1910 com os primeiros 36 colonos, sendo 4 famílias com 28 pessoas e 8 solteiros”. Aponta inda que “não tem ponto de comparação dentro ou fora de nosso Estado, posto que apenas em 8 anos a sua população aumentou cerca de 32.000 habitantes e a produção, que era nenhuma, se elevou no mesmo espaço de tempo a 3.600:000$000, dos quais foram exportados 2.574:000$000” (PELLANDA,1925, p.189).

Por fim, buscamos conduzir uma reflexão sobre a mudança no perfil da cidade principalmente a partir da década de 1970 com a construção da BR 153, da vinda do Centro de Ensino Superior de Erechim (1968), aquisição e construção do Distrito Industrial Irany Jaime Farina e a entrada em vigor do Plano Diretor em 1981 que consolida este novo cenário.

 

Referências

FERREIRA, 2017, p.10) Apresentação. in DEBARY, Octave. Antropologia dos Restos: da lixeira ao Museu. Um2: Pelotas, 2017.

PELLANDA, Ernesto. Colonização germânica no Rio Grande do Sul. PoA: Globo, 1925.

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