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Opinião

Patrimonialização Cultural dos Arquivos Históricos (I)

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Henrique Trizoto
Por Henrique Trizoto
Foto Divulgação

Prosseguindo com a análise de uma possível patrimonialização dos Arquivos Históricos, traremos elementos que permeiam a construção desta proposta. Primeiramente, é preciso compreender / reforçar / retomar a ideia de Patrimônio.

Para Dormaels (2011, p. 11) “[...] entender o patrimônio é entender sua significação simbólica, o que significa que é um marcador da identidade coletiva de um grupo social, mas também é entender seu processo de construção, ou de enunciação, chamado de patrimonialização. O patrimônio não é um objeto, não preexiste e, portanto, não pode ser estudado de forma “objetiva”. Por isso, deveria considerar-se que se trata, então, de estudar um fenômeno, pelo qual se propõe trabalhar desde um enfoque fenomenológico”.

Dito isto, o segundo elemento que precisamos compreender o que significa patrimonializar os Arquivos. De acordo com Cougo Jr. (2020) Davallon aponta que a patrimonialização deve ser analisada enquanto institucionalização de um fato social, que nos possibilita “captar a lógica na construção do status patrimonial de um objeto” (2014, p. 57). Neste sentido, o destaque vai para a investigação, que por meio de conhecimentos técnicos e da elaboração de “critérios e na normatividade empregados no processo de conversão de um objeto utilitário em patrimônio cultural” (COUGO JR, 2020, p.36). Portanto, Davallon apresenta uma proposta de  “operação metodológica” para analisar a patrimonialização,

Ainda de acordo com Cougo Jr. (2020, p. 36), “Davallon evoca a figura dos “gestos” como ações específicas deste processo. Para o autor, os “gestos” da patrimonialização podem ser resumidos a cinco movimentos: a) o interesse que um grupo organizado e amplo demonstra por determinado objeto e seu “valor”; b) o estudo deste objeto, visando à produção de conhecimento sobre ele; c) a declaração oficial que institui a patrimonialidade (e que se dá sempre através de um ato performativo); d) a publicização do novo patrimônio através do amplo acesso a ele e; e) a transmissão do objeto patrimonial às futuras gerações, ato que instaura “a continuidade no tempo, ao criar uma relação com o futuro que é simétrica à relação com o passado” (2014, p. 59,).

Ou seja, cada um destes gestos propostos por Davallon para legitimar sua proposta, permite aos pesquisadores observar os limites do documento e questioná-lo. Para Cougo Jr (2020), a análise de um documento deve perpassar também pelo “processo funcional ou contexto da criação (Yakel, 1996); não apenas nos arquivos como produto a ser arquivado, mas nos arquivos como processo; não apenas no artefato físico, mas na própria ação que originou a criação do artefato (Taylor, 1988); o foco muda da análise das propriedades e características de cada documento para a análise das funções, processos e transações que estão na origem da criação dos documentos (Cook, 1997: 47)”.

Em suma, uma proposta de patrimonialização perpassa pela construção de uma metodologia capaz de abarcar todos os processos que que constituem / constituíram a trajetória de um objeto, para atribuir “valor”, sendo esta a parte mais complexa de todo o processo, pois em uma sociedade multifacetada como a brasileira, consensos não são tão simples de serem atingidos.

Referências

COUGO JUNIOR, Francisco Alcides. A patrimonialização cultural de arquivos no Brasil. Orientadora: Renata Ovenhausen Albernaz. Coorientador: Ramón Albech i Fugueras. 2020. 445 f. Tese (Doutorado em Memória Social e Patrimônio Cultural) – Instituto de Ciências Humanas, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, 2020.

DORMAELS, Mathieu. Patrimonio, patrimonialización e identidad. Havia una hermenéutica del patrimonio. Herencia, San José, v. 24, n. 1-2, p. 7-14, 2011.

DAVALLON, Jean. Une patrimonialisation des archives? L’archive dans quinze ans, université catholique de Louvain, Louvain-la-Neuve, abr. 2014.

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