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Opinião

Um sapo, um príncipe, um mosquito

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Gaby Garbin Mársico
Por Gaby Garbin Mársico
Foto Divulgação

Um príncipe é um ser humano racional, dotado de inteligência, pertence a uma família geralmente bem constituída, educada, mora em lindos palácios, tem boa alimentação (não precisa procurá-la), é assistido pelos melhores médicos, freqüenta as melhores escolas, usa lindas e caras vestes. Sua vida é feita de passeios, viagens, festas, tem alta conta bancária, vive cercado de amigos, de festas e tem o poder onde reina a monarquia.

Um sapo, animal irracional, anfíbio coberto de feias vestes, mora em charcos, rios e matas. Com sua “família” não tem ligação afetiva nenhuma. Sua aparência, coitado, é repelente aos nossos olhos e sua alimentação que é obrigado a procurá-la, é composta de insetos que abocanha com sua língua longa e pegajosa.

Um príncipe nasce em berço de ouro e o que mais faz por seu país é participar de campanhas humanitárias, encontros com outros líderes mundiais, aparece em fotos de TV, jornais e revistas com sua família, seus filhos, mostrando a importância de um lar de amor e respeito. Lindo! Lindo! Faz bem aos olhos e ao coração dos plebeus como nós.

Mas, o pobre e feio sapinho também tem aparecido na imprensa. Mas, como um animalzinho em extinção. Como? Os sapos estão desaparecendo?

Nem precisamos ler reportagens sobre, basta observar o ambiente em que vivemos. Um exemplo: Quando eu e minha família nos mudamos em 2001 para a casa em que moramos até hoje, havia um sapo que andava pelo nosso quintal e pelo terreno baldio que havia ao lado. Passado um tempo notamos que o nosso visitante tinha sumido. O motivo provável – desmanchei a pequena horta que tínhamos e no terreno ao lado foi iniciada uma construção.

Em minha ignorância, descuido e minha grande culpa, condenei o pequeno ser à morte, pois privei-o de seu alimento, os insetos e larvas que vivem nas hortas, nos pomares e terrenos baldios que é seu hábitat natural.

Analisando friamente os dois seres, o sapo é o que mais tem utilidade para a humanidade; o príncipe sabe e tem recursos para sobreviver, o que não acontece com o sapo.

É assim que se vão as espécies que mantêm a cadeia alimentar e sobram as “pragas” que se proliferam sem seu predador natural. Quando um elo se quebra, toda a cadeia se desestrutura e sobra, neste caso, o terrível mosquito Aedes aegypti que tanto mal faz. Claro que também e principalmente, há a mão do homem que impede o trabalho do honesto e laborioso sapinho que sempre fez a sua parte.

Enquanto o homem aceita viver ao lado de um esgoto, os insetos e as doenças se proliferam, acabando assim também com a vida dos nossos aliados silenciosos – os sapos. Quanta burrice! Quanta ignorância! Quanta omissão!

Ficamos então com o folclore e as canções infantis para lembrar como eram esses bichinhos: “sapo Cururu, na beira do rio...” e os contos de fadas onde acontecia, do belo príncipe virar um feio sapo, pela maldade da bruxa...

Em tempo: Tenho este texto pronto há uns meses. E ao ler a reportagem sobre os sapos do Sr. Jandir Chiaparini, Técnico em Agricultura (Jornal Bom Dia, 29/10/2021). Venho dar uma forcinha aos “amiguinhos” da natureza.

 

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