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Opinião

Patrimonialização Cultural dos Arquivos Históricos (I)

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Henrique Trizoto
Por Henrique Trizoto
Foto Divulgação

O dia 9 de junho é um dia simbólico, pois é a data em que se comemora o Dia Internacional dos Arquivos. Ela faz alusão criação do Conselho Internacional de Arquivos (ICA) pela Unesco, em 9 de junho de 1948. Na oportunidade parabenizamos todos os Arquivos e ressaltamos sua importância para compreender os processos ocorridos nos grupos Sociais.

Na cadeira de História e Patrimônio (2022/01) do Programa de Pós Graduação em História (PPGH) da UPF uma das atividades compreende a análise de uma tese de Doutorado na linha de pesquisa em que estamos inseridos. A patrimonialização cultural de arquivos no Brasil, de Francisco Alcides Cougo Junior defendida em 2020 foi a escolhida. Ela foi a vencedora do Prêmio Nacional de Arquivologia Maria Odila Fonseca 2021 na categoria "Melhor Tese de Doutorado".

Durante a leitura, alguns elementos chamaram a atenção, principalmente no que tange a proposição de uma patromonialização dos Arquivos. Em um cenário em que as disputas pela hegemonia das narrativas históricas, tem se acentuado e tensionado a relação entre os grupos sociais, os Arquivos, principalmente os Históricos, ganham um papel significativo neste contexto.

Tendo em vista que “diferentemente de outras tipificações patrimoniais, os documentos arquivísticos são bens de uso executivo, fiscal e jurídico criados primordialmente para atestar ações e decisões cotidianas. Neste sentido, a transformação destes bens em patrimônio cultural é dotada de grandes complexidades, uma vez que o movimento prescinde não apenas da atribuição de valores, mas também da compreensão sobre a redução ou extinção dos fatores primários motivadores da produção documental” (COUGO JR, 2020, p.21).

A compreensão deste processo fica mais fácil a partir do entendimento de que “o patrimônio cultural arquivístico não existe per si. Ao contrário, ele foi e ainda é construído, reconhecido, enfim, ativado através de gestos, atos e formas mutáveis no espaço e no tempo, socialmente elaboradas e em constante revisão. Sob este ponto de vista, portanto, mais importante do que entender o que é o patrimônio cultural arquivístico brasileiro, é necessário analisar como ele se constitui, ou seja, de que forma bens de uso comum se transformam (ou são transformados) em objetos patrimoniais” (COUGO JR, 2020, p.23).

Com isso, percebemos que a disputa pela hegemonia de uma narrativa é capaz de produzir novas interpretações acerca de um mesmo documento. Um discurso de um governante reproduz a mentalidade de um determinado período. O Gal. Médici associando o tricampeonato da seleção brasileira de futebol em 1970 como um feito de sua gestão durante o regime é um exemplo.

A produção de documentos acerca de uma sociedade retrata seus usos, costumes, ferramentas linguísticas e conformações tecnológicas de um determinado período histórico. Os Arquivos neste contexto são espaços que salvaguardam esses elementos para que cada geração possa acessar, estudar, analisar as motivações que levaram determinado fato histórico a ocorrer daquela maneira.

Referências

COUGO JUNIOR, Francisco Alcides. A patrimonialização cultural de arquivos no Brasil. Orientadora: Renata Ovenhausen Albernaz. Coorientador: Ramón Albech i Fugueras. 2020. 445 f. Tese (Doutorado em Memória Social e Patrimônio Cultural) – Instituto de Ciências Humanas, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, 2020.

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